Sobre tijolos na rua.

Hoje ao sair de casa tivemos que desviar um ou dois tijolos que estavam depositados ali, no meio da rua.

Pude perceber um amontoado de meninos conversando e gesticulando, um com uma bola na mão, o outro segurando dois tijolos; com o imprevisto de um carro vindo para atravessar o “campo” deles, se ocuparam de tirar os tijolos de um lado, do outro não!

Lembro de ter comentado: “vai dizer o que né!? Eu também fazia isso. ”

Nesse instante, percebi o quão patéticos os adultos são. A maioria de nós já brincou na rua, marcando traves com chinelos ou tijolos e infelizmente agora adultos, a maioria de nós também ficaria irritado por ter que desviar tijolos. 
Isso me remeteu à minha infância. Quanta coisa eu aprontei que hoje me deixaria furiosa.
Fico apavorada quando meu sobrinho sobe em alguma cadeira, mas eu adorava me equilibrar sobre muros. Quando o menino fica comigo, não o deixo descalço um minuto sequer, mas lembro de deixar a “tampa do dedão” no asfalto por jogar “três cantos” .

Lembrei também de um vizinho da minha avó que ficava furioso quando brincávamos na rua, cada chute na bola era uma besteira que ele resmungava e quando a bola se perdia para o lado da casa dele nos sentíamos em uma “missão impossível” para recuperá-la.

Todos queríamos liberdade para correr descalços, comer “flores doces” ou as “azedinhas” de qualquer gramado que fosse.  Corríamos na chuva e subíamos em árvores, e agora adultos, tratamos nossas crianças como se fossem altamente controláveis.

Mas aí eu me dei conta: minha infância foi tão incrível que me permitiu decidir não ser uma adulta hipócrita a ponto de privar nenhuma criança de ser simplesmente criança.

Assim, quando eu vejo tijolos na rua eu simplesmente desvio – e sorrio.

;*

@jannacamposp

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