Gordofobia: até quando?

O que é Gordofobia?

Segundo o Google: Gordofobia é o estigma usado para determinar que uma pessoa possuí determinadas complicações ou características baseada unicamente em seu aspecto físico.

O que isso quer dizer? Vamos exemplificar de forma prática:

Semana passada um influencer digital cujo @ no Twitter é @caiorevela foi vítima de uma Fake News alegando que ele teria falecido naquela manhã por complicações de saúde devido ao seu peso;

O influenciador deixou claro, mais tarde, que aquilo era falso e que ele passara o dia todo acalmando familiares e pessoas que se importavam com ele e foram vítimas indiretas desse crime horrível.

Mas o que isso tem a ver com Gordofobia?

Caio é ativista pelo movimento do corpo livre, uma iniciativa que busca afirmar que as pessoas podem e devem ser felizes com seus corpos dentro ou fora do padrão de beleza estabelecido. Basicamente o movimento celebra que todos os corpos são dignos e nenhum deve sofrer qualquer tipo de discriminação.

Ele postava fotos nas suas redes sociais celebrando a beleza do seu próprio corpo fora do padrão e esbanjando felicidade, atraindo para si uma gama de seguidores que se identificavam com ele e sua luta.

Como alguém que já passou por problemas sérios em relação ao peso, que foi do não comer ou comer muito pouco para o comer em excesso; eu também acredito na mensagem do corpo livre, ainda mais vendo, em primeira mão, o efeito que a cultura das dietas teve em mim.

Eu tenho problema de glicose baixa – advinda de medicamentos  “naturais” para emagrecer – pressão baixa, passo por vários acessos de tontura, já fui pré diabética, já tive transtornos obsessivos compulsivos relacionados a imagem e sofro até hoje com meu corpo nem magro o suficiente para o padrão, nem gordo o suficiente para ser considerado assim.

Ver o que esse limbo me causou ajudou a escrever e ter forças para procurar algo além de todas as minhas alternativas passadas: hoje em dia eu consulto uma nutricionista semanalmente para reaprender a comer muito melhor – e parar de jantar pipoca – e faço exercícios físicos todos os dias.

Meu corpo emagreceu? Sim, mas o importante de tudo isso aqui é como eu me sinto melhor

E aqui eu volto para a situação do Caio e o tema gordofobia. Ele não se sente mal com seu peso atual, ele celebra isso em fotos, tweets e recados fantásticos e que ajudam, quem sofre com essa pressão estética patética, a se ver por olhos mais carinhosos. Apenas por isso ele  foi vítima de um crime de ódio praticado através das redes sociais unicamente por se amar.

Desde quando se amar virou motivo para o ódio das pessoas?

Acho que desde sempre. Você pode se amar, desde que esteja ciente que não é perfeito e precisa correr atrás dos seus defeitos o resto da sua vida. Barriguinha dobra? Fecha a boca e faz alguns abdominais. Não quer? Abdominoplastia, bariátrica, lipoaspiração… Os caminhos mais fáceis.

Um dia eu li em uma reportagem – voltada a mulheres – que a sociedade quer que você seja gostosa e quer para ontem. Nenhum exercício vai te deixar de bumbum durinho antes do primeiro mês – ou do terceiro. Nenhuma dieta vai sumir com seus pneuzinhos na primeira semana.

Essa é a cultura que incentiva a beleza artificial hoje em dia. Que não sabe lidar com corpos normais.

“Então agora eu não posso mais querer uma dieta, exercícios físicos e uma cirurgia?” Não, você pode querer tudo isso sim! Eu quero!

Mas é por isso que tem que ter algo por trás de tudo isso

Agora espalhar notícias falsas relacionadas ao peso de uma pessoa que se ama é gordofobia, é preconceito e é uma crueldade imensa não só com ele, mas com todos a sua volta que se importam com a sua pessoa ou com suas ideias. Gordofobia não é brincadeira e pressão estética mata todos os dias.

E para você? Do outro lado da tela que, por Deus, não fez isso… Meu pedido é que pense um pouco antes de comentar sobre o corpo alheio da próxima vez.

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