Vacinar…..Por quê?

Inevitável essa nossa conversa num momento tão crítico de “retorno” de patologias imunopreveníveis em nosso país. Doenças como Sarampo, Poliomielite e Varíola  me pareciam tão distantes mesmo eu tendo vinte e tantos anos de formada. Sempre pensamos nestas doenças como “doenças do passado” quando na realidade a questão é outra, elas estão controladas com a vacinação. Vivemos rodeados de microrganismos, muitos deles fazem até mesmo parte de nosso corpo, a famosa e atual microbiota, mas nem todos são “do bem” e estes só esperam uma oportunidade para, digamos assim, atacar. A baixa cobertura vacinal é essa oportunidade, é essa chance. Se deixa de existir o que chamamos de “imunidade de rebanho”, a doença volta.

“Imunidade de rebanho” é o nome dado à vacinação da maior parte de população, a tão almejada faixa dos 95% de cobertura vacinal. Com isso o vírus não consegue circular e acaba protegendo também aqueles que por algum motivo não podem se vacinar.

Sempre foi motivo de orgulho o esquema vacinal obrigatório nacional, o PNI (Programa Nacional de Imunização). Praticamente a “menina dos olhos “ da forte e engajada Sociedade Brasileira de Pediatria. Somos um exemplo para o mundo neste quesito. Não sabiam? Pois é, orgulho nacional. Mas não basta que ele exista, as vacinas sejam recomendadas e estejam disponíveis.

As coberturas vacinais despencaram nos últimos anos e especula-se que as causas sejam um conjunto e não apenas uma. E estamos todos envolvidos, quer seja individualmente quanto socialmente. É preciso vigiar ativamente as coberturas vacinais, alertar quando baixam, fazer mais campanhas tanto elucidativas como de chamamento da população. Ah, mas isso é função da Secretaria da Saúde! Sim, claro, mas a nossa função é colaborar para um bem comum, é nos informar com mais propriedade e atenção antes de repassar “fake news” que ao contrário do que imaginamos, podem trazer grandes danos.

Às vezes penso que nós, brasileiros, perdemos o respeito por essas doenças, as vemos mais como lendas urbanas do que com medo, pois as novas gerações (e não tão novas assim…) jamais conviveram com os danos em massa provocados por epidemias. Há uma falta de informação sobre o passado e as escolas têm um papel fundamental nesta orientação. Os pais por sua vez precisam ter responsabilidade pelos seus filhos e pela comunidade em que vivem. Quando se deixa de vacinar uma criança você a expõe a algo que pode lhe trazer danos para toda uma vida e essa exposição se amplia para todos os seus contatos. Uma reação em cadeia, uma tragédia anunciada.

Li esta frase de uma colega Virologista e a replicarei, pois é clara e consistente:

Vacinar-se não é questão de opinião, opção, nem um direito individual. É uma obrigação do cidadão.

“Somos responsáveis não apenas por nós mesmos. Somos responsáveis dentro do contexto de uma sociedade civil.

Essas doenças estão voltando porque o vírus encontrou gente não vacinada em seu caminho. Bora bloquear esse caminho. Temos tudo para isso.

Abraço,

Ana Paula Juliani.

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1 comentário

Camilo Molino Guidoni 1 de agosto de 2018 - 11:39

Parabéns Dra Ana Paula. Vacinar é valorizar a saúde pública.

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