Meu filho não come, e agora??

Quantas vezes nós mamães já chantageamos os nossos filhos comerem?? “Come só mais um pouquinho! Olha, se você comer a carne, a mamãe lhe dá um chocolate! Se não comer tudo, não vai brincar!” Uma das maiores preocupações das mães em relação aos filhos é mesmo com a comida. -“Meu filho não come!” é a queixa mais comum que escuto nos atendimentos.

Mas o porquê desta falta de apetite!? Bom, temos alguns fatores:

O primeiro passo é verificar se a falta de apetite não é por motivos de falta de saúde, por exemplo, na estação do inverno gripes e resfriados são frequentes, consequentemente o apetite diminui. Essa condição será passageira e após a recuperação a criança voltara a se alimentar normalmente. Mas, se caso a criança estiver saudável e aparentemente sem nenhuma doença, podemos levar em conta os dois fatores abaixo.

É muito importante que as mães e os pais compreendam que talvez a criança esteja vivendo uma fase de transição chamada por alguns autores de mini adolescência. Mas aí você me pergunta, o que é essa tal mini adolescência?? Nada mais é que o seu pequeno está deixando de ser bebê e deseja afirmar-se! Essa fase geralmente ocorre entre 1 ano e meio e 3 anos e “do nada” a criança começa a querer tomar decisões sozinhas e MUITAS VEZES começa a medir forças com os pais! E qual é a área que geralmente mais nos tira do sério? A alimentação, eles sabem disso!!!!

Outro fator importantíssimo é que até um ano de idade o ritmo de ganho de peso e crescimento da criança é muito acelerado. A partir desta idade, as curvas de crescimento são mais estáveis, ou seja, não ganham peso e nem crescem tanto em um mês como no primeiro ano de vida. Essa diminuição do ritmo de crescimento influencia na necessidade energética e na fome dos pequenos que, geralmente, perdem um pouco de interesse pela comida deixando muitas mães preocupadas.

Abaixo segue algumas dicas para vocês enfrentarem essa fase sem perder as rédeas da situação, algumas delas são:

  • Nunca ofereça muita comida à criança – ela tem o estômago pequeno;
  • Ofertar alimentos variados. A oferta de pouca variedade de alimentos dificultam o estímulo ao paladar;
  • Varie o cardápio, a mesma comida, todos os dias, não desperta o interesse. Incremente o prato com algum alimento de cor diferente daquele que você ofereceu anteriormente;

Alimentação

  • Retire o que ele não comer sem fazer comentários;
  • Oferecer as refeições em ambientes tranquilos, sem distrações como televisão e brinquedos;
  • Respeitar um intervalo mínimo de 2 a 3 horas entre as refeições para que a criança sinta vontade de comer;
  • É necessário ter rotina, mas não é preciso tanta rigidez. Caso a criança esteja muito agitada ou cansada, espere um pouco mais para oferecer a refeição;
  • Hortaliças cozidas e cruas devem ser oferecidas em todas as refeições, Mesmo que a criança não aceite, não a obrigue a comer, assim ela ficará com raiva do ingrediente. Deixe lá, a constante presença desses alimentos despertará a curiosidade da criança
  • Lembre-se: é melhor que ele coma em pequena quantidade alimentos ricos nutricionalmente que uma grande quantidade de porcarias;
  • Deixe a criança comer com as mãos. Ela se diverte manipulando a comida e vê nesse momento uma ocasião prazerosa, agradável;
  • Não adianta pedir para seu filho comer cenoura se você está comendo um sanduíche, ele naturalmente irá querer comer o lanche, pois se você despreza a cenoura, é porque o outro alimento deve ser mais gostoso.

O que não devemos fazer:

  • Não oferecer sucos nas refeições. Espere a refeição acabar para oferecer um copo de suco
  • Não usar estratégias como chantagear ou obrigar para que a criança aceite a refeição.
  • Não se desespere e comece a oferecer guloseimas no lugar de comida, isso é uma grande cilada;
  • Não substituir a refeição principal por leite ou lanches.
  • Insistir ou até obrigar os filhos a comerem não é o correto. Pois a criança irá associar que a hora da refeição é angustiante e não prazerosa.

Não esqueça que uma alimentação excessiva pode resultar num adolescente obeso, que futuramente irá procurar um especialista para emagrecer. Considere também que a necessidade energética da criança vai diminuindo com o passar dos anos. Uma criança com três anos de idade, por exemplo, precisa de mais calorias do que uma com sete, o que torna normal a redução do apetite.

Em vez de se culpar, mantenha a calma e entenda que a inapetência faz parte do desenvolvimento infantil. Lembre-se a QUALIDADE dos alimentos é mais importante que a QUANTIDADE. Busque oferecer alimentos ricos em nutrientes, para que o “pouco” consumido seja integralmente aproveitado.

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