Segundo a Wikipédia, Intolerância é uma atitude mental caracterizada pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar diferenças em crenças e opiniões. Num sentido político e social, intolerância é a ausência de disposição para aceitar pessoas com pontos de vista diferentes.

Eu acho que podemos ir além, a intolerância é o mais novo “mal do século”. Há intolerantes em toda parte, no futebol, na política, na religião, no trânsito, na fila do supermercado.

Estamos vivendo uma época onde devemos expressar nossa opinião em doses homeopáticas, sob pena de sermos escrachados por alguém que julga ter sempre a melhor opinião ou a escolha mais acertada sobre “qual lado escolher”.

Vivemos uma contradição, visto que, num país plural, com diversas crenças, raças e etnias, as notícias de ataques contra grupos de divergentes opiniões são cada vez mais corriqueiras.

No cenário atual, quem manifesta opinião política pela timeline das redes sociais é bombardeado por opiniões contrárias, e logo, retribui a “gentileza” e assim segue uma sucessão de ofensas, discussões e ameaças de “unfollow”.

Nas ruas da capital se tornou perigoso usar camisetas de times: você pode torcer sim, mas em silêncio. As brigas entre torcidas organizadas são cada vez mais comuns, seguidas por depredação e destruição do que se encontrar pela frente.

As pessoas não sabem mais respeitar as liberdades individuais e quiçá as liberdades que envolvem um grupo em sua totalidade.

Não obstante, não são apenas as opiniões que não são mais respeitadas, as intolerâncias vão além: não se pode cometer erros, de nenhuma espécie.

Outro dia fui ao estádio numa final de campeonato e por algum motivo, os leitores do “QR Code” dos ingressos estava falhando sucessivamente, a fila foi crescendo e os humores se alterando, até que um senhor começou a xingar a operadora da catraca e gritando que ele queria passar “porque estava pagando”.

Sem pensar, eu respondi que todos estavam pagando e que a atitude dele não faria funcionar o sistema.

Bem, pelo menos ele não gritou mais nos meus ouvidos.

Há pessoas acham que são donas da opinião e do tempo dos outros. Na fila do supermercado sempre tem alguém “bufando” porque a pessoa da frente está demorando ou porque o operador do caixa é aprendiz. No trânsito há sempre alguém buzinando atrás de um motorista que parou na faixa de pedestres.

E isso vai nos matando pouco a pouco, porque ao passo que acreditamos que estamos sempre com a razão e que nossa opinião é sempre a mais acertada, a nossa conexão com o mundo vai se desligando.

Opiniões foram feitas para serem divergentes, na mesma proporção que para serem respeitadas.

Defenda suas opiniões, mas não esteja sempre convicto de que elas são mais acertadas, sempre há soma quando respeitamos as escolhas do outro, porque além de chato é muito limitador, afinal como sempre disse minha mãe: o que seria do amarelo se todos gostassem do azul?

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