Tentei pensar em diversos títulos para este texto. Até consegui formular alguns da qual me agradaram, mas conforme fui escrevendo sobre o assunto, percebi que eu poderia colocar qualquer complemento em forma de palavras no título, que o foco estaria apenas em uma: TRAIÇÃO. Decidi deixa-la sozinha.

Identifico o conceito de traição muito subjetivo, cada pessoa possui um olhar e um direcionamento para qual é o comportamento de trair. Por exemplo, algumas pessoas consideram a traição apenas ao ato consumado, outras à conversa, à busca ou até ao pensamento. Por isso que definir o que envolve a traição se torna complicado. Deixo em aberto para vocês, leitores, colocarem o seu conceito de traição.

A traição é uma situação muito dolorosa para quem foi traído. Traz à tona diversos sentimentos e pensamentos, causando uma turbulência nas emoções. Pensamentos como:

“O outro não me ama”

“Onde eu errei”

“O outro não presta”

“O outro não me merece”

“Eu não merecia isso”

“Eu não sou boa (bom) o suficiente”

“Sou horrível”… etc.

Entre outros pensamentos que desestabilizam a autoestima e a autoconfiança. A dor está na confiança que foi depositada na outra pessoa, e ela foi ameaçada com a decepção. Um juramento de exclusividade mútua, e sem o outro concordar, foi inserido uma terceira pessoa, obrigando a dividir a pessoa que amamos com outra da qual não fomos consultados.

Com a presença de sentimentos negativos, surgem diversas dúvidas:

“Será que eu continuo com a pessoa que me traiu?”

“É possível “perdoar”?”

“Vai acontecer novamente? Quem trai uma vez, trai duas?”

Então vamos por partes:

O QUE FAZER QUANDO A TRAIÇÃO É DESVENDADA

O primeiro passo é a conversa entre a pessoa que traiu e a pessoa traída. Uma conversa para identificar o que aconteceu nesse percurso do relacionamento, não para achar culpados, mas para tentar compreender e identificar qual é o objetivo dos dois, o que significou a traição para quem a cometeu, falar como se sentem nessa situação, expressar emoções, tentar identificar cada um o que querem, quais são suas vontades e reavaliar comportamentos e o próprio relacionamento.

Essa tarefa não é fácil, pois muitos sentimentos negativos poderão estar presentes.

De quem é a culpa?!

Focar apenas nela, em culpar o outro ou se culpar só vai dificultar mais esse processo. Cada contexto é singular, não podemos padronizar quem é culpado em uma traição. Logicamente quem traiu pode ter o seu erro pontuado, pois, mesmo se tem problemas com o outro, há a possibilidade de outros caminhos que não sejam a infidelidade, e isso é importante ser reconhecido pelo traidor, para que entenda os sentimentos da pessoa traída, e consiga lidar melhor com essa situação, que pode ser muito desgastante e sofrida.

Nem sempre o casal consegue ter essa conversa sem mágoas. Ela é muito difícil, mas importante. Em muitos casos, a procura de um terapeuta de casal pode ajudá-los.

UMA VEZ INFIEL, SEMPRE INFIEL?

Não necessariamente, irá depender de cada pessoa, pois não podemos esquecer que cada um é único e possui as suas caraterísticas.

Trair pode estar associado a infelicidade do relacionamento, uma característica da pessoa ou até um descontrole emocional. O que levou a trair que irá influenciar se a traição pode não acontecer mais ou que continuará presente.

Também as consequências futuras estarão influenciando nisto, pois uma traição sem consequências negativas para o traídor, poderá manter este comportamento.

É POSSIVEL PERDOAR?

Identificando o que a pessoa traída pretende, se vale a pena insistir e enfrentar esse desconforto que a traição ocasionou.

É possível continuar com o mesmo relacionamento, reconstruindo a confiança e a intimidade, mas pode ser um processo lento e um pouco sofrido, pois o pesadelo da traição pode persistir por algum tempo, com sentimentos de humilhação, raiva, rejeição entre outros que acabam incomodando por um tempo. Mas quando o casal juntos conversam, estabelecem mudanças, compreendem o lado de cada um e investem nessa reconstrução, é possível sim superar a traição.

Superar não significa não lembrar ou fingir que não aconteceu, pois o que aconteceu não tem como ser apagado da história, mas não trazer todo o sofrimento vivenciado sempre que houver a lembrança.

“Deixar para lá” e se calar pode não ser o melhor caminho, pois o assunto e os sentimentos irão reaparecer em momentos que o casal não estão bem, atrapalhando de resolver problemas futuros que não possuem relação com a traição acontecida.

Uma traição não acontece apenas quando esgotou as possibilidades entre o casal, ou quando não existe mais o amor. São diversos os motivos, podendo ser uma vingança, raiva, carência, vício sexual, compulsão, auto sabotagem, conflito pessoal que estão também relacionados com a cultura e a educação de cada um.

Para a pessoa que foi traída identificar se é possível perdoar e superar, é essencial avaliar seus valores e prioridades. Para isso requer um autoconhecimento, e pode precisar da ajuda de um psicólogo.

Tudo dependerá de como cada um individualmente irá se sentir, se expressar e quais serão as suas vontades. Aprender com os erros e batalhar para uma mudança pode proporcionar um crescimento para o casal, como também cada um seguir seu caminho com suas necessidades e limitações.

Abraços,

Adriana Visioli

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1 comentário

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Sara Chaves 21 de julho de 2018 - 12:30

“Será que eu continuo com a pessoa que me traiu?”
“É possível “perdoar”?”
Olá Adriana, sobre esta questão acima, meu marido me largou com 4 meses de gravidez, e logo depois descobri que fui traída, fui ao fundo do poço, minha vida tinha acabado ali, mas resumindo, depois de 8 anos voltamos a nos relacionar, eu o perdoei, pois muita coisa mudou nestes 8 anos, somos pessoas completamente diferentes e mais maduras.
Beijos!

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