Qual o copo certo? Com que taça eu vou?

Pra quem já tomou café no boteco em copo americano, essa pergunta não vale de nada. As regras não se aplicam aos espíritos livres. Mas na maioria das profissões que envolvem bebidas, o recipiente mais adequado faz diferença na percepção do sabor e na degustação do líquido em questão. Taça de licor, taça de grappa, taça ISO, taça dry, copo baixo, copo alto, flute, coupe, glencairn

A palavra é bem essa: ADEQUADO. Essa coisa de CERTO tá muito fora de moda. Mais démodé que a própria palavra démodé. As coisas atualmente precisam fazer sentido. As regras não descem mais rasgando garganta abaixo sem o doce toque da coerência.

Na coquetelaria, até mesmo os clássicos, que foram pensados e imortalizados em copos e taças muito bem definidos, podem ganhar novos recipientes de acordo com a escolha do bartender. Inclusive, na coquetelaria autoral, tá valendo um monte de lugares diferentes para servir e surpreender os clientes.

O Dry Martini é um excelente exemplo. É tão famoso que empresta o nome à taça que o serve. Essa taça faz bastante sentido olhando para a receita do cocktail: receita pouco volumosa, com diluição moderada, sem gaseificação e bastante aromático.

Depois dele, vários outros foram concebidos para serem servidos nesta taça, e ganharam seus nomes de martini, apesar de não terem nenhuma ligação com a receita original. É o caso dos famosos Espresso Martini e Apple Martini

Espresso Martini


Apesar disso, o Martini On The Rocks é uma realidade. Servidos com gelo e em copo baixo, geralmente usam um pouco mais de vermuth, pois acabam tendo mais diluição, mas mantém a baixa temperatura spor mais tempo, sendo mais refrescante. 

Outro queridinho do momento, o Gin & Tonic, consta de muitos livros e manuais de bar como sendo servido em copos altos, os tall glass. Mas sabemos da reviravolta que trouxe a bebida de zimbro de novo à badalação, com taças bojudas que permitem mais gelo, mais tônica, mais botânicos e mais aromas.

Gin & Tonic

Todo balcão que se preza também tem canecas reluzentes que fizeram do Moscow Mule uma febre mundial. Depois da caipiroska, eu arrisco dizer que é o cocktail de vodka que mais se vende no Brasil, hoje. E pra quem quiser saber mais de sua história, a caneca de cobre foi propositalmente utilizada. Marketing puro ou fica mais gostoso? Fato é, que chama atenção e para manter essa artimanha sem cair na mesmice, muitos bartenders inovam com canecas esmaltadas e canecas de alumínio. Toques de brasilidade.

Tiki Mug

Os cocktails tiki não poderiam escapar de um texto sobre copos. Em formato que remete às kahunas de deuses polinésios, além de verdadeiros adornos, têm também a função de esconder a coloração dos cocktails tiki, que costumam não ser tão bonitas por conter uma mistura grande de runs envelhecidos, xaropes, licores, sucos e especiarias.

Quando você for tomar uma bebida em casa e estiver na dúvida de qual copo usar, lembre-se sempre de que sua satisfação é mais importante que qualquer regra. Depois disso, se quiser algo mais adequado, pense sempre onde vai caber o que você quer tomar: uma dose de whisky cabe em um copo baixo, mas se for fazer um Highball, com gelo e um refrigerante, um copo alto (que também ganhou o nome do cocktail – copo highball) é melhor. Mas nada te impede de utilizar uma taça de vinho tinto ou até mesmo um pote de vidro. Lembram da moda dos cocktails nos Mason Jars?


Algumas taças e copos são utilizados para degustações técnicas, mas não significa que são perfeitos para saborear as bebidas em outras ocasiões senão em estudos do líquido. Então taças como ISO e glencairn não são necessariamente melhores opções para beber vinho e whisky. Portanto, desconfie das regras muito engessadas e busque o bom senso para melhor utilizar o copo para sua bebida favorita.

Taça ISO

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