FRIGIDEZ FEMININA : A LUTA PELO PRAZER

Uma das queixas que mais se apresenta em meu consultório são mulheres com falta de prazer durante o sexo. Algumas vezes escuto delas a seguinte frase: “Sou frígida, e meu parceiro não aguenta mais, por isso estou aqui”.

Vamos entender um pouco então sobre a tal “frigidez”.

A frigidez feminina é considerada uma alteração da resposta sexual, se apresentando como um bloqueio parcial ou total da excitação, ou seja, a mulher possui dificuldade de sentir prazer na hora do sexo, dificultando assim a chegada ao orgasmo.

O sentimento de impotência se torna presente, ocasionando um sofrimento emocional, refletindo então nas relações interpessoais. A cada tentativa frustrante, o sexo vai se tornando uma atividade negativa, pois sem desejo sexual não há excitação, dificultando o surgimento da lubrificação, podendo surgir dores durante a penetração. As consequências a longo prazo se tornam preocupantes, pois começam a surgir esquivas de situações e comportamentos que possam se direcionar para o ato sexual, podendo desenvolver um repúdio ao sexo, como também dificuldades em relacionamentos afetivos, interferindo na saúde emocional da mulher.

Quando identificamos uma ausência da excitação, precisamos considerar também a ausência do desejo, fantasias sexuais, estímulos e demais partes que auxiliam neste processo da excitação.

Esta dificuldade de excitação e desejo pode ser algo esporádico ou frequente, ou seja, pode acontecer em todas as atividades sexuais ou apenas em algumas. É necessário identificar esta intensidade e frequência para conseguir uma compreensão mais ampla do que pode estar interferindo nesse processo.

Existem inúmeras causas que podem ocasionar este déficit da excitação, dentre eles os fatores orgânicos e psíquicos.

Nas causas orgânicas, alguns fatores endócrinos devem ser levados em consideração, como por exemplo o aumento da prolactina (períodos pós-gestacional e hipotiroidismo), e diminuição da testosterona.

É de extrema importância ressaltar  que não devemos consumir qualquer prática “terapeutica” hormonal caso o resultado do exame para averiguar a dosagem hormonal em nosso organismo esteja dentro da “normalidade”, pois qualquer excesso a longo prazo pode provocar efeitos indesejados.

Alguns medicamentos e patologias também podem influenciar na queda do desejo sexual, como também hábitos excessivos com o uso de bebidas alcoólicas e cigarro, sendo também precursores para o problema.

As causas emocionais também são diversas e estão cada vez mais presentes, como o estresse, a ansiedade e a depressão, pois são capazes de gerar desmotivação, apatia e tristeza. Estão presentes nesta interferência os relacionamentos desgastados, falta de autoconhecimento, dificuldades para dialogar sobre a vida sexual, baixa autoestima e autoconfiança, medo de engravidar, educação sexual repressora, traumas e abusos, cobrança exagerada sobre o desempenho, entre muitas outras questões que dizem respeito a nossa trajetória e história de vida pessoal.

Fingir ter prazer não ajuda a desenvolve-lo, pelo contrário, só desgastará mais ainda, refletindo em um desgaste no relacionamento como um todo, não apenas na vida sexual. Por isso, é importante a mulher não aceitar ter um relação precária, mas acreditar que é possível ter prazer sexual, desfrutando do sexo satisfatório e com prazer, que é digno e merecedor por todos, não apenas dos homens.

Mas como melhorar isso?

O primeiro passo é identificar que não está bom, e conseguir sinalizar isso com o parceiro. Quando há a compreensão do outro, pode ficar muito mais fácil de lidar com a situação. Muitas vezes queremos procurar culpados, ou o próprio parceiro se sente culpado disso. Esta não é a melhor solução. Para solucionar, é necessário identificar o que pode estar acontecendo, e buscar certos pontos que podem atrapalhar para o desenvolvimento do prazer.

Abaixo colocarei alguns direcionamentos para uma reflexão:

  • Como estão os cuidados com você? Sente-se bem com sua aparência? Sente-se atraente? Isto está relacionado com sua autoestima!
  • Você tem hábitos saudáveis? Exercícios físicos e alimentação equilibrada podem ajudar muito para uma disposição e um bem estar.
  • .. o estresse! Como você lida com ele? Controlar nossas emoções ajudam na relação com a outra pessoa e consigo!
  • Lazer, está presente em sua vida? E o lazer com o parceiro? Pense um pouquinho sobre isso.
  • Como está seu relacionamento? Seu parceiro pode contribuir muito para melhorar essa qualidade sexual. Converse sobre o assunto, identificando o que cada um gosta, fantasias, estímulos… nada melhor que o conhecimento para colocar em prática. Ah… e você se conhece? Autoconhecimento precisa ser valorizado!

E lembre-se, buscar uma ajuda profissional, a psicoterapia sexual, pode ser importante para obter um auxílio nesta busca pelo prazer, ao invés de fingir que está bom apenas para manter um relacionamento. O melhor caminho é acreditar que é possível ter uma sexualidade prazerosa e feliz.

Abraços,

Adriana Visioli

Leia também...

Deixe um comentário