NÃO POSSO OPINAR! Glória, eu te entendo.

NÃO POSSO OPINAR!

Glória, eu te entendo.

Hoje em dia ninguém pode opinar. Chegamos a um momento histórico em que devemos “pisar em ovos” sempre que é necessário manifestar uma opinião, não sabemos necessariamente a quem vamos ofender quando o fizermos, mas é certo que isto sempre ocorrerá – mesmo que implicitamente.

Tem se tornado inconveniente ter opinião própria; não se pode mais fazer brincadeiras como à época de minha adolescência, não se pode rir de ninguém, e muito menos fazer aqueles comentários tidos como pejorativos. E antes de qualquer possível entendimento contraditório, que fique claro: NÃO sou a favor do “bullying”.

Eu lembro que na minha infância eu era chamada de gorda – até porque nunca fui magra – e isso não me afetava a ponto de me deixar frustrada e precisar de psicólogo, eu voltava para casa e queria mesmo era me deliciar com as gostosuras feitas pela minha mãe.

Outro dia em uma conversa informal com amigos, concluímos que não há mais gênios, que não se tem grandes descobertas nem novas teorias. Tudo o que acontece hoje a nível de ‘’descobertas’’,  gira na órbita de coisas já existentes.

Nesse sentido, eu acredito que de uma forma geral o indivíduo passou a valorizar mais a opinião alheia do que a sua própria essência, ninguém tem tempo para criar e quase nunca para existir.

Suponho que Einstein não se preocupava com sua aparência ou com a opinião de outras pessoas acerca do seu cabelo emaranhado. Curiosamente, quando criança ele enfrentou grandes dificuldades no uso da linguagem, preocupando seus pais e médicos. Segundo ele, foi justamente o seu desenvolvimento tardio que levou-o a questionar elementos básicos da vida, como espaço e tempo, o que se consagrou na conhecida e revolucionária Teoria da Relatividade.

Pitágoras, famoso matemático que criou o conhecido teorema, tinha uma observação muito curiosa sobre o feijão, do qual ele se abstinha completamente de comer ou mesmo tocá-lo. Não há relatos de que ele tenha morrido porque não comia feijão.

O que acontece, no mundo atual é que as coisas tomaram uma proporção na qual se dita todos os dias o que você deve fazer, o que você deve comer e principalmente o que você deve falar. Fuja à essa regra e será um prato cheio para os extremistas de plantão.

Eu não posso opinar, mas vou fazê-lo mesmo assim porque me sinto sufocada com esse excesso de “não pode”, não fale”, não faça”. O exagero em torno de pseudo preconceitos alimenta ainda mais o verdadeiro preconceito.

É claro que se deve ter um mínimo de bom senso e não vendar os olhos à real existência de alguns, mas não, nem todo mundo está sendo preconceituoso o tempo todo.

Outro dia, em uma discussão sobre transporte coletivo, eu falei que era praticamente impossível eu me apoiar nas barras superiores – porque sou baixinha – e que se eu o fizesse pareceria um macaco pendurado. No mesmo instante senti umas faíscas e olhares raivosos de um negro que estava ao lado. Em nenhuma hipótese eu usei o substantivo macaco para afetá-lo, mas ele ficou visivelmente ofendido. Ou seja, aos olhos dele e de quem não ouviu a conversa por inteiro, naquele momento eu era mais uma pessoa racista.

O maior problema está mesmo é no preconceito velado, daquele que finge ser politicamente correto e por vezes até veste a camisa da luta contra algum tipo de segregação, mas no seu cotidiano não cumprimenta o porteiro, não para na faixa de pedestres, trata mal o garçom.

Hoje em dia ninguém mais pode opinar porque o existencialismo está sendo engolido por massivas formas de ver preconceito em tudo. O indivíduo, que segundo o filósofo Kierkegaard deveria ser “o único responsável em dar significado à sua vida e em vivê-la de maneira sincera e apaixonada”, tem se curvado às agruras de uma sociedade que ao invés de enobrecer a essência, prefere ver preconceito em tudo.

Por fim, VOU OPINAR sim:

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O ser humano deve ser aceito na sua individualidade. Não somos feitos em massa e nem produzidos em série. O mundo nos apresenta todos os dias inúmeras distrações, alienação e tédio. É disso que somos feitos em um segundo plano.

Primeiramente existimos e apenas depois de nos descobrirmos é que de fato surgimos no mundo, e então nos definimos. Não espere que todos pensem como você, ajam como você…

Não sou utópica a ponto de fingir que não existe segregação e preconceito, mas sou existencialista o suficiente para ter fé de que o ser humano ainda tem jeito.

Assuma o seu papel dentro de si. Aceite se como você de fato é.

Sei por exemplo, que minha risada é feia, mas eu rio mais ainda quando alguém acha esquisito. Sou baixinha e abuso do salto-alto, e assim sigo achando graça em tudo e sem me abster do que me faz bem porque alguém pode achar que não deveria ser assim. Ao passo que aceitarmos a nos mesmos, passaremos a aceitar também o outro, suas escolhas e diferenças.

Afinal, “ homem, se não é definível, é porque primeiramente é nada. Só depois será, e será tal como a si próprio se fizer.” Pense a respeito, antes que outros decidam o que ou quem você deve ser.

Beijos de luz.

Sugestão de leitura:

http://mundoconectado.net/diversao/habitos-estranhos-de-grandes-genios/
http://hypescience.com/10-genios-com-habitos-verdadeiramente-estranhos/
http://www.megacurioso.com.br/personalidades/37579-6-esquisitices-envolvendo-genios-famosos.htm

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1 comentário

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Raquel 4 de março de 2016 - 14:18

Excelente texto!

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