bar em casa

Pequeno grande manual de como montar seu bar em casa

Olá, jovem adulto. A vida adulta está te massacrando? Você não tem um momento de sossego? Posta foto na academia escrito “TÁ PAGO”, mas queria mesmo era que estivessem pagos os boletos? Não se desespere! Este texto veio em boa hora para te lembrar que apesar disso tudo, você já pode ter seu bar em casa. E eu estou aqui pra te ajudar a ter um barzinho decente.

Longe daquele modus operandi de ir ao mercado comprar bebidas baratas e duvidosas em garrafas pet para misturar nas festinhas, a ideia de ter um bar em casa é ter algumas boas bebidas versáteis na sua prateleira para fazer um bom cocktail em uma quarta a noite, ou para uma visita querida, e assim, tomar gosto e aumentar aos poucos seu repertório.

Assim como quem adora cozinhar começa com um pacote de orégano e termina com um armário de latas de páprica e vidros de endro, o bar também precisa de sortimento para criar e se divertir.

Além das bebidas, e do espaço para guardá-las ou expô-las, é importante investir também nos utensílios de bar, que, se bem escolhidos, podem fazer parte de uma bela decoração. Todo mundo adora um belo material de bar. É curioso e sedutor. Vamos aos fatos:

DESTILADOS

Vodka – Gin – Rum – Whisky Escocês – Bourbon – Tequila – Cachaça

Se você, como eu, adora pisco, coloque na sua lista. Mas sabemos que a maioria dos cocktails famosos podem ser feitos se você tiver em casa vodka, gin, rum e whisky. Tequila também faz cocktails deliciosos e refrescantes como a mundialmente aclamada margarita, então figura na listinha.

Cachaça é nosso destilado nacional e, honestamente, uma joia a ser ainda descoberta por muitos degustadores. Vale a pena ter bons rótulos. É uma bebida surpreendente.

Vodka

Vodka é tudo igual, né? NOT! Invista em uma vodka legal. Importada ou não, é sempre importante que ela tenha procedência, pois sua “facilidade” de produção beneficia marcas que não possuem muito compromisso com qualidade. Ketel One, Absolut, Ciroc, Grey Goose, Belvedere e a brasileira VOA, são boas opções.

GIN

Gin, certamente, é o queridinho do momento, e a enxurrada de marcas confunde muitos consumidores. Para o bar de casa escolha uma marca de sabor versátil: algumas novidades de mercado trazem sabores muito específicos.

Se quiser investir em luxo, Tanqueray nº Ten, Star of Bombay e Beefeater 24 entregam sabor e beleza. As versões “normais” destes mesmos gins também são excelentes, e pra quem quer desembolsar menos temos brasileiros ótimos como o capixaba Dry Cat e o mineiríssimo Velvo. O campeão de custo-benefício fica com o tradicional Gordon’s, com mais de 350 anos de tradição e precinho campeão.

Rum

Rum é o meu preferido. Esqueça sua experiência com cuba libres em copos de plástico e comece do zero. No Brasil é um destilado que não faz tanto sucesso quanto nos nossos vizinhos latinos, mas aqui também temos marcas muito boas.

O rum, assim como a cachaça, possui a versão sem envelhecimento e a versão com envelhecimento. Cocktails como mojito e daiquiri, tradicionalmente, são feitos com o rum branco, mas também podem ser feitos com o añejado. É uma bebida que pode ser feita em qualquer lugar do mundo, mas os mais famosos são os produzidos na américa central e caribe como o guatemalteco Zacapa, o porto riquenho Bacardi (algumas versões são produzidas no Brasil com insumos importados), o cubano Havana Club e o jamaicano Appleton State.

Whisky

Whisky é um mundo vasto, tanto é que tem um texto meu aqui no AE falando sobre os diversos estilos existentes. Os mais famosos são os escoceses e os americanos (bourbon), e uma garrafa de cada deixa seu bar bonito e alegre. Eu colocaria um bom 12 anos como o Johnnie Walker Black Label, Chivas 12 ou Old Parr 12. Mas a opção de ter um standard (aquele que o brasileiro insiste em chamar de 8 anos, apesar de não ser) também não faz feio. Já nos representantes americanos, as opções no mercado brasileiro crescem a cada dia. Bulleit, Jack Daniel’s, Wild Turkey, Jim Beam e Maker’s Mark são excelentes opções.

Tequila

A tequila – que em espanhol é “o tequila”- ficou famoso por shots e pessoas insanas gritando e lambendo sal. Mas a verdade é que este destilado tem muito mais a oferecer em termos sensoriais e culturais. Não é o único destilado produzido no México, apesar de ser o mais famoso. Nos últimos anos, seu irmão mais velho, o mezcal, vem ganhando notoriedade mundial. Enquanto não faz sucesso no Brasil, invista em boas tequilas como Don Julio, Patrón, Espolón, Herradura, José Cuervo Tradicional e 1800.

