Mas doutor, piscina pode? Piscina x alergia.

Verão , sol, calor… O quê mais podemos querer para nos refrescar num dia abafado e, para completar, com as crianças ainda de férias? A piscina é o must das opções recreacionais deste período do ano.

Nos últimos 30 anos houve um grande incremento no número de pessoas alérgicas, sobretudo crianças. No Brasil, o estudo epidemiológico ISAAC mostrou que a prevalência média de sintomas relacionados à Rinite alérgica foi 29,6% entre adolescentes e 25,7% entre escolares.

E lá então vem a pergunta crítica no final da consulta, acompanhada do olhar atento e apreensivo dos pequenos alérgicos que me fitam de forma contundente e doce ao mesmo tempo:

   – Mas doutora, piscina pode?

Dou uma piscadela pra eles, abro meu maior sorriso e respondo alto e em bom som:

Pode sim! Desde que se tenha as informações que vou lhes passar e os devidos cuidados que vou lhes ensinar agora.

Ouço o rumor de suas respirações antes estagnadas naquele momento decisivo que definiria o rumo de suas férias de verão.

Na sequência vêm as próximas perguntas: _ E sorvete pode? Andar descalço pode? Banho de mangueira pode? Etc, etc, etc…

Como todo “pode sim” vem acompanhado de um “desde que”, vamos elucidar tudo isso.

As piscinas públicas – clube, academia, condomínios – são obrigadas por lei pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária a terem cloro, já que só esta substância mantém a piscina livre de bactérias e fungos. Atualmente existem outras formas de manutenção de piscina como a salinização e a ozonização, entretanto a primeira ainda requer alguma quantidade de cloro.

O cloro é uma substância química que, mesmo em doses baixas pode irritar e ressecar nossa pele, nossas vias respiratórias e mucosa ocular.

É justamente por isso que explico aos alérgicos que devem tomar certos cuidados extras ao usar as piscinas. Não é proibido, mas cuidados devem ser implantados rotineiramente no caso dos atópicos.

A cloração das piscinas pode provocar irritação da pele e coceira.

Pessoas com Dermatite Atópica apresentam distúrbios na barreira cutânea, consequentemente uma pele muito mais seca com diminuição de gorduras que protegem a superfície da mesma. O cloro pode piorar mais ainda esse quadro, sendo assim há a recomendação do banho em água corrente e hidratação abundante da pele após o banho de piscina, minimizando esses efeitos indesejáveis.

Sendo o cloro irritante de mucosas, os alérgicos que apresentam Asma, Rinite e conjuntivite devem tomar alguns cuidados visto que o vapor do cloro permanece flutuante na superfície da água, justo ali onde respiramos. Manter olhos protegidos por óculos aquáticos, higienização nasal após sair da piscina e manter o tratamento preventivo prescrito pelo seu médico mesmo no período do verão minimizam esses descontroles das alergias.

Além da exposição ao cloro propriamente dita, a atividade física intensa promove uma respiração mais rápida, isto é, hiperventilação  e não permite que o ar seja devidamente filtrado e aquecido antes de atingir os pulmões. Este ar frio e seco “pode” desencadear a contração dos brônquios e levar à crise de chiado no peito. Veja bem que eu falei “pode” e não que certamente irá levar a isso. O paciente asmático deve sempre dispor consigo de um Plano de Ação para as eventuais crises.

A notícia boa é que nem todos os alérgicos apresentarão alguma piora de suas alergias. O ideal é observar como o indivíduo se comporta após a exposição. Isto é, se  apesar de todos os cuidados expostos acima existe uma correlação direta entre o uso da piscina e a piora evidente dos sintomas de alergia. Na dúvida, converse com o seu médico.

Tendo todas essas informações, nos basta curtir bons e refrescantes momentos em família e entre amigos, gerando um arsenal de boas histórias para nossas crianças contarem orgulhosos na volta às aulas.

Bom verão a todos e não se esqueçam do protetor solar. Eu disse protetor, não bronzeador. Fator de proteção solar mínimo de 30. Olha lá, heim!

Até a próxima,
Ana Paula Juliani.

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