CAFÉ – O OURO NEGRO!!!

São quase 2 milênios de história, um longo caminho percorrido. Importante elo de conexão de diferentes povos e ainda demonstra sua força ao desempenhar papel social, econômico e cultural em grande parte da população mundial. Muito tempo depois da sua descoberta, o café ainda é um meio de subsistência para milhos de pessoas em todo o mundo.

Ninguém sabe ao certo quando e quem descobriu o café. Mas é sabido que a planta do café, o cafeeiro, tem origem nas florestas situadas nas florestas da Etiópia, próximo com a fronteira da Eritreia, ao norte.

O fruto silvestre inicialmente era consumido in natura ou moídos com banha, para servir de alimento energético para as tribos locais, principalmente durante suas viagens. Algum tempo depois, os nativos começaram a ferver as folhas da planta com água, preparando um chá fraco, mas com propriedades revigorantes.

cafe etiópia

Somente no século XV que os grãos do café foram torrados pela primeira vez, liberando um agradável aroma, fazendo com que os responsáveis pela torra moessem esses grãos torrados e misturassem o pó com água, produzindo a bebida que hoje conhecemos como CAFÉ.

Fato é que foram os árabes os responsáveis pelo domínio das técnicas de plantio e de preparo do café, e com seu tino comercial, perceberam o grande potencial da bebida derivada do grão. A planta do café chegou até eles através dos etíopes que ocuparam o Iêmen, sudoeste da Península Arábica, no século VI. O porto de Mokha foi a porta de entrada do café no continente, onde começou a ser cultivado.

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A civilização árabe teve papel fundamental na cultura do café, começando pelo nome do grão/bebida. Historiadores relatam que a palavra café deriva de KAWHA, que em árabe significa vinho. Coincidentemente a cultura do café se desenvolveu com o nascimento e expansão do Islã. No islamismo é proibido o consumo de qualquer bebida alcoólica. Esta lei fez com que o café substituísse o Kawha (vinho), passando a ser chamado assim pelos islâmicos.

Em pouco tempo, o hábito de beber café expandiu-se para além do âmbito religioso e passou a fazer parte do cotidiano das pessoas, consumido por todas as classes sociais.

Por volta do ano de 1300 o café começou a sua expansão em direção ao Ocidente, pelos otomanos. Mas foi no ano de 1450 que essa bebida foi introduzida em Meca, cidade sagrada dos muçulmanos, os quais foram os responsáveis pelo surgimento do primeiro estabelecimento de servir café: o KIVA HAM. Nas cafeterias que surgiram, era permitido conversar sobre assuntos do dia a dia, era local de encontro de artistas que conversavam sobre suas criações, local para ouvir música e era onde as informações sobre o império eram repassadas e debatidas.

Com a expansão da fama do café, as autoridades do império passaram a protegem o grão, pois tratava-se de um produto valioso, e não queriam que outros povos o cultivassem. Pela lei otomana, somente era permitido sair das fronteiras do império os grãos torrado, que não poderiam ser semeados. Quem fosse pego contrabandeando café poderia sofrer pena de morte.

Dos portos do Mediterrâneo e suas conexões comerciais com o Oriente, o café chegou a Europa, Ásia e África. No continente europeu, esse grão chegou em 1615 através do porto de Veneza, na Itália, a qual tinha relações comerciais com os turcos e que se tornara um grande centro de especiarias e artigos de luxo.

Em 1666, surgiu o primeiro café da Holanda, em Amsterdã. Em 1670, os cafés chegaram à Alemanha. Em 1687, o primeiro lugar a servir a bebida escura em Viena, na Áustria, foi o Blue Flask.

Em 1720 foi inaugurado o primeiro café de Veneza, o Florian, que tem duas portas abertas até os dias de hoje na Praça São Marcos. Nos anos seguinte, muitos estabelecimentos deste tipo foram abertos na cidade, e havia uma distinção entre eles: alguns era destinados a comerciantes e visitantes estrangeiros e outros destinados a atender à nobreza da cidade, que não gostavam de se misturar com burgueses e forasteiros.

café florian
Café Florian, Veneza

Os cafés também foram importantes para a França e a Inglaterra. O primeiro café público aberto na Europa Ocidental foi em 1650, em Oxford, na Inglaterra, mas foi em Londres que surgiu o primeiro grande café, o Pasqua Rosée, em 1652. No início do século XIX, Londres contabilizou 2 mil estabelecimentos dedicados ao café. Porém, em meados do século XIX, com o desenvolvimento da cultura do chá nas colônias britânicas, o café começou a perder seu prestígio.

