Instagram: impactos dos filtros na saúde mental.

No Instagram, a gente sabe, tudo é perfeito. As viagens são cenários incríveis, as comidas deliciosas, as roupas perfeitamente coordenadas.

E a pele?

No mundo mágico do Instagram não há poros, manchinhas, vermelhidão, cicatrizes de acne, nem queixo duplo ou rostinho redondo. É tão sedutor baixar aplicativos que transformam sua vida em um videoclipe e seu rosto em capa de disco que tornou-se comum ter aplicativos como o Facetune no celular.

Fotos sem filtro? Só se for de um pôr do sol bem fotogênico ou uma superlua. Com isso, cada vez mais pessoas não se reconhecem mais nem no espelho, quando levantam seus olhos das telas do celular. Os padrões de beleza que até outro dia eram apenas inatingíveis, hoje são ficção de rede social. E como fica a nossa relação com a pele no meio disso tudo?

Surge então, uma pergunta inevitável:

O Instagram está influenciando na mudança da nossa aparência física não apenas no mundo virtual, mas também no real?

Os filtros do Instagram começaram como uma forma divertida e inofensiva de “se fantasiar”, com orelhinhas de cachorro, bigodes de gatinhos e óculos divertidos. Mas não demorou muito para surgirem os efeitos que transformassem completamente nossos rostos, aumentando a boca, afinando o nariz, puxando os olhos e maquiando a pele, deixando todo mundo com a mesma aparência, uma mistura de Kardashian com Bella Hadid. O efeito Kardashian se popularizou no mundo inteiro e a Internet como intensificadora da sociedade e de suas rupturas, demonstrou isso como nunca antes.

Por mais inofensivos que os filtros do Instagram possam parecer, eles transformaram a forma que enxergamos a nós mesmos, e hoje em dia postar uma selfie sem nenhum filtro ou edição, se tornou um ato de coragem e quase um posicionamento político. As pessoas olham para suas imagens deformadas na tela do celular e enxergam isso como um upgrade de si mesmo, comparando sua real aparência com a versão computadorizada e nada humana que os filtros nos oferecem.

Um dado muito alarmante e interessante:

De acordo com o Censo de 2016 da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a busca por procedimentos estéticos não cirúrgicos aumentou 390% no país. O preenchimento labial é a intervenção mais buscada, segundo o ranking do órgão, seguido por aplicação de botox e peeling, laser e suspensão com fios. Em 2017, um estudo da Academia Americana de Cirurgiões Plásticos revelou que a motivação de 55% das pessoas que fizeram rinoplastias, em 2017, foi o desejo de sair melhor em selfies. Se antes procurávamos parecer mais bonitos na vida física, agora queremos estar bem nas fotos das redes sociais.

Em resposta à isso, com o intuito de transformar o Instagram em uma plataforma positiva e agradável ao usuário, a empresa anunciou em outubro de 2019, que iria remover todos os filtros com aspecto de cirurgia plástica e parou de aprovar o lançamento de novos filtros do mesmo tipo. Além disso, foi lançada uma atualização que disponibiliza a denúncia de filtros e efeitos que podem ser uma violação às políticas de uso da rede social.

Hoje em dia, o leque de filtros do Instagram ainda é praticamente infinito e as possibilidades de edição se tornam cada vez mais diversas.

Nós somos suficientes e não há filtro no mundo que melhore o que a natureza nos deu. Que a partir de agora usemos as redes sociais para exaltar o lado positivo e individual de cada um e nós e não para mascarar a realidade.

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