Oi oi conterrâneos (se é que isso é uma terra) do século XXI, ou que nasceram nos últimos anos do século XX, sendo criados diante de atitudes típicas de anos e décadas anteriores;

O que mudou, então, na nossa geração?

Provavelmente se esse post fosse em formato de lista estilo 50 coisas que mudaram nessa geração, eu encontraria facilmente 50,100,150 conforme as horas fossem passando…

Mas o objetivo aqui é outro.

Primeiramente, como parente mais nova em uma família lotada de membros – de ambos os lados – eu cresci no meio de adultos e quando meu ego começou a se revelar – 9 anos sei lá – se tornou muito gostoso ouvir elogios do tipo:

“Nossa, você conversa como uma adulta”,  “Que comportamento”, “Como você se dá bem com gente mais velha”, entre outros.

Esses comentários significavam que eu era madura pra idade, certo?

Não, eu sempre fui só uma criança. Criada junto de um monte de adultos.

Estar entre adultos me ensinou a me comportar entre adultos. Entre crianças eu tive que aprender e aprender nem sempre é um processo bacana. Principalmente entre um monte de meninos e meninas que não te conhecem e tem zero obrigação de te tolerarem.

E isso tem a ver com o tema como?

Em qualquer geração, presente ou passada, crianças sempre seguiram o exemplo dos pais ao socializarem, mas nem sempre esse exemplo é tão certo assim.

Nossa geração é problemática, todos dizem: com 20 anos procuramos aconselhamento psicológico, endocrinológico, nutricionistas, personal trainer.

“A geração Mimimi, que não apanhou: muito corpo e pouca mente!”


Será mesmo?

Não é difícil olhar ao redor e ver pessoas mais velhas dizer que gostariam de fazer terapia no fim da vida enquanto outras acham o fato de eu ter compromisso toda semana na psicóloga uma besteira, ao mesmo tempo que fazem comentários ácidos ou saudosos sobre tudo que poderiam ter sido.

Somos a geração que não para nas frustrações, que vai, ou tenta, pelo menos, ir além. Talvez eu não reagisse tão bem a situações específicas hoje em dia se não tivesse, toda terça, alguém para ouvir e orientar sobre a minha vidinha fácil. E, curiosamente, na minha vidinha fácil, eu só não trabalho ou tenho filhos. Porque, do resto, cada uma das minhas escolhas gera ganhos ou perdas. Mesmo o fato mais incrível da minha vida até hoje que foi ter ido morar fora.

E claro, minha visão é tao privilegiada e parcial que é até engraçado cogitar que possa ser generalizada: não é.

Por um lado, meus pais trabalham desde os 14 anos, passaram por muitos baixos até uma estabilidade mediana e hoje, são eles que me permitem desfrutar da vida que desfruto. Foi a educação prática deles que me preparou para vida e que, em diversos aspectos, me trouxeram tudo que tenho ou me tiraram muitas coisas que tinha.


Uma criança tem que ser criança e amadurecer com bons exemplos; e a nossa geração teve isso, alguns tiveram ao menos, e a grande surpresa é que agora, nós olhamos pra dentro e percebemos que, criados como fomos, temos muito ainda a evoluir.

E aqui é o ponto principal do texto.

Nem todos fomos criados prontos pra sintetizar a praticidade que a vida exige ou a emoção que as outras pessoas querem, é isso que aprendemos em nossas tardes na terapia, em nossos questionamentos sobre padrões, em nossas conversas sobre sentimentos.

Porque não somos uma geração problemática, somos uma geração que não para nos problemas, que os adentra até a gênese e ai sim ,  resolve.

Fomos criados ou, ao menos eu fui, por pessoas que não tinham tempo pra questionarem padrões de beleza, comportamento ou o que seria considerado certo, bonito, saudável. Eram pessoas práticas, preocupadas demais em me criar ou criarem a si mesmos para isso. E eu sou grata a eles por isso, porque agora é a minha vez de fazer pela próxima geração o que eles fizeram por mim: melhorar.

A luta de alguns é pelo corpo perfeito.
Outros pela mente perfeita.
Parte deles pelas contas pagas e estabilidade.
Uma grande maioria pelo dinheiro.
E outros não lutam por nada.

Eu luto por tudo isso e ao mesmo por nada disso.

Minha luta é para me entender, descobrir porque choro quando to ansiosa, descobrir porque comentários negativos sobre minha aparência me destroem enquanto sobre minha personalidade me fazem rir. O que é autoconfiança? Porque sou autoconfiante e insegura ao mesmo tempo? Quais as respostas para isso?
Eu ainda não sei e sempre que to perto de achá-las,  quem muda são as perguntas mudam e lá vou eu de novo…

Eu to indo e você?

*Todas as imagens desse post foram encontradas no meu pinterest e nenhuma é da minha autoria ou pertence ao site.

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