Combate ao trabalho escravo na moda

Trabalho Escravo x Moda. Qual a relação?

Dia 28/01 foi “Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo” e nada mais justo e plausível do que falar sobre esse assunto tão polêmico.

Já venho refletindo há algum tempo sobre o assunto, ainda mais em tempos de tantas mudanças e lutas para o bem do mundo… vegetarianismo, veganismo, feminismo e muitos outros “ismos” tão positivos. E porque não plantarmos mais uma sementinha?

Que o consumo no mundo tem crescido absurdamente, todo mundo já sabe, né?

Para você ter ideia, estima-se que, em 2021, mesmo com incertezas em relação à pandemia, a indústria têxtil no Brasil alcance 2,09 milhões de toneladas e 5,81 bilhões de peças. No entanto, quando falamos do consumo exacerbado de algo, consequentemente temos que pensar que a produção desses produtos gera um impacto, não somente ambiental, mas também cultural e humano.

Pode parecer distante da nossa realidade mas, no Brasil, o setor têxtil é o segundo segmento no ranking da escravidão. E não, não estou falando de pessoas presas a correntes. Estou falando de trabalhos forçados, pessoas mal remuneradas, jornadas de trabalho absurdas, dependência por dívida, mão de obra infantil e por aí vai…

De acordo com a OIT (Organização Internacional do Trabalho), estima-se que 170 milhões de crianças estejam envolvidas em trabalho infantil no mundo. Muitas dessas crianças trabalham dentro da cadeia de suprimentos de moda, fazendo os têxteis e roupas para satisfazer a demanda dos consumidores na Europa, nos EUA e outros e, embora a situação esteja melhorando, as estimativas da OIT sugerem que 11% das crianças do mundo vivam em situações que as privam do direito de ir à escola sem a interferência do trabalho.

Imagem: www.nytimes.com/

O Brasil soma 38 marcas de moda envolvidas com trabalho escravo e, de acordo com dados do Ministério Público do Trabalho, somente em 2018 houve mais de 800 denúncias contra empresas de moda. E sabe o que é pior? Muitas marcas tentam fazer a “Cátia cega” e se eximir da responsabilidade, já que usam o argumento da terceirização de mão de obra, porém, é de responsabilidade da marca cuidar de todo o processo e cabe a nós, consumidores, fiscalizarmos e repensarmos o consumo.

​Aí você pode achar que somente marcas Fast Fashion como Renner, Zara (que inclusive já foi denunciada) ou de produtos “baratos” fazem parte disso tudo, mas não. Marcas famosas como Le Lis Blanc, M. Officer e, recentemente, Animale e Amissima, foram denunciadas e estão respondendo processo ou “se adequando positivamente”.

Desde que começou a receber denúncias, o Ministério Público do Trabalho tem intensificado a conscientização com o objetivo de erradicar o trabalho escravo no setor têxtil. Uma das principais iniciativas é o Projeto #NãoSomosEscravosDaModa, que teve inicio em Outubro/2018 a fim de envolver o consumidor na cobrança por mais transparência das empresas em relação a toda sua cadeia.

E como posso saber se a marca está ok?

Uma boa ajuda pode vir do Moda Livre, um aplicativo lançado em 2013 com objetivo de divulgar as medidas que as principais marcas e varejistas de roupas do país vêm tomando para evitar que as peças vendidas a seus clientes sejam produzidas por trabalho escravo.

Atualmente, o app conta com 123 marcas avaliadas, todas convidadas a responder um questionário que se baseia em quatro indicadores: políticas, monitoramento, transparência e histórico. Com base nas respostas as empresas receberam uma pontuação que as classifica em três categorias: verde, amarelo e vermelho.

Outras fontes bem legais de pesquisa são sites dos movimentos #SomosLivres, #WalkFree e Fashion Revolution.

Sobre o Fashion Revolution

O movimento surgiu depois do desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, em 24 de abril de 2013, que causou a morte de 1.134 trabalhadores da indústria de confecção que trabalhavam para marcas globais, em condições análogas à escravidão.

No Brasil, o Fashion Revolution, lançado em 2014, além de promover campanhas muito incríveis de conscientização, lança todo ano o relatório “Índice de Transparência da Moda Brasil” para analisar que medidas grandes marcas e varejistas de moda estão comunicando ao público sobre suas cadeias produtivas – e incentivar uma maior prestação de contas em relação aos impactos socioambientais do setor. Para baixar o relatório completo de 2020 é só clicar AQUI.

Outra grande iniciativa deles é a #Quemfezminhasroupas movimento que visa a conscientização e pesquisa do que acontece por trás do que vestimos. Inclusive, o vídeo abaixo é sensacional e forte.

E o que mais posso fazer para ajudar?

  •  Pesquisar muito sobre a marca;
  • Cobrar que empresas se posicionem e sejam mais transparentes;
  • Apoiar pequenas empresas e mão de obra local;
  • Consumir de maneira mais consciente;

Questione, repense, denuncie. Isso também é responsabilidade nossa!

E aí, consegui plantar a sementinha da conscientização?

Beijos, Fran Vitorino.

Fontes de pesquisa:

https://labs.theguardian.com/unicef-child-labour/
https://www.fashionrevolution.org/brazil-blog/transparencia-e-tendencia-indice-de-transparencia-da-moda-brasil/
https://revistamarieclaire.globo.com/Moda/noticia/2017/10/o-trabalho-escravo-na-moda.html
https://reporterbrasil.org.br/
http://portal.mpt.mp.br/wps/portal/portal_mpt/mpt/ompt/

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