A metade da laranja…

Semana passada, “navegando” pela internet, me chama a atenção tal manchete em um famoso portal: “Casal já teve relações intimas com mais de cem pessoas”.

Vocês podem achar que o que me fez refletir sobre tal manchete foram questões morais, éticas, ou preocupação com o comportamento das próximas gerações que virão. Não, não foi nada disso.

Não satisfeita, continuei dando ouvidos a minha curiosidade, me interessando em porque tal tema nas redes sociais. E fiquei ainda mais surpresa, pois a quantidade de dicas, receitas, promessas, conselhos e até imposições para encontrar o segredo da felicidade completa advinda dos relacionamentos amorosos é quase infinita.

E quando digo relacionamentos amorosos, incluo até o não relacionar-se, ou seja, de poliamor a solidão.

As pessoas realmente sofrem em relação a isso com muita frequência.  A grande maioria das pessoas que  procura atendimento psicoterápico em me consultório, traz essa queixa. A grande questão é a causa desse sofrimento a partir dessas relações.

Vamos pensar um pouquinho…

Estamos vivendo numa sociedade e num momento caracterizados pela liberdade de escolhas e quantidade alta de ofertas. Engano achar que isso diminui a angústia. Muito pelo contrario, maximiza.

Temos como FELICIDADE um estado de prazer constante, não admitindo nada de desprazer ou eventos que nos desafie, nos faça questionar sobre as escolhas que devemos fazer, sobre objetivos pessoais e profissionais, sobre viver a vida.

O mundo vive, as pessoas vivem. Viver inclui ficar doente, não ter, não ser, não controlar, não adivinhar… Sendo assim, é possível ser feliz? (Lembrando da concepção de felicidade que trago para vocês).

E já que não é possível essa “auto felicidade”, espera-se que o outro a tenha para lhe dar: “a tampa da panela”, “a metade da laranja” …E olha que esses jargões acompanham nossa sociedade há muito tempo.

Esse outro não tem isso que falta para eu ser feliz! E agora? Fico sozinho, tenho vários amores, tenho dois amores, tenho dois amores e ainda a permissão de me envolver numa noite ou outra com outros. Sempre em busca dessa tal FELICIDADE.

FELICIDADE essa, que prostatiza, engessa, paralisa: “quando eu encontrar o amor da minha vida, de mais nada precisarei”. Engraçado que mesmo “encontrando” esse amor, da maneira de relacionamento que for, a angústia continua, os anseios e desejos  não param de brotar no “jardim da vida”.

Por isso lhes digo e questiono: Se realmente os contos de fada, príncipes e princesas, o “feliz para sempre” existisse, porque ainda há tantos que sofrem e as tais (tentativas) de receitas ainda são um dos conteúdos  que mais surgem a cada dia?

E respondo: por não existir alguém que dê a felicidade que espera, mas que dê aquilo que ele pode dar. E junto com você, independente do tipo de relacionamento que tenha (mas que tenha), descubra que são pessoas que vivem juntos, “escorredores de macarrão”  e não panelas, e precisam de constante reprogramação, o constante movimento, pois a vida não para.

Para que deixar de viver? Ame, e ame com aquilo que pode amar, com aquilo que pode ter do outro, com aquilo que pode ser para o outro e com o outro.

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