Cachaça

Cachaça. Só vou dizer uma coisa: TENHA ORGULHO!

Tenha no seu bar! Leia mais sobre ela aqui mesmo e invista nas que são regulamentadas. O mito de que “aquela” do interior que vem na garrafa sem rótulo que é a boa é fake news. Além de perigoso para sua saúde, pois não possui normas e parâmetros de qualidade e segurança alimentar, também atrapalha a indústria nacional de marcas sérias, mesmo que menores e artesanais. Cachaça é legal!

Alguns nomes fáceis de encontrar que vão brilhar no seu bar: Ypióca 5 Chaves, Leblon Merlet, Avuá e Yaguara. Mas não se acanhe, você encontra muita coisa boa no amburana.com e na cachacarianacional.com.br

Na cozinha, os pratos costumam ser compartilhados. Então é bem comum que o cozinheiro exclua ingredientes que não agradam tanto seu paladar. No caso do bar, doses e cocktails podem ser individuais, então é interessante que você tenha uma garrafinha daquele destilado que você não é tão fã. Ele pode fazer a diferença numa receita ou mesmo agradar a outros paladares que você queira servir. Além disso, com um bom armazenamento, estas bebidas não são perecíveis, o que sempre anima mais ainda tê-las no repertório, mesmo que a utilização seja menor.

LICORES

Existem, literalmente, centenas. Dos mais tradicionais aos mais exóticos. Mas não se empolgue com a variedade. Alguns não são tão versáteis na coquetelaria e o sabor pode dominar completamente o cocktail.

Tenha sempre um triple-sec, o licor de casca de laranja amarga. Além de ser fácil de encontrar e ter várias versões, é indispensável em várias receitas clássicas como margarita, mai tai, white lady e o queridinho de Carrie Bradshaw e Madonna: o Cosmopolitan!

Na cozinha, é muito usado em sobremesas como o crepe suzette. O Curaçao Blue é uma versão azul deste licor, que possui como única diferença a adição de anilina azul naquele tom bastante próximo de um marca texto. Por isso muitos bartenders preferem a versão sem anilina que também leva o nome da ilha caribenha. A marca brasileira Stock produz um curaçao bastante honesto, com precinho mais atrativo que o consagrado francês Cointreau e o seu conterrâneo inigualável Grand Marnier – que é feito com Cognac ao invés de álcool neutro de cereais.

Alguns outros licores interessantes para ter em casa são: Amaretto (licor de amêndoas), Bailey’s (Irish Cream), Licor de Café, Limoncello (Licor de Limão Siciliano), Licor 43, Fireball, Chartreuse, Maraschino, Jagermeister… ok, eu falei pra não se empolgarem com a variedade e me empolguei. Sempre prove quando tiver a oportunidade e escolha seus preferidos. Ajudam a fazer ótimos drinks.

Amargos e Vermutes

Com a popularização dos cocktails spritz e a dádiva da maior aderência do brasileiro aos sabores amargos graças à febre do gin tônica, os bitters e amaros entraram pro cardápio nacional.

Antes que me corrijam, bitter, amargo e amaro é tudo a mesma coisa em línguas diferentes sim, mas dependendo da palavra que você usa, dá pra ter uma ideia da bebida que você está se referindo, porque sabe-se de onde ela vem, além do que quando falamos bitter na maioria das vezes nos referimos àqueles utilizados usualmente em dashes e gotas, que são altamente concentrados e “temperam” o cocktail mesmo adicionado em pequenas quantidades, como o famoso bitter aromático Angostura. Não deixe de ter um.

Os que são utilizados em quantidades maiores, e que também fazem toda diferença num bom bar, existem numa variedade tão grande quanto os licores. Aliás, muitos deles possuem bastante açúcar e muitos defendem que eles são sim licores. Mas sem entrar nessa polêmica, comece com um Campari, um Aperol e vá tomando gosto por Cynar, Lucano, Ramazzotti e Fernet. Se você é Argentino ou já visitou o país em aventuras etílicas, comece pelo Fernet. Se você é italiano, compre todos e pesquise mais outros. E me chame!

Vermute

O Vermute é uma bebida indispensável em qualquer bar, mas, injustiçada. Por ser feita a base de vinho, precisa de refrigeração após aberta e, como todo vinho, não dura pra sempre na geladeira. Muitos bares ignoram essa particularidade do vermute e é comum encontrar garrafas abertas em prateleiras que já testemunharam mais copas do mundo do que o Zagallo. Digamos que, após tantas vitórias, esta bebida não está mais tão própria para o consumo, e quando os bartenders a utilizam, eles conseguem mais um membro pro clube dos haters de vermute.