Antigo café Pasqua RosèeAntigo café Pasqua Rosée, Londres

Na Paris de 1688, foi inaugurado o famoso e mais importante café francês, o Procope, onde se reuniam atores, dramaturgos e músicos. Atualmente, o estabelecimento funciona como um restaurante, que ainda mantém algumas características dos antigos café europeus.

Café Procope, ParisCafé Procope, Paris

Entre os séculos XVIII e XIX, os cafés se espalharam por toda a Europa. Na França, eles desempenharam papel importante na vida operária. Em Viena, eram ligados à vida intelectual e literária, o que levou à fama dos cafés vienenses, frequentados por políticos revolucionários e intelectuais modernistas. Os estabelecimentos vienenses serviram de modelo para os cafés europeus que surgiram no início do século XX, em especial os de influência alemã, em Munique, Praga e Budapeste.

A ROTA DO CAFÉ

Os venezianos foram os primeiros a comercializarem o café na Europa, mas foram o s holandeses os responsáveis pela sua produção fora dos países árabes. As sementes, revestidas com pergaminhos, saiam do Iêmen e eram levadas pelos holandeses, que eram quem controlavam o comércio europeu. As mudas de café eram cultivadas nas colônias holandeses de Java e Sumatra, as quais em pouco tempo tornaram-se os principais fornecedores da Europa, e Amsterdã tornou-se o principal centro comercial do café.

Ao lado dos holandeses, os franceses também passaram a cultivar a planta do café, quando em 1714 o rei Luís XIV da França foi presenteado pelo burgomestre de Amsterdã com mudas da planta, que foram cultivadas no Jardin des Plantes, em Paris. No ano seguinte, eles foram levadas para a região que atualmente conhecemos como Bourbon, onde adaptaram-se bem ao clima, garantindo aos francês o cultivo desta planta.

Jardin des plantesJardin des Plantes, Paris

A CHEGADA DO CAFÉ NAS AMÉRICAS

Em 1723, o oficial da Marinha francesa, Gabriel Mathieu de Clieu desembarcou na colônia francesa em Marinica, no Caribe, com algumas plantas de café, onde plantou o cafeeiro. Durante mais de 100 anos, os franceses dominaram o comércio do grão pelo mundo. Até 1790, metade do café consumido na Europa e no Novo Mundo era produzido na colônia de Saint-Domingue (atual Haiti). Porém, a Revolução Francesa desencadeou uma rebelião entre os escravos de Saint-Domingue, reduzindo a produção de café nesse país. A partir deste fato, Java e as Américas tomaram o poder no cultivo e na comercialização.

O CAFÉ NO BRASIL

Francisco de Melo Palheta, oficial do governo e militar graduado, foi o responsável por trazer as primeiras mudas de café para o Pará, em 1727. Palheta foi designado pelo governador da capitania do Maranhão e do Grão-Pará a averiguar problemas com a demarcação de fronteiras entre o Brasil e a Guiana Francesa, e também conseguir levar para o Brasil, de forma clandestina, algumas mudas de cafeeiro ou sementes de café.

A clandestinidade ocorreu porque uma lei francesa proibia que os franceses presenteassem ou vendessem aos portugueses frutos, sementes ou mudas de café que poderiam ser cultivadas, pois naquela época, apenas franceses holandeses dominavam a cultura do café em suas colônias e mantinham o controle do mercado europeu.

Palheta encontrou evidências de que o território brasileiro estava sendo invadido pelos franceses, e assim pediu uma audiência com o governador da Guiana Francesa, Claude de Guillonet D’Orvil’iers. Conta-se que Palheta seduziu a esposa do governador, que lhe entregou algumas sementes de café que puderam ser cultivadas em solo brasileiro, na região de Vigia, no norte do Pará.

Durante grande parte do século XVIII, o cultivo do café ficou restrito ao Norte e Nordeste do País, e em 1731 foi realizada a primeira exportação de café do Brasil para Lisboa, oriundo do Maranhão.  Em 1760, o café chega ao Rio de Janeiro, pelas mãos do desembargador maranhense João Alberto Castelo Branco, e de lá se alastro para Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Espírito Santo. A ascensão do café se deu graças ao declínio do ciclo do ouro e da cana-de-açúcar.

Em 1830, o Brasil tornou-se o maior exportado de café no mundo, posição essa ainda mantida nos dias de hoje.

