VOCÊ é a baleia azul!

Sou da época que tínhamos preocupação com quem resolvesse brincar de fusca azul.. rendia um tabefe estalado, seguido de um “grito”: – fusca azul!!! Depois todos caiam na risada.

No entanto, nas últimas semanas presenciamos uma enxurrada de gente alarmada com um “jogo” que, segundo relatos, iniciou-se na Russia e disseminou-se mundo afora.

Aqui não poderia ser diferente e logo passaram a ser noticiados casos de possíveis “jogadores”.

Eu não vou nem adentrar nos pormenores do “jogo”, acho que todo mundo já conhece os detalhes e desfechos macabros que o envolvem.

De outro lado, só se fala na polêmica série cujo protagonismo gira em torno do suicídio de uma adolescente. Aí eu me peguei pensando: quando é que deixamos isso começar a acontecer? Existem mesmo 13 porquês?

Acho que tudo começou quando trocamos o abraço pelo “curtir”, a ligação pelas mensagens instantâneas, a atenção por um sinal de wi-fi. Graças ao excesso de tecnologia, é muito mais fácil sentir-se sozinho no meio de tanta gente.

Eu não tenho filhos, mas ouço relatos de amigos que tem e, olhando de fora, é muito fácil detectar o problema.

Outro dia uma amiga minha estava reclamando que tinha que “forçar” a filha a largar os aparelhos eletrônicos para brincar: “filha, vai brincar lá fora.”

A verdade é que as crianças e adolescentes dividem seus dias com computadores e smartphones não veem graça nas pequenas coisas, acostumaram-se com o individualismo e solidão. Enquanto isso, os pais seguem confortáveis trocando tempo por presentes, refeições em família por desenho animado.

Estamos inseridos em uma geração na qual as redes sociais nos tornaram uma “sociedade de seguidores”. “Seguimos” desconhecidos famosos, perfis fantasiosos, mas não percebemos quando nossos filhos estão silenciosamente suplicando por ajuda.

E afinal a culpa é de quem?

Todos somos culpados, todos observamos, mas ao invés de assumirmos nossa culpa e carregarmos o “fardo” da nossa ausência na vida do outro, transferimos a culpa a um “jogo” que sequer sabemos acerca da real existência.

Tem sim, jovens se mutilando, jovens atentando contra suas próprias vidas, mas você realmente acha que a culpa é da “baleia azul”?

Ao passo reencaminhamos mensagens de alerta aos amigos e familiares sobre os perigos do “jogo”, damos por encerrada a nossa parcela de culpa no resultado que o abandono emocional causa.

Então, viramos expectadores de uma tragédia anunciada e ainda acreditamos que a culpa está nos outros…

Já pensou que a “baleia azul” pode ter iniciado em você??

Ps: Eu ainda rio sozinha toda vez que vejo um fusca azul

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