Você sabe quem você é ou você atua o tempo todo?

Se eu começasse o texto escrevendo que cada um de nós usa algumas máscaras no dia a dia, o que você pensaria? Talvez, que eu estivesse recriminando a atitude ao considerar que não somos verdadeiros, já que tendemos a associar máscara a falsidade, mentira, enganação. Mas isso não poderia estar mais distante da verdade. Afinal, cada um de nós usa mesmo máscaras sociais e isso é natural, não faz de ninguém vilão. O vilão é o “amigo” que se faz de amigo, a pessoa que te desrespeita, um desafeto que se aproxima para tentar apagar seu brilho, etc. O nome disso é ausência de caráter e não “máscaras sociais”.

Sabe aquelas expectativas que acabamos atendendo em diferentes grupos sociais, como trabalho, família?

As máscaras sociais, também definidas como persona, são as responsáveis por nos adaptarmos às mais diversas situações. Isso acontece porque a persona está associada ao comportamento de contato com o mundo exterior.

Por isso, não é exagero falar que é isso que nos faz adaptáveis. Situações diferentes exigem de nós reações diferentes. Afinal, nosso relacionamento em casa e no trabalho, só para citar dois exemplos, são distintos e a maneira como agimos e reagimos nos dois ambientes também serão diferentes. Então, para resumir, a persona é como se fosse um papel para interpretarmos para sermos vistos pelos outros. Uma mesma pessoa, por exemplo, desempenha vários papéis (ora mãe, ora filha, ora avó, ora tia, ora professora, ora esposa, ora amante, ora líder de um grupo na igreja, ora amiga alto-astral, ora amiga sensata…), conseguiu entender?

Mas nem sempre é fácil separar as situações. Portanto, podemos cair na armadilha de encarar esses papéis que desempenhamos no coletivo para o pessoal, o que pode atrapalhar no desenvolvimento da nossa personalidade. Como assim? Vamos pensar no trabalho. Se eu sou uma pessoa que respiro e vivo trabalho 24 horas por dia, posso levar minha relação com ele para uma escala pessoal. Minhas relações podem começar a ser protocolares, apenas para “cumprir uma meta” ou “riscar uma tarefa da minha lista de atividades”.

Não é tão difícil cair na pegadinha, por isso, precisamos estar atentos e em contato conosco o tempo todo. Quando alguém pergunta “quem é você?”, temos a tendência de responder nos termos de nossa persona: depois do nome, respondemos a nossa profissão, quem são nossos pais… Tudo nos compõe, claro, mas é preciso irmos além, mesmo que não usemos na resposta para o outro. Quem somos é muito mais do que nosso trabalho ou nossas atitudes públicas. Para não deixar que as máscaras que vestimos socialmente nos escravizem, precisamos fazer o exercício constante de estar em contato com conosco, de nos conhecermos na intimidade.

Afinal, as máscaras sociais são uma maneira de proteger nossa intimidade, de manter nossa saúde mental. Nem tudo que fazemos, pensamos ou sentimos temos vontade de compartilhar com o mundo, apesar de estarmos excessivamente expostos em tempos de redes sociais e compartilhamento de fotos e vídeos. Algumas coisas mantemos na intimidade, e é bom que seja assim mesmo.

Não tenha medo de vestir as máscaras sociais. Elas são importantes para a nossa relação com o meio que nos cerca. Na próxima vez em que alguém exigir que você “tire a máscara” talvez seja bom refletir que a pessoa que fala com você também está usando a dela naquele momento.

Tão importante quanto ter consciência da importância da persona para o nosso desenvolvimento é saber que vamos precisar usá-la de acordo com o meio em que nos inserimos. A questão é: você sabe quais são as suas máscaras para lidar com cada situação? Cada momento exige de nós uma máscara, não tenha medo de descobrir ~ e usar ~ aquelas que você precisa para (com)viver.

 Um grade abraço, e até breve: Thays.

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