Fundada em 1894, no Rio de Janeiro, a Confeitaria Colombo é dos mais antigos salões de café e chá do BrasilFundada em 1894, no Rio de Janeiro, a Confeitaria Colombo é dos mais antigos salões de café e chá do Brasil

COSTELINHA DE PORCO AO MOLHO DE CAFÉ

RENDE 4 PORÇÕES

Ingredientes

  • 2 kg de costelinha de porco
  • 2 kg de banha de porco
  • 1 limão
  • 3 folhas de louro
  • 1 ramo de tomilho
  • 1 colher (chá) de sementes de coentro
  • Pimenta-do-reino moída e sal grosso

Ingredientes – Molho de café

  • 250 ml caldo de porco
  • 250 ml de café coado forte
  • 100 g de melaço de cana
  • 50 ml de cachaça
  • 1 pimenta dedo-de-moça
  • 2 tomates sem pele e sem semente, picados
  • 1 dente de alho picado
  • 1 colher (sopa) de azeite de oliva
  • ½ colher (chá) de sal

Modo de preparo

  1. Tempere a costelinha com sal grosso, suco de limão, pimenta-do-reino moída, tomilho, louro e as semente de coentro. Deixe descansar na geladeira por 2 horas, para que os temperos penetrem bem na carne.
  2. Em uma panela larga e de fungo grosso, derreta a banha em fogo baixo. Coloque as costelinhas com os temperos e deixe cozinhar lentamente em fogo baixo, porém sem ferver a banha, por cerca de 3 horas, ou até a carne ficar macia.
  3. Retire as costelinhas, coe o molho (e reserve) e descarte as ervas.

costelinha de porco ao molho de café

MEDALHÃO AO MOLHO DE TOMILHO E CAFÉ

RENDE 2 PORÇÕES

Ingredientes

  • 2 medalhões de filé-mignon com 200 g cada ou 2 peças de entrecôte com 250 g cada
  • Sal

Ingredientes – Molho de tomilho e café

  • 1 colher (sopa) de manteiga sem sal
  • 1 colher (sopa) de manteiga sem sal para finalizar
  • 5 grão de café
  • 20 ml de café coado bem forte
  • 20 g de cebola picada
  • 50 g de cenouras
  • 1 ramo de tomilho fresco
  • ½ cubo de caldo de carne
  • 2 colheres (sopa) de suco de laranja
  • 4 tomates cereja

Modo de preparo

  1. Dourar a carne em uma frigideira bem quente, com um fio de azeite.
  2. Quebre grosseiramente os grãos de café e ponha me uma panela com a manteiga. Deixe dourar por uns 2 minutos, adicione a cebola, a cenoura e os tomates picados e cozinhe por mais 2 minutos. Junte o caldo de carne, o suco de laranja, o tomilho e a água. Cozinhe por 5 minutos em fogo brando para a base do molho ficar no ponto certo, que é cremosos, mas não grosso demais.
  3. Bata no liquidificador, coe e adicione o café.
  4. Na hora de servir, coloque o molho na panela em fogo baixo, com a manteiga gelada, e mexa até que fique com uma textura uniforme e brilhante.

Modo de preparo – Molho de café

  1. Leve uma panela ao fogo para aquecer o azeite. Coloque o alho e, em seguida, a pimenta dedo-de-moça e os tomates picados. Deixe cozinhar até virar uma pasta.
  2. Adicione a cachaça e, quando o álcool tiver evaporado, acrescente o melaço de cana, o caldo de porco coado e o café. Deixe reduzir em fogo baixo, por aproximadamente 30 minutos.

medalhão ao molho de tomilho e café

RISOTO DE CAFÉ E CARDAMOMO

RENDE 4 PORÇÕES

Ingredientes

  • 320 g de arroz arbóreo
  • 3 colheres (sopa) de azeite de oliva
  • 20 ml de café coado forte
  • 1 cubo de caldo de legumes diluído em 500 ml de água quente
  • 16 grãos de cardamomo abertos e limpos
  • Queijo parmesão ralado

Modo de preparo

  1. Coloque o azeite em uma panela e, quando estiver quente, adicione o arroz arbóreo. Mexa bem durante 2 minutos, acrescente o café e espere evaporar.
  2. Aos poucos, coloque o caldo de legumes, sem parar de mexer. Junte o cardamomo e continue mexendo até que o arroz fique al dente.
  3. Salpique parmesão e sirva a seguir.

risoto de café e cardamomo

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