Então, é Natal!

A época mais esperada do ano, celebra o nascimento do menino Jesus e nos remete à humildade de Deus e sua vontade de estar próximo a nós.

É um evento que deveria significar preparação e alegria na espera pelo nascimento do menino Jesus, e, no entanto, o que acontece é que a maioria de nós se preocupa mais com os preparativos para a ceia e presentes do que em vivenciar o advento.

Dedicamos nosso tempo à ceia, amigo secreto, presentes, presentes e ops, mais presentes. Perdemos tempo em longas e estressantes filas e o que não pretendíamos para depois demonstrar afeto por alguém através de um presente.

Ao invés de abraços, um pacote com laços.

-“Olha o que Papai Noel trouxe para você! ”.

Inspirado em um papa medieval, o bom (?) velhinho vestido de vermelho que estimula nosso espírito consumista, deveria expressar, sobretudo, o amor e doação ao próximo sem esperar retribuição.

Mas, comercializamos o barbudinho e ele passou a ser exaltado como símbolo de festança e comilança. Originário na Europa e adotado nos Estados Unidos, onde parte faz inverno nesta época, foi incorporado em vários países – o que justifica o pobre Noel usar trajes invernais em uma época tão quente por aqui..

Outro dia estava passeando pelo shopping com uma grande amiga e nos deparamos com vitrines decoradas lindamente para o natal. Enquanto eu fiquei ali fascinada olhando tudo aquilo ela refletiu: “Eis o nosso natal americanizado.”

Acho que é isso mesmo, ao passo que cultuamos a cultura alheia, celebramos mais o natal como festa do que como um momento de reflexão sobre a existência individual e coletiva.

E por fim, nos deparamos com homens usando gorro em pleno verão, botas e roupas sufocantes cercados de neve falsa e renas (que nem existem no Brasil), pais travando embate com filhos que querem presentes faraônicos, os filhos que nunca sabem o que comprar para os pais e a outra fatia de homens que não sabem diferenciar bege e “nude”, mas que querem a todo custo surpreender a amada.

Ano após ano, o cenário permanece: listas, compras, contas.

No mundo publicitário, mensagens carregadas de emoção se encarregam de convergir para o apelo capitalista da data e transformam a felicidade de reunir a família em entrega de presentes.

De outro lado para muitos, a data passou a despertar sentimento de tristeza por não poder rechear a árvore de presentes ou mesmo servir aquele delicioso banquete para os seus familiares.

Sem presentes, perde-se a empolgação para a celebração do natal e mais uma vez, o aspecto comercial da data encobre o de fato o natal deveria significar.

Na contramão disso tudo ainda acredito num encontro de presenças e não de troca de presentes, numa troca de afetos e não em uma troca de souvenirs.

Aposte em abraços demorados, um cheiro no cangote e um dedo de prosa. O presente deve ser coadjuvante e não protagonista do seu natal, opte por produtos que carreguem significado e desembrulhe sorrisos.

Feliz Natal

;*

@jannacamposp

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