A pergunta que não quer calar: Vinho bom é vinho caro?

Ao contrário de muitas questões do vinho que dependem de fatores subjetivos essa é uma pergunta que podemos responder taxativamente: NÃO!

Existem vinhos excelentes para diversas ocasiões e não apenas o preço deve ser observado na escolha.

Mas de onde vem o preço do vinho? Porque alguns custam tanto e outros são mais baratos?

Existem os custos de produção propriamente ditos e também os envolvidos no acondicionamento durante toda a cadeia de produção até sua distribuição. Existem ainda os impostos (que no Brasil são absurdos) e tudo isso interfere muito no preço final do produto.

Em cada uma dessas etapas temos fatores que agregam preço ao produto:

– Colheita manual x Colheita mecanizada: Em locais isolados, íngremes e pequenos a colheita só pode ser feita manualmente e a mão de obra humana encarece o produto, ao contrário da colheita mecanizada, que demanda um investimento inicial mas não safra a safra.

– Fermentação em inox x Madeira: A utilização de barricas de madeira demanda um investimento grande e de curto prazo (já que não possuem vida tão longa quanto do inox) e isso é repassado ao custo final do vinho.

–  Estágio de vinho em madeira: O custo de manutenção do envelhecimento do vinho em barricas de carvalho é alto e, por isso, os vinhos que estagiaram em madeira são mais caros.

– Embalagens e Vedantes : Tampas de roscas e garrafas ou embalagens mais simples são perfeitas para vinhos de consumo imediato e muito mais baratas do que garrafas de vidro pesadas e rolhas de cortiças, as quais são desnecessárias a vinhos sem capacidade de envelhecimento.

– Rendimento da produção: Custos fixos são divididos em maiores produções e isso diminui o valor final do vinho.

– Oferta e demanda: A regra é conhecida. Se tem muita procura, o preço aumenta.

– O custo da terra: Em regiões hipervalorizadas o custo do kg de uva também é mais alto e reflete no preço final do vinho.

Todos esses fatores interferem na qualidade do vinho? Não necessariamente, mas com certeza no estilo do produto: Vinhos jovens, de maior produção, tampa de rosca e custo mais baixos podem ser muito bons e são boas opções para o consumo imediato e para o dia a dia. Não é necessário um grande investimento para se surpreender com eles.

Já vinhos de regiões estreladas, estágio em madeira, rolhas de cortiça e com capacidade de guarda, por todos os fatores acima (aliados à fama), acabam sendo mais caros e por isso são recomendados para ocasiões especiais ou quando o bolso permite. Além disso, exigem maior cuidado com harmonização.

É bom lembrar que qualquer vinho, caro ou barato, pode ser decepcionante se mal acompanhado (por pessoas ou alimentos errados).

Deixe de lado os preconceitos e aprenda a gostar também dos vinhos mais econômicos, provando os rótulos menos conhecidos e saindo do comum.

Ah! Percebeu que eu falo em preço né? Porque o valor é você quem dá. Vinho bom e de valor é o que você gosta!

Até a próxima coluna, Keli Bergamo.

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2 comentários

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CAMILO MOLINO GUIDONI 4 de maio de 2017 - 11:31

Interessante colocação! Concordo: cada um escolhe o vinho que gosta!

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Keli Bergamo
Keli Bergamo 5 de maio de 2017 - 13:51

Sim!! E é sempre bom conhecer o tema para não se enganar diante da infinidade de rótulos. Abraço!

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