Fica quieta que eu estou falando!!!!

Você já ouviu esta frase?

Três em cada cinco mulheres ouviram esta ou semelhante frase, sofreram, sofrem ou sofrerão violência em um relacionamento afetivo no Brasil. Este é um alarmante dado da ONU.

Atualmente, viramos expectadores de uma relação extremamente abusiva entre dois participantes de um reality show e não há nada a se fazer, pois a emissora “deixou nas mãos” da participante a prerrogativa de esta denunciar ou não o seu opressor.

A omissão da emissora, quando preferiu transferir a responsabilidade da denúncia exclusivamente à participante, reforça em rede nacional – já que se trata de televisão aberta – a velha máxima de que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”.

Erroneamente esse posicionamento omisso, reforça a visão deturpada de que relacionamento abusivo é uma simples briga de casal e que o relacionamento abusivo só se configura quando há agressão física.

No entanto existem inúmeras formas de agressão que não costumam ser identificadas como violência doméstica, e a maioria das vítimas se mantém no relacionamento por não enxergar uma saída.

Ciúme excessivo, controle, transferência de culpa e comportamento agressivo são algumas características de agressões que não deixam feridas aparentes, viram cicatrizes invisíveis da violências psicológica, moral e patrimonial.

Segundo a Lei Maria da Penha, a violência doméstica é:

Qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial.

No entanto, um relacionamento abusivo cala e aprisiona. Assim, a mulher não se dá conta das diferentes violências que podem permear a relação.

Este é um trágico reflexo histórico, visto que por muitos anos, esses abusos eram aceitos pela sociedade sem questionamentos, já que mulheres deviam ser submissas aos seus parceiros, refletindo dramaticamente no velho argumento misógino que culpabiliza a mulher pela violência sofrida por ela.

Não existem estatísticas exatas sobre relacionamentos abusivos, mas sabe-se que a agressão psicológica é a porta de entrada para a violência física. Muitas abrem mão de sonhos, carreiras, ciclo social, e até mesmo de sua identidade, passando a acreditar que aquele tipo de relacionamento é normal.

Tem muitas mulheres que nunca levaram um tapa sequer, mas carregam surras na alma e carregam marcas que não vemos, mas que doem mais do que podemos imaginar. Resumindo, a mulher é convencida de que a culpa é dela, que é ela quem tem que mudar para salvar o relacionamento e a sociedade, expectadora desse drama, acha que é só “fogo no parquinho”.

relacionamento abusivo 1Até quando?

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LIGUE 180 A Central de Atendimento à Mulher funciona 24 horas por dia, recebendo ligações de qualquer lugar do país, para fornecer informações e encaminhar denúncias. A ligação é gratuita de telefone fixo ou celular.

Sugestão de leitura:

http://annualreport.unwomen.org/en/2016

Violência doméstica e familiar contra a mulher


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