Vinhos Doces também tem sua vez

Muita gente me pergunta: Você não gosta de vinhos doces, né?! Opa se gosto! O que eu não gosto são os vinhos com adição de açúcar que não vem da uva e acabam se tornando nossos conhecidos vinhos “suaves”.

Mas você sabe que além desses suaves – que no Brasil são geralmente elaborados com uvas de mesa e não vitis viníferas e tem adição de açúcar além do da própria uva – existem excepcionais vinhos doces para se conhecer? Essa doçura é natural, residual da própria fruta e tamanho é seu esplendor que costumeiramente são chamados de vinhos de contemplação.

Vou contar um pouco sobre alguns dos meus favoritos para vocês:

Colheita Tardia ou Late Harvest: Como o próprio nome diz, são vinhos elaborados com uvas colhidas tardiamente, após a colheita normal para espumantes, brancos e tintos. Esse “pouquinho” a mais proporciona a concentração dos açúcares a própria fruta e uma leve desidratação, ressaltando ainda mais os sabores. Esse da foto é o Floralis, um espanhol elaborado com a uva Moscatel de Alexandria pela Torres Espanha. Quem importa é a Devinum e tem excelente custo benefício.

Ah ! Essa garrafa dá um vaso lindo!!!!

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Tokajy (se diz Tokay): Reza a lenda que esse vinho, conhecido por muitos como “o vinho dos reis e o rei dos vinhos” nasceu em meados de 1650, quando os habitantes locais húngaros perderam a época da colheita, pois estavam abrigados protegendo-se dos turcos.Nesse período as uvas foram atacadas por um fungo comum na região, Botrytis Cinerea,  que produz efeito interessantes e características únicas no vinho. Esse processo é conhecido como podridão nobre. Normalmente o Tokajy é produzido com a uva Furmint (de pele fina, é mais suscetível ao ataque da botrytis). É um vinho excêntrico, único. Sua doçura é medida em puttonyos. Quando se deparar com um é bom saber o quanto de açúcar residual cada puttonyo representa e escolher o seu preferido:

3 puttonyos: Doce de 6% a 9% de açúcar residual.

4 puttonyos: 9% a 12%

5 puttonyos: até 15%

6 puttonyos: até 18%

Tokay Aszú Eszencia: mais de 18% de açúcar residual.

Tokay Eszencia: de 40% a 70%.

O da foto é o Tokajy Aszú Pendits, importado pela Decanter. A garrafa também é linda, lacrada com cera.

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Sautérnes: Impossível falar de vinhos de sobremesa sem falar sobre os sautérnes, essas joias francesas. Os sauternes podem ser elaborados com as uvas semillon, sauvignon blanc e muscadelle, que também sofrem o ataque da botrytis (esse funguinho é importantíssimo para determinados vinhos) e origina um dos vinhos doces mais elegantes do mundo.De cor dourada, com o envelhecimento chega até o tom de cobre. Possui aromas de frutas amarelas de caroço, uma acidez delicada e um algo que os torna inesquecíveis. Dentre os maiores produtores está o Chateau D’Yquem, esse da foto, que pode ser encontrado em algumas importadoras brasileiras. O preço é bem salgadinho, mas existem muitas opções de bons Sautérnes do mercado que vão ajudar a matar a curiosidade.

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Ficou com vontade de provar? Esse vinhos são ótimas companhias para doces em geral (especialmente com algo de caramelo) e a dica é privilegiar doces delicados como pudim ou creme brullé. Outra opção é harmonizá-los por contraste (meu jeito preferido de apreciá-los), acompanhando-os com foi gras, queijos azuis ou duros e com sabores bem intensos.

Até a próxima coluna, Keli Bergamo.

Ps. Quer saber mais sobre outro vinho doce incrível chamado Ice Wine? Clique aqui.

Ps2. As fotos são de Tracy Tupich

 

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