Sobre Carnaval e outras esperas para o samba

Oi pessoas lindas, meu nome é Janaina, sou uma advogada balzaquiana, com a curiosidade de que ainda precisa conhecer o mundo e a cada quinzena abordarei temas que gosto e que acho que poderá agregar alguma ideia nova ao seu cotidiano, contando um pouco de minhas aspirações, sobre o que me inspira e também sobre o que ‘pira’.

Para inaugurar essa coluna de uma maneira bem leve, começo com um texto tentando trazer cada um de vocês um pouco para meu mundo particular… Espero que leiam, saboreiem e voltem sempre para ver o que escreverei com muito carinho.

Sobre Carnaval e outras esperas para o samba

A triste realidade do mundo é a de que vivemos uma constante espera, a patética mania de precisar de uma data pré-estabelecida para ‘viver intensamente’. Estamos imersos numa rotina sequencial de datas comemorativas e na terrível espera delas para fazer algo espetacular.

Esperamos o réveillon para ‘prometermos’ uma rotina mais socialmente aceitável com exercícios e dietas comercialmente saudáveis, afinal logo vem o carnaval e queremos estar com os corpos sarados para sambar. Depois, esperamos a páscoa para finalmente comer chocolate sem culpa e o dia das mães para dizer que “a minha mãe é a melhor do mundo” sem medo de ser clichê.

Esperamos o dia dos namorados para dizer eu te amo e quem sabe mandar flores. Depois, esperamos o dia dos pais para repetir a cena com a frase “eu tenho melhor pai do mundo”.

Eis que lá vem o dia das crianças e nos permitimos lembrar que nossa infância foi sim muito divertida e depois, esperamos o natal para reunir a família e ops, já tem réveillon de novo.

Usamos desculpas para abraçar, para brindar, para comemorar. Penso que o ser humano acostumou-se tanto às regras cronológicas que se esqueceu de viver.

Se há algum ‘pitaco’ que eu possa dar na vida de alguém, é: “não planeje tanto, não espere muito tempo e nem economize as suas “melhores coisas”.

Não se trata, no entanto, de viver de forma irracional e descontrolada, não me refiro a planejamento econômico e muito menos a desconsiderar o futuro, mas sim ao fato de viver de maneira leve e não seguir os ditames de um calendário.

Nada de guardar para as visitas os melhores lençóis, louças e pratarias; as pessoas mais especiais dividirão o seu dia a dia com você. E se morar sozinho, porque não desfrutar do seu melhor lençol e usar a sua melhor louça consigo mesmo? Porque guardar aquela receita especial para executar sabe-se lá quando, para sabe-se lá quem?

Eu faço brigadeiro para mim mesma e como sorvete antes do almoço, que às vezes é pipoca. Os brigadeiros, enrolo e passo no granulado e ainda uso forminhas. E por que não? Não preciso de festa de aniversário para suprimir o uso da colher. Alguém diria que é perda de tempo, e eu digo que é uso de vida!

Já ouvi questionamentos acerca de qual seria o segredo de estar sempre sorrindo e posso afirmar veementemente que o segredo é justamente o oposto do que a maioria espera: não existe segredo.

O que existe é uma opção, na qual se decide “gastar” a vida e não a economizar, na qual o samba acontece todo dia e não apenas no carnaval, onde os banhos de chuva se estendem para depois da infância, onde se decide que é mais interessante e compensador “viver, e não ter a vergonha de ser feliz”

Falei de carnaval… a desculpa imperativa da maioria pra protelar as coisas é de que “o ano só começa agora, depois do carnaval”. Já percebeu quanta coisa se passou? Quanta vida se perdeu?

Eis que vos digo, meu amigo, a vida é um sopro no tempo. Passa tão depressa que não devemos ter pressa, tampouco ser espera. Há que se ter um descompasso com os carnavais predeterminados, porque o samba tem muitos ritmos por trás da batida que estamos condicionados a ouvir.

Não esperar um motivo para abraçar a vida e as pessoas, para recebe-la do jeitinho que ela é, somando as glórias e desarranjos, porque sim, eles também rendem boas e divertidas histórias.

Ai, a vida é tão boa que não precisamos ter medo de se perder nos dias ‘de coisa alguma’, afinal já bem disse Gonzaguinha, “há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo, é uma gota, é um tempo que nem dá um segundo”.

Então bora viver, porque “ninguém quer a morte, só saúde e sorte”.

😉

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2 comentários

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Carolina 15 de fevereiro de 2016 - 21:09

Exato!!!! Aquela velha máxima… Pq deixar para amanhã o que se pode fazer hoje… Ainda faço uma alteração: pq deixar para amanhã o que se pode viver hoje!!!!

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Paulo Babinski 16 de fevereiro de 2016 - 14:32

Parabéns Janaína. Ótima reflexão!

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