Não deixe a vodka morrer!

Se não foi com um irmão ou irmã mais nova, já deve ter sido com um primo, um sobrinho, um carro zero. Todos já sofreram um leve e momentâneo abandono por conta da chegada de algo novo e considerado “do momento”.

É assim que a vodka está, olhando pela fresta da porta, escorada no batente, vendo todo mundo tirar foto com a taçona do gin, quando há pouquíssimo tempo atrás ela que estava naquele copo, vivendo bons momentos, indo às festas com você. MAGOA!

O recado, no entanto, é que o gin tá rindo, mas o que ele está fazendo ele aprendeu com a própria vodka.

Apesar da vodka ter nascido bem antes do gin, foi o destilado aromatizado com zimbro que figurou durante muito tempo nas receitas dos cocktails clássicos. Até que nos anos 40 a Smirnoff foi levada para os EUA e começou sua saga de sucesso no mercado americano, utilizando o famigerado cocktail da caneca: o Moscow Mule. Sem a espuma. A espuma é uma (excelente) invenção do Marcelo Serrano, mega talento dos bares brasileiros.

Nos anos 80/90, outras grandes marcas começaram a invadir o oeste europeu e América e novos cocktails icônicos de vodka surgem, como o Espresso Martini, fazendo com que a vodka tomasse um lugar que era do gin.

Hoje, vemos a utilização do gin para quase tudo que sai dos bares brasileiros. É uma revolução de marcas, mas principalmente de sabores. O mundo redescobriu sabores herbáceos, gramíneos, “clorofílicos”. Sabores que o paladar considerava até como alertas de ingredientes impróprios pra consumo.

Por mais versátil que o gin seja, e por mais que tenhamos diferentes marcas diferentes botânicos em suas receitas, o lugar da vodka está muito bem guardado. Pode ter certeza.

Seu papel na coquetelaria, muito embora seja encarado como de base neutra, tem efeito muito mais ativo na arquitetura de uma bebida. A vodka adiciona picância, deixa o cocktail mais seco sem interferir tanto em aroma e paladar, é generoso com os “coadjuvantes”, realçando o sabor de licores, amargos e vermutes, os famosos “modificadores”. Mantem o paladar mais “clean”, já que não usa madeiras para estagiar e traz seu frescor característico para as receitas.

Versatilidade e generosidade. A vodka nos deixa mais livres pra ousar em ingredientes secundários, artesanais, exóticos e excêntricos. Sem contar suas aplicações gastronômicas que são também inúmeras. Para celebrarmos essa bebida, seguem duas receitas pra mostrar esse talento dessa “aguinha” (o nome vodka em russo é o diminutivo da palavra voda, que quer dizer água).

#Vodka Moka Martini

  • 30 ml de Vodka Ketel One
  • 50 ml de Bailey’s
  • 2 Colheres de Açúcar Demerara
  • 1 Café Espresso

Preparo: bater os ingredientes na coqueteleira com bastante gelo e coar para uma taça martini sem gelo. Decorar com grãos de café.

Vodka Moka Martini

#Vodka Jam

  • 50 ml de Vodka Ketel One
  • 2 colheres de bar de geleia de Framboesa
  • 20 ml de Sumo de Limão
  • Completar com Schweppes Citrus

Preparo: mexer os ingredientes na taça de vinho tinto para dissolver a geleia. Completar de gelo e mexer bem. Completar de citrus e mexer levemente. Decorar com casca de limão siciliano.

Vodka Jam

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1 comentário

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José Tavares de Lima Filho 12 de março de 2020 - 11:26

Vc é show mestre dos mestres sou seu fã

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