SEXO E DOR: COMBINAÇÃO IMPERFEITA

Relatos de mulheres que sentem dor durante a penetração peniana é muito frequente. Muitas mulheres ficam anos carregando esse sofrimento, não compartilham com o parceiro ou ele não compreende e respeita essa dor que a mulher está sentindo. Algumas se submetem a continuar com o sexo mesmo com a dor, outras interrompem a vida sexual, algumas nem iniciam… vamos entender mais sobre isso?

Estarei falando sobre vaginismo e dispareunia, são duas disfunções sexuais que provocam essa dor na mulher ao falarmos de sexo.

O vaginismo é caracterizado pela contração involuntária (espasmos) dos músculos do assoalho pélvico e do orifício da vagina (se encontra abaixo do orifício da uretra), gerando uma dificuldade na penetração, muita dor e impedindo que aconteça a penetração.

Este problema feminino pode acarretar em um sofrimento muito grande para a mulher, e consequentemente refletirá em dificuldades no relacionamento.

Me deparo com casais que não expõem o problema, não conversam ou mostram uma compreensão pelo que está acontecendo, desenvolvendo sentimentos de raiva, culpa, frustração, rejeição e diversos desentendimentos que provocam um distanciamento deste casal. Começam a surgir cobranças, tentativas negativas, insistências que apenas irão intensificar esse sofrimento.

As causas para o vaginismo são multifatoriais, agindo involuntariamente, ou seja, a contração não surge porque a mulher quer, mas como uma autodefesa para essa mulher em qualquer situação que pode ser ameaçadora, como uma penetração, a ida ao ginecologista e a realização de exames, a utilização de absorvente internos… Como a nossa sexualidade é construída ao longo do nosso desenvolvimento, o vaginismo aparecerá em decorrência dessa trajetória, podendo ser primário (desde o início da vida sexual) ou secundário (antes tinha uma atividade sexual sem dor, e por um momento esta dor se tornou presente).

A dispareunia é uma outra disfunção sexual feminina a qual ela consegue ser penetrada, porém sente dor. Esta dor se apresenta em forma de ardência e queimação na entrada da vagina e/ou no canal vaginal. As causas podem ser orgânicas, como uma falta de lubrificação vaginal (na menopausa, por exemplo), infecções, algumas cicatrizes, entre outros motivos que é importante averiguar consultando um médico ginecologista.

Porém as causas também podem ser emocionais (psicogênicas), e nesse caso indica-se a Terapia Sexual. É muito importante que o profissional (médico ou psicólogo) seja treinado para trabalhar com estas disfunções sexuais a fim de realizar o processo terapêutico de modo adequado.

Muitas mulheres sofrem caladas, inclusive dos seus parceiros, que possuem dor durante a penetração, mantendo o ato sexual por diversos motivos, seja pelo medo da perda, traição, julgamento, entre outros conflitos que a dificuldade na vida sexual do casal pode cometer caso ambos não possuem uma compreensão do que está acontecendo e procurar ajuda profissional.

Em muitos casos, demoram muito para procurar essa ajuda ou até mesmo se dizem “aceitar” a situação e não vão atrás de tratamento. Mas sempre questiono o que é essa “aceitação” da dor, e da intensidade de sofrimento que isto acarreta para esta mulher.

Quanto mais tempo esta dificuldade ficará presente, maior será a intensidade da dor e de estados emocionais conflituosos. A mulher precisa se conscientizar do problema, compartilhar com o parceiro e querer melhorar (ter uma vida sexual sem dor e com prazer) buscando assim profissionais especializados.

Em muitos casos, em que no início da dispareunia existia desejo sexual, prazer e até o orgasmo, o sexo pode ir se tornando aversivo, até chegar ao ponto em que nem o desejo estará presente.

Tanto a dispareunia como o vagismo, provocam um sofrimento muito grande para a mulher e para o casal. Por mais que a dor estará concentrada na mulher, a dificuldade é do casal, sendo este o motivo da importância dos dois buscar essa ajuda juntos.

Existe tratamento e perspectiva de melhora. A Terapia Sexual pode ser um tratamento bem sucedido quando falamos em disfunções sexuais de ordem psicogênica (obviamente existe a variável do quanto a mulher e/ou casal estarão engajados ao tratamento), abordando técnicas de auto conhecimento e auto estima, exercícios do assoalho pélvico, relaxamento, como também a ampliação do canal de comunicação entre o casal e a melhora da interação dentro do relacionamento. Associando com a Terapia Sexual, pode-se conciliar a fisioterapia uroginecológica, se tornando eficaz para o processo de melhora.

Qualquer desconforto no sexo não precisa ser levado adiante. Converse com um profissional especialista, tire dúvidas e prossiga com o tratamento. Sentir dor no sexo não é normal, a normalidade está no prazer e na felicidade que o mesmo promove.

Abraços,

Adriana Visioli

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