Não tenha medo de escolher sua vida

“Se não tiver a capacidade de dizer NÃO, o seu sim não significa nada”.
Osho

Quando somos crianças, é comum ouvirmos que temos que fazer determinadas coisas, mesmo que não queiramos: cumprimentar todo mundo quando chegamos numa festa (afinal, você não pode ser a criança mal educada que não fala com ninguém), sempre sorrir para as pessoas, dar beijinho no rosto dos conhecidos da família, deixar-se abraçar… Puxe aí na memória: com certeza, você já deve ter passado por situações assim. O problema é quando essas situações vão avançando à medida que a idade também avança. Parece que sempre temos que ser gentis, camuflar nossos sentimentos e pensar no bem maior (que seria viver bem com as pessoas ao nosso redor, mesmo que isso signifique matar um pouco do nosso espírito a cada dia).

Pensar no que se quer parece um pecado! Por outro lado, cobra-se que as rédeas da vida sejam tomadas e, assim, cada um de nós se torne o responsável pela própria trajetória. Lindo, se isso fosse uma prática assumida desde sempre, se fosse algo nos ensinado desde cedo. Mas não é essa a regra. Em vez de nos incentivarem a nos conhecermos e sabermos nossos limites, somos convidados a cumprir protocolos sociais e a agradar os outros. Crescemos confusos e com uma dificuldade enorme de dizer NÃO e de respeitar quem somos.

Não é egoísmo escolher o que te faz bem. A analogia da máscara de oxigênio é uma boa maneira de refletirmos sobre isso: a tripulação indica que, antes de socorrer quem está ao seu lado, você deve colocar em si a máscara e respirar; só então você ajuda quem está perto de você. Na vida, é assim. O que dá para oferecer a quem nos rodeia quando a única coisa que aprendemos é servir, passar por cima das nossas vontades e pensar sempre nos outros? Repare que todas essas atitudes podem levar a gente ainda para o caminho da insegurança e da baixa autoestima, além de nos deixarem conformados com a nossa zona de conforto.

Uma das perguntas aqui é: quanto tempo conseguimos viver nos ignorando? A outra é esta: por que queremos passar nossos dias sem nos conhecermos, sendo que passaremos a vida inteira conosco? Não adianta querer só aceitar tudo sem contestar. Não adianta achar que a falta de conflito é o que torna os relacionamentos duradouros. Dialogar e buscar soluções pode fortalecer os laços. É com o conflito que chegamos à solução, que crescemos, que as relações florescem.

Não dá para achar que se você sempre aceitar o que os outros querem vai ser mais querido. As nossas escolhas não agradarão a todos, mas o problema maior é quando elas não agradam nem a nós mesmos. Afinal, somos nós quem viveremos para sempre com as consequências dos nossos atos. Se você seguiu um caminho que não era bem o que imaginava, calma! Dá para voltar, recomeçar, fazer de novo. Vai ser difícil, vai ter muito trabalho, mas pode ser a chance de você se descobrir mais. Nada está acabado. A gente vive um dia de cada vez.

Não deixe que as pessoas decidam por você, que “as convenções sociais” decidam por você. Se você quer realmente alguma coisa, não tenha medo de “brigar” por aquilo. Fale. Apareça. Não tenha medo de ter uma voz. A zona de conforto pode ser o mais cômodo (e olha que nem sempre é), mas ali não cresce nada.

Trabalhe o medo que você tenha de errar, de perder, de se expor. Só conquistamos as nossas experiências, tanto as boas quanto as ruins, vivendo. E viver significa:

Saber dizer não quando é necessário; colocar-se em primeiro lugar; respeitar-se e amar-se.

Um grande abraço e até mês que vem, Thays.

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