“Padrões” e uma história sobre bullying

Olá! Provavelmente ninguém que está abrindo esse post nesse momento me conhece, meu nome é Gabriela, tenho 16 anos, sou vestibulanda, moro em Catanduva, interior de SP e fui convidada a escrever no AE por ser uma habitual escritora e usar isso para combater algo que me acompanha desde que me entendo por gente: o bullying.

Todos, em algum momento da vida, já passaram pelo bullying. Não importa se você é a mais bonita ou popular ou perfeita. Você já sofreu bullying. O motivo? O mundo infantil e adolescente é ingênuo e cruel ao mesmo tempo, uma combinação explosiva para a inteligência emocional fraca dos seres humanos.

Eu sempre fui uma criança gordinha. E com 3 anos ouvi da minha melhor amiga que eu era horrorosa e ficaria sozinha para sempre se não emagrecesse. O que faz uma criança de 3 anos reproduzir tamanha ideia? A criança achar que está certa, que está ajudando e isso é alimentado pelos pais, que não enxergam que esses pequenos ataques causam cicatrizes profundas.

Não, isso não é verdade! Mas enfim, passou. De uns 10 até uns 13 anos ouvi de amigos íntimos brincadeiras como Gorda, baleia. Pararam? Pararam, depois que eu tive um ataque e implorei para pararem. Eles não sabiam como aquilo me magoava e foi muito importante que eu tivesse coragem de dizer.

Aos 14 anos, o problema com o meu peso ficou mais sério, os xingamentos e brincadeiras não existiam mais, mas as cicatrizes ficaram e criaram novas. Emagreci horrores porque ia a academia todos os dias e nas férias chegava a ficar por três horas treinando compulsivamente. Depois dessa fase e de um enorme desgaste físico desenvolvi compulsão alimentar que resultou em (vários) quilos a mais.

Aos 15 anos, recém chegada em uma nova escola, escutei pessoas falarem do meu cabelo armado e ondulado, da minha sobrancelha grossa…”Conseguiu dominar a fera” “Como assim você não tem chapinha?! ” ” Você deveria afinar” “Porque não faz desse jeito e desse jeito para ficar menos armado”

Acreditem, eu tenho uma longa carreira acompanhada pelo bullying e grande parte dela definiu minha maior insegurança: Minha imagem.

Sobre o meu cabelo: Não troco por nada. Quanto mais ele cresce mais de mim vejo nele. Nos cachos e nas ondas armados, nos dias em que ele se revolta, nos momentos em que apenas uma trança bem trançada o segura. Tem definição melhor para a minha personalidade?

Mas sobre o meu peso e a minha beleza, a história é outra… A insegurança dos tempos em que ainda não dava espaço a minha voz ainda reina, me cercando de medos.

Mas é só medo e aprendo a lidar com ele com muitos textos e terapia.

Hannah Baker (protagonista de 13 reasons why) não teve a mesma sorte que eu e  foi uma espécie de bode expiatório para o erro de todos os outros. É ficção? Não! Conviva em uma escola por alguns dias e vai perceber isso. Sempre tem um bode expiatório para todos. Ensino Médio, como eu mesma falo, é melhor que novela.  Mas pior em muitos sentidos também. Não pense que a ficção está muito além do que é o dia a dia.

E sobre aquelas brincadeirinhas nas redes sociais: Baleia Azul era um chinelo na minha época. ISSO É TÃO ERRADO. Claro que tem uns babacas que jogam para se tornarem populares e porque é modinha, mas vocês realmente acham que todos os 120 que morreram na Rússia foram movidos por modinhas, por falta de “chinelo”? Ou tem algo muito profundo acontecendo e passando despercebido pelo mundo adulto?

É a falta de empatia, amor e carinho entre a família, entre os amigos, porque como ficou bem claro  no começo do texto, crianças são cruéis e ingênuas, sem qualquer noção do que suas palavras podem causar. Palavras mal ditas e malditas podem sim levar uma pessoa ao suicídio. Atitudes podem sim levar uma pessoa a depressão. Olhem com mais carinho ao que estamos vivendo.

“Mesmo se você é popular ou bonita você já sofreu bullying´´ Essa frase lá do começo do post é o reflexo do padrão que eu vim falar hoje. O padrão? Ser magra, alta, bonita, cabelo liso e de preferência loira. Padrão Gisele Bundchen, que é um mulherão, mas ela ser um mulherão não diminui o mulherão que você ou eu somos. Dá para entender?

Se você agora está pensando que isso é coisa de adolescente, amigo, você não tem noção do quanto de gente adulta, formada, com filho crescido que sofre com o bullying da adolescência, que só está aprendendo a superar ele agora e que ainda tem medo de se revelar para o mundo existe. Então, por favor, parem de ficar achando que padrão é drama adolescente, que Baleia Azul é falta de chinelo e 13 Reasons Wyh é puro marketing. O buraco é muito mais embaixo.

´´Ok, cheguei até aqui garota, o que eu faço se meu filho ou se eu mesma sofri com esses problemas?  Ame, se atente mais ao que está acontecendo, procure um psicólogo Depois, encontre algo que te dê prazer, seja desenhar, estudar, escrever, meditar, praticar esportes… Mas saía um pouco desse mundo “perfeito” da internet.

E quanto a internet que nenhum de nós pode negligenciar hoje, minha dica é parar de seguir pessoas com vidas perfeitas e corpos estruturais, corpos que você sabe que nunca terá, siga pessoas dentro da sua possibilidade.

Minhas dicas caso você tenha se reconhecido comigo lá em cima:

Ashley Graham e Chloe Marshal   Ambas são as primeiras modelos plus size que comecei a seguir quando decidi parar de odiar meu corpo, as fotos são lindas e inspiradoras para quem está buscando um pouquinho de amor próprio.

post Gabi

Mirian Bottan  Mirian é uma mulher normal que sofreu muito com os padrões, desenvolveu anorexia e bulimia e há pouco tempo decidiu mudar, criou um instagram e se tornou minha inspiração e a de muita gente também.

6767734d-bfb5-46b6-b876-5455b71601deA verdade é que o problema não é você ou o amiguinho que sofre bullying,  mas sim toda a estrutura que foi montada acreditando que só existe um modelo de pessoa aceitável.

 A beleza está no interior de cada um. Na alegria em ver a vida e ver a si próprio.

Se quiser conversar um pouco mais comigo sobre esse assunto, me segue no meu insta: Gabi B. Esteves ou no meu blog: Me Cute?

Um beijo, Gabriela Bergamo Esteves

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2 comentários

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IRIS ADRIANA BERGAMO ESTEVES 11 de maio de 2017 - 18:55

Acredito que muitos se identificaram com este texto, mas nunca tiveram a oportunidade e nem a coragem de gritar ao mundo o que estavam sentindo, Obrigada Gabi por nos representar neste momento.

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Ana paula 11 de maio de 2017 - 20:42

Parabéns…. Texto real maravilhoso,…

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