Os medos infantis e mediações dos adultos

Oi pessoal! Hoje resolvi escrever sobre um tema que é bastante emergente nas escolas e na clínica… Até mesmo no atendimento de adultos tenho percebido que alguns medos pertinentes às crianças ainda assombram as pessoas grandes, e é aí que está a chave do problema e também da solução!

Bom, via de regra, lá pelos cinco anos as crianças começam a sentir mais medos, e é bem nessa fase que também vem o interesse e o acesso a temas como “zumbis”, “monstros”, “fantasmas” e etc. Esses medos acarretam outros, como por exemplo, de escuro, de ficar sozinho em algum lugar da casa, de dormir sozinho então nem se fala.

A fase dos medos não passa rápido, ela é longa e muitas vezes persiste na vida adulta. Pois é, como eu já mencionei, adultos também sofrem (e muito) com medos absurdos. Então se você está lendo isso e se identificando saiba que você não é nenhum problemático extraterrestre, existe uma infinidade de pessoas como você, e procure ajuda!

Talvez pareça que eu embolei os temas: Medos Infantis e Medos de adultos, mas existe uma razão justa e específica para isso. E para ajudar você a entender, eu escolhi um dos inúmeros diálogos que tive com crianças que apresentavam medo. Este aconteceu há alguns dias:

Eu a minha paciente de nove anos estávamos brincando de massinha, como ela havia escolhido, de repente pela segunda vez ouvimos um barulho diferente em meio ao silêncio que predominava naquele momento. Da primeira vez ela disse: “Tia Talita, o que foi isso?” assustada, ao que eu respondi: “Também não sei” tranquilamente. Porém na segunda vez ela já quase chorosa afirmou: “Acho que tem um monstro dentro do armário!” visto que parecia que algo lá dentro havia caído, e eu respondi: “Um monstro dentro do armário? Já pensou se ele arruma tudo lá pra mim? E se ele guardasse os brinquedos quando a gente termina de brincar… E se ele arrumasse a nossa cama… E se ele… – e fui listando tarefas chatas que temos que fazer e que este “monstro” poderia fazer pela gente, ela sorriu e entrou na brincadeira de imaginar o quanto poderia ser bom ter um “monstro auxiliar” desses, ao que eu disse no final: “Uma pena né, que monstros não existem, a gente vai ter que continuar fazendo tudo isso”

Claro que não existe uma fórmula e é preciso muita criatividade e muito tato para agir nestes momentos, porém o que há de realmente imprescindível é resolver-se com os próprios medos pois não tem como fingir tranquilidade, é necessário haver se esclarecido sobre aquilo para ter tranquilidade, e para te ajudar a fazer isso listei algumas dicas. Lá vai:

(repetindo) Entenda os seus medos, converse com eles, separe os que são reais (assaltos, insetos, altura, etc.) dos que são irreais (monstros, fadas, bruxas, fantasmas). Converse com os medos reais para entender como você pode se precaver deles, e também com os irreais para dizer para você mesmo que são ilógicos, irracionais e desfazer-se deles. Se você não conseguir fazer isso sozinho procure ajuda de um psicólogo.

quando seu(sua) filho(a) sentir medo, permita que fale sobre isso, que acesse este sentimento e transmita segurança para ele(a) agindo com tranquilidade e ajudando-o a conversar com o que está sentindo.

dependendo do medo e da situação brinque com isto, mas sem ser jocoso, fazendo-o perceber que aquilo é mais engraçado do que trágico.

NUNCA, JAMAIS em toda a vida use o medo da criança para ameaçá-la, chantageá-la ou coagi-la a fazer o que você quer que ela faça. Eu entendo que muitas vezes faltam recursos aos pais, porém se a situação tiver chegado neste nível procure ajuda de um psicólogo.

Quando você usa aquilo de que seu(sua) filho(a) tem medo para ameaçá-lo(a), ou fica apavorado como a criança, você está dizendo de modo não verbal “existe monstro sim e eles são terríveis”, dando colher de açúcar para o medo, que vai ficar maior e mais forte.

Medos são coisas muito sérias, que causam sofrimentos intensos quando persistem. Enquanto nós adultos não resolvermos a relação com os nossos próprios medos, continuaremos reforçando os medos das crianças. A partir desta perspectiva, não elaborar os próprios medos significa transferi-los, junto com todo o sofrimento que significam, para os filhos.

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