Vinhos Californianos

Califórnia dream, pra mim, tem um sentido diferente: Provar os muitos perfis dos vinhos californianos nas lindas paisagens que envolvem a região.

Logo atualizo esse roteiro e conto aqui para vocês, mas, por enquanto, vou falar um pouquinho sobre alguns vinhos californianos bem interessantes e fáceis de provar.

Ah! Primeiro vou contar que os americanos começaram a produzir vinho lá pelo Seculo XVIII com os missionários espanhois que utilizavam a bebida para celebrações religiosas. Tudo ia muito bem, até que a filoxera dizimou os vinhedos e, em seguida, a 18a Emenda de 1.920 proibiu a fabricação e o consumo de bebida alcoolica, o que durou até 1.933.

Durante este período, só produziam uns fortificados na clandestinidade e importavam alguns vinhos como remédio para stress o que não está errado né migues?

Mas foi na década de 60 que a indústria começou efetivamente a se consolidar. Alguns produtores começaram a investir pra valer e mostrar ao mundo que eram capazes de produzir bons vinhos. Um dos grandes responsáveis foi Robert Mondavi, que montou em 1966 sua primeira vinícola em Napa, depois Sonoma e Santa Cruz, voltando sua produção para qualidade.

Na década de 70 um grande episódio marcou o vinho californiano: O Julgamento de Paris e a partir daí os americanos entraram de vez no mercado mundial.

Mas os californianos tem um jeito bem próprio de fazer vinhos e alguns itens são icônicos: vinhos meio doces, madeira e um apreço especial pela zinfandel. Por isso vou dar algumas dicas de vinhos bem bacanas para conhecer um pouco sobre eles:

  • White Zinfandel: Não é white pra começar. Os americanos criaram esse estilo de vinho para elaboração de um rosé a partir da uva zinfandel e como um meio de popularizá-la. Tem um jeito muito especial de elaboração: após a fermentação do mosto e conversão do açúcar em álcool é adicionado um pouco do suco sem fermentação e este adoça o vinho, deixando ele levinho e adocicado. Os americanos o chamam de vinho de piquenique. Quem primeiro produziu o White Zinfandel foi o vinicultor Bob Trinchero, da vinícola Sutter Home. Hoje vários produtores tem seu próprio WZ e ele ainda é um dos mais consumidor no país.

Não é meu estilo favorito de vinho, mas aproveitei para fazer um Spriz bem levinho que ficou uma delícia:

Para reproduzi-lo você precisa:

  • Gelo
  • 75 ml de white zinfandel
  • Água tônica
  • Umas gotinhas ou uma rodela de limão
  • Uma flor ou ervinha aromática para perfumar ( eu usei lavanda).

Você acha White Zinfandel com facilidade das redes de supermercado estrangeiras como WallMart e Carrefour.

  • Fumé Blanc: A Sauvignon Blanc nunca foi das uvas mais apreciadas pelos americanos, mas, em meados da década de 60, Robert Mondavi – sim, ele foi O CARA – decidiu dar uma mãozinha para facilitar as coisas para esta casta tão deliciosa (falei sobre ela aqui).  Inicialmente, e para evitar a imagem negativa do nome da variedade ‘Sauvignon Blanc’, a Mondavi decidiu inventar outro nome para a variedade. Ele pegou a palavra francesa ‘Fumé’, referindo-se a um vapor ou substância semelhante a fumaça e também consagrou o nome de Pouilly-Fumé do Vale do Loire, e o francês para branco, como em ‘blanc’. Também envelheceu o vinho em carvalho – algo incomum para a Sauvignon Blanc – e logo conseguiu ganhar notoriedade.

Sempre disposto a colaborar com o vinho norte americano como um todo, Mondavi não registrou o nome Fumé Blanc para que outros também pudessem fazê-lo e o sucesso foi tanto que na legislação americana o termo fumé blanc está registrado como uva (mas é a Sauvignon Blanc). Isso pode induzir a erro o consumidor, pois há fumés que não estagiam em madeira. Dúvida? Confia no contra rótulo ou na ficha técnica do vinho.

Minha dica é esse aqui, do próprio Mondavi e de uma safra mais antiguinha. Está a venda por R$199,00 na Smart Buy Wines. 

 

  • Zinfandel: Os americanos tinham certeza que ela era nativa de lá, mas exames de DNA mostraram que ela é a mesma casta que a Primitivo, uva símbolo da Puglia na Itália. Os italianos ficaram felizões mas logo chegou a notícia de que, na verdade, ela é a mesma casta que a Cirlienack, originária da Croácia. Divergências a parte, a Zinfandel origina vinhos com frutas bem maduras, algumas vezes compotadas, e costuma ser um bom vinho para harmonizar com carnes com pouca gordura, massas de molhos com carne e com hambúrgueres. Quando procurar um para provar, veja se ele é da AVA (nos Estados Unidos não há classificação DO, DOC e DOCG, mas sim American Viticultural Areas) de Lodi, de onde vem os melhores exemplares. Minha dica é este, também da Smart Buy Wines, onde custa R$109,00.

 

Gostaram??

Até a próxima coluna, Keli Bergamo

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