Quase às vésperas do dia da mulher não há melhor tema a ser tratado do que as bandeiras feministas na luta contra a publicidade que denota cunho sexual e submisso às mulheres.

Muito se fala em igualdade de gênero no ambiente de trabalho, na política, mas é inevitável perceber a desigualdade presente nas entrelinhas. Nesse sentido é fácil observar que a postura de muitas marcas tem se alinhado à dos consumidores, já que o tema “mulher objeto” tem se tornado cada vez mais polêmico e explosivo nas redes sociais.

O mais recente questionamento acerca do uso da mulher como objeto de desejo e deleite sexual na publicidade, foi trazido à baila pela agência Badger & Winters, da publicitária americana Maddona Badger. A idéia de chamar atenção para o real significado de alguns anúncios, se concretizou na divulgação do vídeo do projeto #WomenNotObjects.

No vídeo abaixo são apresentados diversos anúncios de marcas com renome internacional que retratam as mulheres em situações no mínimo constrangedoras.

O machismo estar presente nas propagandas de bebidas alcoólicas, por exemplo não é nenhuma novidade, mas e quando o percebemos nos produtos cujo o público alvo são as mulheres?

De acordo com Badger,

Quando a gente transforma a mulher em objeto, ela tem a tendência de fazer isso consigo mesma. A idade média de uma menina começar uma dieta é sete anos. E 81% das garotas de 10 anos se acham gordas”.

Num cenário onde a ‘objetificação’ da mulher é instaurada a ponto de ser reproduzida e ‘vendida’ por tantas marcas, tem se tornado cada vez mais comum campanhas questionando o uso da imagem da “mulher objeto” pelo mundo publicitário, já que elas são responsáveis por 75% das decisões de compra.

Assim, na contramão disso tudo, muitas das mulheres que não aceitam mais ser representadas pela publicidade sexista, começam a tomar frente na luta contra o machismo, participando de campanhas publicitárias que fogem desse estereótipo.

Uma pesquisa do Instituto Patrícia Galvão aponta que 65% das brasileiras não se identificam com as propagandas. Para elas, o padrão de beleza feminino mostrado nos comerciais de TV é diferente da realidade. Frente a essa (re)evolução feminista, o mercado resolveu abrir os olhos, já que estava prestes a se queimar com um parcela de consumidoras de grande relevância, eis que o público feminino movimenta uma massa de renda de R$ 1 trilhão.

A grande verdade é que se a abordagem não ocorrer do jeito certo, a mulher vai se decidir por outra marca. Grande exemplo da consolidação desse ponto de vista é o resultado do Festival de Cannes de 2015: cinco das 16 peças publicitárias vencedoras de prêmios máximos, tinham o foco no ‘empoderamento’ feminino

A própria “Awalys” que já fez trocadilho de mau gosto em uma campanha publicitária, mostrou que nem sempre se erra. A campanha #likeagirl (#TipoMenina), mostra que agir “como menina” não é e não deveria ser um insulto, adentrando no mundo femvertising – propaganda com base feminista. A marca investiu pesado, divulgando a nova campanha no intervalo da final do Super Bowl, que tem o minuto mais caro da publicidade mundial.


A publicidade desenvolve um papel diretivo e ao mesmo tempo opressor na sociedade e aquelas que trouxerem consigo a percepção da nova sociedade farão a diferença de uma maneira muito positiva.

Para “lacrar” a tendência mundial na abordagem da mulher pela propaganda, a Budweiser se distanciou positivamente da corrente machista seguida pelas suas concorrentes, apresentando uma campanha ‘limpa’ sem impacto tendencioso.

Em última análise, Friedrich Nietzsche afirma que “amam-se os nossos desejos, e não o objeto desses desejos”. Talvez esse seja o motivo pelo qual por tanto tempo a sociedade optou por vendar-se face aos ditames de tratamento da mulher como objeto sexista. Finalmente mudaram os rumos dos ventos…

É meu amigo, o ‘empoderamento’ feminino está em alta. Além de ser obviamente agradável, é tendência mundial. Então OLHA ELA, e não os ‘predicados’ dela.

Muah

;*

@jannacamposp

Sugestão de leitura:

http://agenciapatriciagalvao.org.br/wp-content/uploads/2013/09/24092013_mulheresnaoseidentificamcompadraodebelezamostradonatvapontapesquisa.pdf

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