álcool em gel e dermatite de contato

Dá-lhe álcool gel: Dermatite de contato de mãos

Ninguém mais questiona a necessidade da higiene cuidadosa das mãos com água e sabão nem mesmo o uso do álcool gel visto que já estamos habituados com tais práticas desde meados de março em decorrência da pandemia da Covid-19. De fato, já faz parte do nosso cotidiano.

O álcool gel tem a propriedade de dissolver a membrana externa do vírus Sars-cov 2 responsável pela doença Covid-19. Tem uma gradação que varia de 64 a 71% e sua produção deve obrigatoriamente ter a regulamentação da Anvisa. Após 1 minuto de sua aplicação, que deve abranger toda a mão, entre os dedos, sob as unhas e punhos, o álcool gel já tem a capacidade de aniquilar o vírus. Isso se chama efeito viricida.

O manto lipídico (película gordurosa) protetor da epiderme (camada externa da pele) é retirado pelo álcool, e as repetidas aplicações vão agredindo a pele. O rompimento desta barreira cutânea expõe a pele a fatores externos causando eczemas ou dermatites – são sinônimos para definir um mesmo padrão de lesão de pele de caráter fixo e evolutivo, desde vermelhidão, até descamações. Já vimos isso acontecer na epidemia do Influenza H1N1 em 2009 e isso vem se repetindo.

Por definição a Dermatite de contato (ou Eczema de contato) é uma reação inflamatória na pele decorrente da exposição a um agente capaz de causar irritação ou alergia.

Existem dois tipos de dermatite de contato: a irritativa e a alérgica:

– Irritativa: causada por substâncias ácidas ou alcalinas, como sabonetes, detergentes, solventes ou outras substâncias químicas. Pode aparecer na primeira vez em que entramos em contato com o agente causador, o que ocorre com um grande número de pessoas. As lesões da pele geralmente são restritas ao local do contato.

– Alérgica: surge após repetidas exposições a um produto ou substância ao longo dos anos. Depende de sensibilização do sistema de defesa do organismo, o sistema imunológico e por esse motivo pode demorar de meses a anos para ocorrer após o contato inicial.

O que ocorre no caso do uso repetido do álcool gel são, sobretudo, as Dermatites de contato IRRITATIVAS. A pele vai ressecando, se torna avermelhada, evolui com alguma coceira ou ardor, fissuras, descamações e até mesmo podem infeccionar.

Para se minimizar esses efeitos, muitas formulações de álcool gel contém glicerina, mas nem sempre isso é suficiente dada a propriedade do próprio álcool de aniquilar a barreira lipídica da pele.

O uso de hidratantes em forma de cremes após o uso do álcool gel, ou mesmo dar a preferência para a lavagem de mãos com sabão, é a medida de maior contingência desta evolução para o eczema.

Não há a necessidade de ambos os procedimentos. Devemos reservar o uso do álcool gel para quando estamos em ambientes que nos impossibilitem a lavagem das mãos.

E quanto ao sabão para essa lavagem de mãos?

A grosso modo, pode ser qualquer um, contudo, se você já tem uma tendência a desenvolver dermatites, ou mesmo já a desenvolveu, sugiro que faça uso de sabonetes da categoria dos “syndets”.

Trata-se de detergentes sintéticos de PH entre 5 e 6 que não modificam o PH da pele (5 é considerado um PH neutro). Esta propriedade faz com que sejam menos agressivos à pele já sensibilizada, consequentemente causem menos ressecamento e irritação.

Se apesar de todas estas medidas você desenvolver o eczema irritativo em suas mãos e não conseguir minimizá-lo com as dicas acima, minha sugestão é de que procure um profissional habilitado para auxiliá-lo, que pode ser um Alergista ou um Dermatologista.

Melhor falar com quem entende do que sair comprando todos os cremes que encontrar nas prateleiras das farmácias e expondo a sua pele já danificada a sensibilizações alérgicas por vários produtos que fazem parte de formulações cosméticas e medicamentosas.

A dermatite de contato irritativa é solucionável e passageira já a dermatite de contato alérgica lhe acompanhará para sempre. Fique atenta para não facilitar sensibilizações.

 Continuem se cuidando pois vai passar.

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