Ano novo, vida nova… e menos crises!

A crise na vida sexual do casal se apresenta por diversas razões, podendo ser algo externo ao relacionamento, como por exemplo, uma dificuldade em administrar problemas profissionais, estresse, como também pode ser problemas com o próprio relacionamento, falta de comunicação ou uma comunicação inadequada, brigas excessivas, ausência de intimidade e envolvimento afetivo. Não podemos descartar as questões individuais, história de vida, vivências e conceitos estabelecidos ao longo do desenvolvimento, discordâncias entre vontades, fantasias, frequência, disfunções sexuais entre vários outros motivos que são capazes de refletir na vida sexual desse casal.

Mas com tudo isso, o que fazer?!

Em primeiro lugar, um bom diálogo entre o casal é necessário para cada um expor sua percepção, sentimentos, vontades e afins, para que no primeiro momento seja exposto o lado de cada um, e com isso, tentarem encontrar meios para amenizar os conflitos. Nesse diálogo, não pode estar presentes ofensas, agressões verbais e ataques ao outro, como se a “culpa” fosse apenas da outra pessoa, mas cada um colocando o seu ponto de vista, tentando compreender que ali existe um problema, mas que este problema pode ser solucionado desde que os dois consigam falar, escutar e definirem o que podem fazer para amenizar o conflito. Um acordo entre o casal é muito importante. Nem sempre conseguem sozinhos ter essa conversa de modo a melhorar. Na minha percepção o que mais acontece, é quando um não está disposto a esta conversa, ou há “ataques” na forma de expressar, sem compreensão da fala do outro, entre outras atitudes negativas dificultando um entendimento, fugindo do objetivo inicial desse diálogo, podendo acrescentar mais um problema ao invés de resolvê-lo.

Quando o casal percebe que sozinhos este conversa poderá piorar, a busca por um psicoterapeuta de casal pode ser muito importante neste auxílio de reorganização dos problemas e as possíveis e supostas soluções.

Há uma preocupação muito grande com o percentual de divórcios, e um dos assuntos presentes é a discordância sexual. Em meu consultório, os relatos mais frequentes sobre essa discordância é pouca frequência do ato sexual, relacionamento tedioso e sexo chato, relações extraconjugais, prazer visto como pecado, negação de sexo como vingança do comportamento do outro, sexo apenas como barganha para algum benefício imediato, filhos, desconforto com o próprio corpo, outras prioridades, dificuldades em habilidades sexuais e disfunções (anorgasmia, ejaculação precoce, disfunção erétil, vaginismo, dispareunia entre outros).

Algumas disfunções acabam aterrorizando o sexo, como por exemplo a ejaculação precoce. Qualquer dificuldade, seja ela a curto ou a longo prazo, será um obstáculo para se obter uma vida sexual plena, dificultando o entrosamento do casal, e assim, intensificando uma crise na vida sexual refletindo em todos os contextos na vida da pessoa.

Saber como manter um relacionamento em situações de crise não é uma tarefa muito fácil, mas é possível, desde que os dois identifiquem este problema e entram em um acordo do que podem fazer para melhorar.

Vou dar algumas dicas para iniciar esse novo ano com perspectivas melhores para o casal e para o sexo:

1 – Comunicar-se.

Uma boa comunicação é de extrema importância para uma boa qualidade no relacionamento, que irá refletir na relação sexual. Comunique-se sobre o que gosta, como gosta, o que não gosta e o que poderia ser diferente. Pergunte ao outro o que pode melhorar, dê espaço para a outra pessoa falar e expor opiniões, mesmo que algumas sejam críticas, mas que sejam sempre com um único objetivo, melhorar! AH… e não esqueça, falar do que está bom também precisa estar incluso nestas conversas, reforce sempre.

2 – Refúgio.

De vez em quando, interrompa a rotina e busque um refúgio para os dois que seja tranquilo, harmonioso e que o casal consiga interagir com mais intimidade.

3 – Intimidade fora da cama e no sexo.

Não restrinja os beijos, abraços e carícias apenas na hora do sexo. Invista nesses atos no dia a dia, e intensifique no ato sexual. Abuse da intimidade com o outro, procurando saber o que o outro gosta no sexo, preferências, posição, fantasias… Lembre que o prazer da outra pessoa pode refletir para aumentar o seu prazer.  Na comunicação compartilhem as fantasias e vontades, falem sobre sexo.

4 – Auto-conhecimento.

Conheça o seu corpo, busque identificar onde os toque são agradáveis, como são esses toques e percepção de sensações. Conheça as áreas erógenas, o seu órgão sexual e tudo o que te promove prazer. Busque identificar o que agrada visualmente, o comportamento do outro, o que faz pensar em sexo e instigar o desejo sexual.

5 – Erotizar.

Busque identificar o erótico, o que promove pensamentos sobre sexo, fantasias e vontades. O erótico nem sempre é o sexo explícito, pode ser um comportamento, uma roupa, uma jeito de falar, uma leitura, filme ou qualquer outra coisa que sirva como um estímulo para o desejo sexual. Compartilhe o erótico com a outra pessoa, isto poderá alimentar o seu desejo e desperta-lo no outro.

6 – Curtir.

Aproveita, sinta e curta mais o momento. Brincar e extravasar na hora do sexo pode tornar o momento muito mais prazeroso. Cada um com o seu limite, mas elimine tantas regras e barreiras, e deixe as sensações surgirem. Entre no clima sexual.

7 – Concentração.

Se concentrar no momento do sexo, deixando de lado preocupações, outras responsabilidades, compromissos e focar apenas nas sensações prazerosas que aquele momento está proporcionando.

8 – Harmonia.

Um relacionamento harmonioso pode promover muito mais vontade de sexo, pois quando os dois estão bem um com o outro, ambos ficarão muito mais acessíveis para o envolvimento sexual. Investir nesta harmonia pode valer a pena!

9 – Sedução.

Seduzir com um olhar, uma atitude, uma forma de se vestir ou preparar um ambiente propício ao sexo. Pequenas atitudes podem fazer grandes diferenças para o prazer.

10 – Auto-estima

Estar bem consigo e com o próprio corpo é muito importante e reflete significativamente na hora do sexo.

11 – Identificar dificuldades.

Identificar qualquer dificuldade, do relacionamento e/ou do sexo e estar aberto a uma ajuda profissional. Evitar mais desgastes procurando um psicoterapeuta de casal ou um psicoterapeuta sexual que poderá ajudar a encontrar uma satisfação que há algum tempo pode ter sido deixada de lado. Resgatar um bem-estar e uma harmonia, não apenas com a/o parceira/o, mas também consigo.

O sexo está em crise? Está na hora de dar mais importância ao assunto, conversar e buscar alternativas para melhorar, e tudo isso entre o casal, sempre em comum acordo. Conversem, troquem percepções sobre o que está acontecendo e deem um passo para vivenciar melhor este momento que pode ser muito mais prazeroso, só depende de vocês!

Forte abraço, Adriana Visioli.

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