Uso saudável das telas digitais em tempos de pandemia

Atire a primeira pedra quem nunca se questionou se anda exagerando nas telinhas ou que pais não se perderam nas orientações e determinações de tempo permitido para seus filhos usarem a rede.

Se antes essas dúvidas já existiam, quissá agora que estamos mais em casa, com as crianças e adolescentes sem aula e sem o amado e necessário convívio social.

Condescendente com essa situação vigente, a Sociedade Brasileira de Pediatria publicou uma “Nota de Alerta” e é sobre isso que vou falar com vocês hoje.

Diante da pandemia o uso do mundo digital oferece muitas alternativas de tecnologias ao alcance de quase todos.

Pais e filhos passaram a conviver muito mais tempo no mesmo espaço físico e isso tem mostrado novas construções comportamentais muito positivas mas, nem sempre. Problemas decorrentes do stress da reclusão e da carestia podem provocar transtornos de ansiedade, depressão e até mesmo violência psíquica e física. Estamos todos sofrendo, independente da faixa etária, cada qual a seu modo e intensidade.

Todos, sem exceção, já mudamos nossos comportamentos digitais. Alguns momentâneos e outros para sempre. Passou-se a usar o mundo digital quase de modo constante e com papel importante funcional e afetivo. Não nos enganemos, contudo, pois o mundo digital é um reflexo, um espelho da realidade com conteúdos de excelência e também de escória.

A Sociedade Brasileira de Pediatria acredita tratar-se de um momento importante para multiplicar o uso positivo e mais saudável da tecnologia e torná-la uma ferramenta singular na busca de soluções das limitações impostas por estes novos tempos.

A SBP sabiamente sugere:

  1. Tempo para a saúde:

Sono adequado para cada faixa etária pois o tempo para descanso se faz imperioso. Alimentação regular e o mais natural possível, a famosa “comida de verdade” sem excessos calóricos. Atividade física diária com exercícios e brincadeiras com movimentos ativos. Tudo isso para se manter uma rotina.

  1. Tempo para o relacionamento afetivo:

Elemento fundamental para tentarmos manter os laços de carinho e suprir a carestia do contato físico.

  1. Tempo funcional:

Este é o tempo para assistir aulas, fazer pesquisas, tarefas e varia com a faixa etária. O comprometimento da criança com as aulas online deve ser estimulado pois têm um impacto na saúde psíquica comportamental e no processo educacional. Isso sem falar na possibilidade de algum convívio com professores e colegas de sala.

  1. Tempo para a família:

É tempo de se conectar e, porque não dizer, se conhecer melhor. Se antes a falta de tempo não nos permitia brincar mais, conversar mais e criar novas formas de interação, este é o momento. Talvez seja este o tempo mais importante para pais e filhos, dividindo tarefas, reconhecendo habilidades e entendendo dificuldades individuais o que se concretiza no fortalecer a união familiar.

  1. Tempo para lazer:

Os jogos, filmes, aplicativos, redes sociais precisam ser sempre e antes avaliados conforme critérios etários e a permissão dos pais se faz necessária tanto no uso desta ferramenta bem como na estipulação de horário para tal atividade.

  1. Tempo para segurança:

Orientar sobre os perigos online, se informar sobre canais para denúncia e apoio em relação aos atos de violência.

Não é fácil não. A tentação de olhar o famigerado “aparelhinho” que mora ali ao lado não é só das crianças e adolescentes.

De fato as tecnologias não são perigosas apenas para as crianças e podem até mesmo afetar a relação entre pais e filhos. De um lado o adulto fica tão conectado à tecnologia quanto as crianças. Do outro lado a criança acaba imitando o seu comportamento. E aqui estamos nós, de novo, com a boa e velha premissa de que não são as nossas palavras que ensinam, mas sim os nossos comportamentos e ações.

Termino aqui pensando e deixando esse “cutucão na consciência” de cada um de nós.

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