A bebida faz parte da alma do dry martini, do negroni, do hanky panky, do manhattan e diversos outros cocktails clássicos. Cada receita pede um estilo de vermute. Os dois mais utilizados são o dry (conhecido também como seco ou french) e o tinto (doce ou italian).

Existem outros estilos como o branco doce e o rosé. Para amantes de dry martini invista em um bom vermute seco como Noilly Prat, Dolin Dry ou o tradicional Martini Dry. Para amantes de negroni e manhattan, o nirvana fica a cabo do pai de todos: o Antica Formula. É um investimento, mas ele reina sozinho. Existem outros mais possíveis como o Dolin Rouge, Martini Rosso e o brasileiro da Famiglia Griffo, o Aureah.

Sugar, oh Honey Honey

A parte doce dos cocktails pode vir de diversas fontes. A mais tradicional é o açúcar de cana, mas pra que simplificar se podemos complicar, não é mesmo?

Além da possibilidade dos licores, que já foram explicados acima, outros ingredientes fazem esse papel, com benefícios. Um deles é o xarope. Pode ser feito em casa, como mostram estas receitas que temos aqui no AE, ou pode ser comprado em diversos sabores nos supermercados. As marcas mais famosas disponíveis são a italiana Fabbri e as francesas Monin e 1883.

E não para por aí.

Você pode utilizar mel de abelha, como no gold rush e no bee’s knees, xarope de bordo – maple syrup – aquele que os gringos usam nas panquecas americanas, e até mesmo geleias.

No caso de dietas com restrições de ingestão de açúcar, as opções se tornam cada vez maiores: xilitol, geleias sem açúcar, sodas sem açúcar como água tônica diet e até mesmo xaropes sem açúcar como da marca italiana Fabbri. No Brasil eles comercializam os sabores menta, orgeat (amêndoas) e cereja amarena.

Perecíveis e Mixers

Para o bar funcionar, alguns ingredientes são importantes na geladeira. Tenha sempre um limão, de preferência tahiti e siciliano, laranja bahia, água com gás, água tônica e gelo. O Gelo é tão importante que sem ele a festa acaba. Se você gosta de doses de bebidas puras ou cocktails curtos como old fashioned e negroni, a dica é comprar formas para gelo grande que faz cubos robustos para você aproveitar melhor sua bebida sem aquela diluição the flash. Quer investir na experiência? Compre os gelos insanos do pessoal da ICE 4 PROs. São vários modelos pra te fazer salivar de emoção. (disponível em algumas cidades do Brasil).

Utensílios

Pra começar você não precisa de muita coisa. Muito material ajuda, mas não é essencial.

Um deles, no entanto, não merece substitutos: COMPRE UMA COQUETELEIRA!

Já vi muito vídeo de gente perguntando o que fazer se não tiver uma coqueteleira em casa. E as respostas costumam ser: usa um pote, um vidro de azeitona, um “tapouér”. Mas a verdade é uma só: COMPRE UMA COQUETELEIRA.

De preferência uma cobbler, aquela de três partes que vem com parte furadinha e tampa. A parte de baixo serve também como mixing glass para cocktails que são mexidos, apesar de que é fácil e barato encontrar um bom mixing glass no precinho atualmente. Já foi mais caro e mais raro. Aproveite a facilidade.

Compre também uma colher de bar. A famigerada bailarina. Mas compre uma que dance na sua mão, e não uma que pisa no seu pé. Colher de suco, apesar de ter o cabo longo, não é tão indicada pois o cabo achatado machuca os dedos ao girar o cocktail. Dê preferência àquelas com cabo retorcido.

É interessante ter uma tábua separada para cortar frutas, isto evita a contaminação cruzada. As facas utilizadas em cítricos também perdem o fio com facilidade por conta da alta acidez das frutas. Se você não quer estragar alguma boa faca de metal que tenha em casa pode separar uma menor de cerâmica apenas para estas frutas, pois a ação do ácido não danifica este material, além de serem boas para cortar as cascas dos cítricos e utilizar para decorar os drinks com estes zests.

Com o tempo outros “brinquedos” vão se somando ao seu arsenal. Maçaricos culinários, zesters, pinças, strainers (coadores de bar), peneiras, borrifadores além de objetos em duplicidades e triplicidade apenas porque você adorou o modelo novo. Eu mesmo não posso ver uma colher bailarina que já quero comprar.

Copos e taças são importantes, e também já temos um texto para isso.

Era só um bar em casa, né? Pois é. E estas são apenas algumas possibilidades. Aproveite a Black Friday e as dicas mastigadinhas.

Se eu esqueci alguma coisa, é só mandar lá no instagram do AE ou no @joaomorandi

Divirta-se e quando montar seu bar, mande fotos. prometo postar. Bjs.

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