“Ahh, que feio ficar com raiva!”

Quem nunca disse ou até mesmo ouviu a frase do título que atire a primeira FLOR! Aí eu te pergunto: É realmente feio sentir raiva? É claro que o excesso de manifestações raivosas assusta e, com frequência, é interpretado como parte de um temperamento descontrolado. Porém, excessos à parte, a raiva não é bem compreendida…

A raiva é um componente agressivo que faz parte da nossa constituição natural. A partir de sua ativação, mantemos a capacidade de preservar a vida diante de possíveis agressores que venham nos ameaçar. A ausência da raiva nos deixaria passivos a todo tipo de agressividade.

Você já observou que quando alguém impõe limites ao outro, a tendência do outro é recuar? Até os animais nos dão avisos de alerta antes de atacar. Um cachorro, por exemplo, rosna caso você se aproxime dele e intensifica o “sinal” se você insiste, e por fim, te ataca se você não foi capaz de entender o que ele estava tentando te comunicar. Eles não atacam sem o aviso porque não sabem qual será o resultado do embate. O prejuízo pode ser elevado a ponto de custar a vida de um dos envolvidos. Então, até os cachorros possuem bom senso (algo que falta em muitos membros de fora do grupo canino).

A raiva, portanto, é necessária para a preservação do nosso self. Mesmo que você seja humilhado e incapaz de reagir a tais humilhações, sentir raiva é uma maneira de dizer “Eu não concordo com o que fazem comigo, eu não aceito isso”.

A assertividade é um excelente modo de colocar a raiva para fora antes que ela cresça por meio da “ruminação”, e dure mais do que talvez merecesse. Aliás, a assertividade é uma ótima maneira de intervir nas emoções e de promover a necessária regulação emocional. Portanto, levando-se em conta que as emoções “entupidas” nos fazem adoecer; as expressões assertivas devem ser estimuladas em uma educação, ou reeducação, com base socioemocional.

Como já falei aqui algumas vezes, trabalho com crianças também (além de adultos e adolescentes), e um dos problemas que assolam o curso da infância saudável diz respeito à raiva parental dirigida às crianças sob a forma de abusos físicos. Pais raivosos apelam pela punição física como um meio de educar… E quando são chamados na escola, demonstram cinismo quando são informados que seu filho(a) está batendo nos colegas. E depois da reunião escolar o que acontece? Adivinhem? Além de xingamentos, agressões físicas. O que estão ensinando ao filho(a) dessa forma?

É importante ressaltar que muitos desses casos são vistos somente sob a ótica do produto final: pais “malvados” que batem nos filhos, mas não podemos esquecer é que um dia esses pais foram crianças, e talvez não foram ensinados a expressar a raiva corretamente, sem invadir o limite do outro e sem “abuso de poder”.

Diante de tudo que escrevi, convido você a rever seu conceito e seu preconceito sobre a raiva e sobre as consequências que, muitas vezes, resultam em comportamentos agressivos.

A raiva, se bem dosada e bem aplicada, é apenas mais uma forma que a natureza encontrou para que consigamos viver melhor.

Um grande abraço e até breve, Thays.

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