Querido diário, ah não pera…

Querido AE, hoje, 23 de outubro de 2020, completo 7 meses de “quarentena”. Isso mesmo, acabo de completar 7 meses de 12, ou 214 dias, ou 30 semanas, ou 5136 minutos.

Continuo aqui, firme e forte, na bolha da quarentena. Usando máscara onde quer que eu vá, lavando tudo que entra em casa, passando álcool em tudo, deixando o calçado na porta, saindo o mínimo possível de casa, sem diversão, sem ver família, sem ver amigos.

Já riram de mim, fui chamada de louca, exagerada, medrosa, e quer saber? Me sinto bem assim! Só eu sei o quanto sofri em cada vez que tive que, por algum motivo, “flexibilizar” de alguma forma.

E por que eu vim falar sobre isso? Porque continuo achando, assim como no inicio disso tudo, que devemos ter empatia.

E agora, aqui nesse web-espaço, venho deixar meu mais singelo apelo:

Se você não tá mais vivendo a quarentena, ou o distanciamento social; se não acredita mais; já pegou COVID e ficou tudo bem; cansou disso tudo, ou não tem mais medo; não minimize o que o outro sente. Não seja esse tipo de pessoa! 

Cada um sabe de seu medo, suas dores, suas angustias, e não cabe a você, pequeno gafanhoto, querer desdenhar da dor do outro ou, até mesmo, querer impor sua presença na vida de alguém que está cumprindo com todas as orientações da OMS, enquanto você, alecrim dourado, não está mais.

Respeite o que o outro sente, assim como você respeitava lá no mês de março.

Veja bem, não estou aqui criticando seu atual modo de vida, afinal, cada um sabe o que é melhor pra si. Estou aqui pedindo para não criticar o meu e de quem quer se esteja, mesmo que a duras penas, cumprindo as determinações.

Pedindo que respeitem as pessoas e parem com as piadinhas e indagações.

Peço que, pelo menos por enquanto, pare de cobrar presença, ou pare de querer impor sua presença na vida de quem ainda não está preparado para viver presenças.

A gente também tá cansado, também tá com saudade de abraçar, aglomerar, sair sem máscara, mas, acima de tudo, sabemos que ainda existe pandemia e que milhares de pessoas estão morrendo, ainda sentimos medo, ainda respeitamos as outras pessoas e ainda nos sentimos solidários a tudo isso.

Acreditem, assim como muitos que já estão se sentindo seguros, quando eu estiver preparada, me sentindo também segura, sairei plena por aí. Por enquanto, sigo aqui, surtando, engordando, mas me sentindo segura, no meu cantinho.

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