orgasmo feminino

Em meus atendimentos, percebo o quanto o orgasmo incomoda muitas mulheres. Uma grande maioria relata não ter o orgasmo ou ter muita dificuldade para tê-lo. Algumas, já na faixa dos 50 – 60 anos nunca identificaram esse ápice do prazer.

É nítido o sofrimento, pois cobranças podem começar a surgir (nem sempre essas cobranças são do parceiro, mas da própria mulher), fingimentos para não desagradar o outro, o ato sexual vai deixando de ter sentido, acontecendo apenas por obrigação do relacionamento. O sexo vai ficando cada vez mais chato, sem algum prazer, pelo contrário, o que era para ser prazeroso começa a ser aversivo, querendo se esquivar da situação, ou seja, do sexo.

Durante séculos passados, o prazer sexual estava concentrado apenas para os homens e esta sensação orgástica era proporcionada apenas a eles. Muito se falava que as mulheres não foram feitas para este prazer, e que não sentiam absolutamente nada, quem dirá, atingir o ápice. O prazer, muitas vezes, era negado pela própria mulher.

Felizmente, com a emancipação feminina, começaram estudos relacionados à sexualidade da mulher, e concluíram que a mulher não só pode ter o orgasmo, mas também, diferente dos homens, ter orgasmos múltiplos e sucessivos.

Com essa evolução, as mulheres começaram a buscar mais informações sobre o assunto, porém, ainda hoje, percebo a quantidade de informações distorcidas ou inexistentes que dificultam a mulher de atingir o tão espero orgasmo, ou até mesmo identificá-lo.

Conforme a conversa na terapia sexual, identifico que algumas mulheres que chegam até o meu consultório com queixa da ausência de orgasmo, já o tem, mas esperam uma sensação muito mais intensa, não dando a devida atenção para o momento, desvalorizando-o, o que o torna imperceptível, acreditando então que não consegue atingir o orgasmo.

O QUE É ORGASMO?

O orgasmo é uma descarga de tensão muscular, ocorrendo uma série de contrações.

Não existe um único tipo de expressão. A cada experiência, momento, pessoa… difere de como esse orgasmo irá surgir, seja na intensidade ou nas reações provocadas no corpo da mulher. O mesmo casal, a cada ato sexual, pode experimentar diferentes sensações orgásticas.

Ele é considerado um fenômeno complexo, pois nele interferem fatores fisiológicos, neurológicos, endócrinos e predominantemente, fatores psicológicos.

Muitas de minhas pacientes, que já fizeram um “check-up” médico, concluindo nenhuma alteração fisiológica, ao procurar a ajuda da terapia sexual, percebem o quanto o seu emocional e seu comportamento está completamente ligado a esta dificuldade. E ao ser trabalhado da maneira correta e com disciplina na terapia, conseguem obter um sucesso, atingindo o seu objetivo, conseguir o orgasmo!

Ou seja, toda mulher, independentemente da idade, possivelmente complete as fases na hora do sexo, finalizando com o orgasmo.

Mas como identificá-lo?

Se seguirmos alguns parâmetros fisiológicos, no orgasmo surgem algumas contrações rítmicas na musculatura que circunda a vagina e o próprio útero, entre outras musculaturas (nem sempre perceptíveis ao outro). Mas isto não é o suficiente para caracterizá-lo, principalmente do ponto de vista emocional.

O mais importante, é cada mulher vivenciar a sua forma, sem que haja um modelo único e definitivo para o orgasmo. O que vale é a mulher identificar o seu prazer.

O orgasmo feminino é um momento curto, leva pouquíssimos segundos, por isso a importância da mulher conseguir se concentrar e aproveitar as sensações provocadas durante o sexo.

As sensações produzidas são diversas, como sentir o corpo tremer, contrair toda a musculatura, ter vontade de rir ou chorar, os lábios vaginais ficam intumescidos e ficam mais vermelhos, o clitóris fica ereto e muito sensível ao toque, batimentos cardíacos acelerados, respiração mais intensa, sensação de vibração no corpo, ter várias descargas elétricas seguidas de um intenso alivio, como se descarregasse uma carga de tensão acumulada.

Após o orgasmo, o corpo da mulher retorna aos poucos. Independentemente de como essa sensação se apresenta, o melhor de tudo, é a mulher aproveitar ao máximo esse momento. Vale ressaltar que nem sempre todas essas sensações aparecem ao mesmo tempo e sempre da mesma intensidade.

Independentemente de conceitos ou pré-conceitos, a mulher precisa se identificar. Cada mulher é única. Buscar identificar ou resgatar a sua feminilidade e o seu autoconhecimento. Acredito que esse é o ponto chave para se tornar mais íntima do seu próprio corpo, das suas manifestações corporais e do envolvimento com a outra pessoa.

Questões emocionais podem interferir no orgasmo e em todos os momentos do ato sexual:

  • Preocupações
  • Mitos e tabus
  • Pré-conceitos
  • Repressão
  • Traumas passados
  • Desconhecimento do próprio corpo
  • Vivências de culpa e de vergonha
  • Experiências sexuais negativas
  • Insegurança
  • Baixa auto-estima…

As causas para a anorgasmia geralmente são de fundo emocional. É uma dificuldade que causa sofrimento para a mulher, e precisa ser vista com a devida importância. A dificuldade para ter o prazer sexual é um problema a vencer.

O tratamento é feito através da psicoterapia sexual, que tem o objetivo de resgatar a sua feminilidade através de um autoconhecimento, diminuir a ansiedade e aumentar a auto-estima, proporcionando mais segurança e confiança, não apenas no ato sexual, mas nela como um todo, na sua própria intimidade.

Mulheres, não aceitem esse sofrimento, empurrar o problema só irá fazer com que o sofrimento aumente. Busquem ajuda da psicoterapia sexual o quanto antes. A felicidade também está em viver plenamente a sexualidade.

Um forte abraço.

Adriana Visioli

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