Desembrulhe seus sentimentos

Desde quando se tornou normal esconder nossos sentimentos?

Principalmente por que fazemos isso?

Metade das pessoas que eu conheço dizem que, quando ignoram uma mensagem, ou reprimem o choro, ou simplesmente fingem não sentir algo que sentem; acham que, dentro de suas mentes, estão indo contra si mesmos. Então por que continuamos fazendo isso?

Porque é mais fácil fingir que não se importa, que não doeu, não sente, que não olha pra ciclano, que não pega as coisas no ar. Sabem aquele clichê “Você sabe quando a pessoa gosta de você?” Então, você sabe quando não gostam também.

Minha psicóloga disse uma vez que tenho talento pra atuar, escrevendo esse texto percebo que esse talento até poderia existir antes, mas foi treinado e treinado por muitos anos para chegar ao ponto que chegou – o de eu não tremer a voz quando minto sobre algo que sinto.

No que isso é saudável para mim? Pode me preservar externamente, preservar meu ego, minha vida social, se é que ela seria atingida, mas enfim, o que adianta esse sacrifício à custas da minha saúde mental?

Eu gostaria de poder escrever aqui como é possível controlar o sentimento, mesmo uma mera atração, pela aparência, personalidade ou simplesmente a possível amizade de alguém.

Mas não é.

Infelizmente tudo que vem do coração é intenso até para a pessoa mais fria. E sinceramente o que aconteceria se não fosse? Quais relações teríamos? Apenas as confortáveis? Aquelas que não nos causam medo?

Minha zona de conforto na área das emoções é muito clichê: almofadas macias, comédias românticas, romances literários, experiências de ousadias fracassadas e histórias que poderiam ter acontecido, mas não aconteceram porque eu tive medo de ir além. De encarar meus sentimentos.

Eu ainda tenho muito com o que lidar em relação ao meu ego e narcisismo.

Gostar de ficar sozinha, se sentir confortável com a sua própria companhia, ter amigos próximos e incríveis: nada disso passa uma imagem de alguém que precisa de um romance. E realmente, o meu sentimento de romântica incurável eu dedico aos livros que leio e escrevo e aos clichês no Netflix que são sempre os primeiros a serem assistidos.

Entretanto não quer dizer que eu não sinta falta disso na vida real.

Aliás alguém não tem esses sentimentos? Óbvio que em oitenta por cento dos meus momentos atuais eu gosto de estar solteira, mas ainda sim, há momentos que sinto falta de alguém perguntar:

Onde você está?

Já está em casa?

O que vai fazer amanhã?

Se isso é admitir alguma fraqueza, então eu sou fraca mesmo, uma fraca que tá pouco se importando pra sua opinião sobre isso.

Mais uma dúvida: Alguém supera totalmente outra pessoa sem resolver seus problemas? Porque eu não supero.

Não pensar na pessoa quando ela ta longe, do outro lado da vida dela, isso não é o superar!

Aqui eu digo sobre o superar que é você chegar numa festa, encontrar a pessoa e: Dane-se o que ela está fazendo, com quem está fazendo e principalmente COMO EU ESTOU AOS OLHOS DELA? Isso é o superar que eu quero dizer, e sinceramente meu ego se alimenta daquele olhar de surpresa quando alguém não me vê há muito tempo.

Escondemos nossos sentimentos, esquecemos de nos sentir a vontade com nós mesmos, somos praticamente escravos do que os outros pensam – pessoas que já importaram, importam hoje ou nem importam.

No meio de tudo estamos nós:  nos equilibrando nesse triângulo de expectativas inúteis.

Vocês devem estar pensando se isso vai mudar algo na minha personalidade atual…

Provavelmente não, porque tudo isso que coloquei no papel eu já tinha sacado e até desabafado com pessoas próximas em algum momento da minha vida; mas quem sabe não é um próximo passo?

Meu horóscopo disse algo sobre uma nova pessoa renascendo a partir das experiências do passado retornando. Quem sabe?

A questão aqui é, por mais emocional que eu me mostre no exterior: a pessoa que chora, que abraça, que fala o que sente para quem sente… É sempre o emocional da minha zona de conforto, sempre para pessoas que estão lá, que não interpretarão palavras e gestos errados, que sabem que eu sou assim: Essa menininha de 1,50 que sente muito e demonstra muito também – quando tem segurança.

Do resto, eu me limito. Testo o terreno para ver se é firme ou simplesmente não. Deixo de lado. Motivada pelo medo, insegurança, sensação de não ser suficiente.

Nem sempre eu me arrependo de ter feito isso, mas também nem sempre fico feliz; principalmente quando olho para trás e vejo o que poderia ter sido se tivesse prestado um pouco mais de atenção aos meus sentimentos, mas é aquilo, quando o coração não tá envolvido, quando você não vive mais aquilo intensamente, tudo fica mais claro.

Gostar de romances é um karma, do tipo que sempre vou carregar, esconder as emoções é o tipo de coisa que quero equilibrar, menos racional, menos medo de me machucar, mais ousadia.

A meta por si só já é ousada, mas quem sabe? 2020 ta aí, talvez eu e você possamos apostar nela…

Leia também...

Deixe um comentário