Criança NÃO namora, por quê?

Talvez, você esteja aqui se perguntando por qual motivo leria um texto falando de um assunto tão óbvio. Afinal de contas, todos sabemos o porquê de crianças não namorarem. Elas não namoram pelo fato de haver um tempo específico para cada coisa na vida, por que a infância é uma fase importantíssima do desenvolvimento em que elas devem brincar, estudar, enfim aprender milhões de coisas, por que nem mesmo o corpo está preparado para namoros, e por aí vai… Acontece que tem um outro motivo pelo qual nós adultos não devemos incentivar essas fantasias no universo infantil. Qual? Vem comigo…

Primeiramente devo ressaltar que quando falamos sobre crianças não namorarem o que está em discussão sequer é o comportamento delas. Na realidade a discussão gira em torno do comportamento dos adultos, que muitas vezes, trabalho em escola e isso acontece MUITAS VEZES MESMO, questionam e incentivam os filhos, sobrinhos, afilhados a buscarem um par em sua turma. Depois de incentivar, eles comemoram e reforçam o “namoro”, estimulando a criança a escrever cartinhas, fazer desenhos, levar presentes, flores, lembrancinhas, etc. Mas não posso cometer a injustiça aqui de omitir o fato de que eles também orientam os pequenos… Afinal, depois de criar toda essa situação, os adultos explicam para eles que namoro de criança significa brincar juntos e no máximo pegar na mão.

Tudo isso está errado! Porque namoro significa:

relação afetiva mantida entre duas pessoas que se unem pelo desejo de estarem juntas e partilharem novas experiências. É uma relação em que o casal está comprometido socialmente, mas sem estabelecer um vínculo matrimonial perante a lei civil ou religiosa.

Nós adultos bem sabemos que brincar e lanchar juntos, algumas vezes de mãozinhas dadas não é namoro, são atividades que partilhamos com amigos.

Crianças aprendem muito por espelhamento, ou seja elas fazem o que elas veem, e a grande maioria delas convivem com adultos que namoram, os pais por exemplo (entre eles ou com outros pares), e o namoro destes adultos não se resume, e nem deve ou pode se resumir a fazer coisas juntos e de mãos dadas.

Abre aspas: eu não estou aqui dizendo que as crianças devam ou possam participar da intimidade do casal, CLARO QUE NÃO É ISSO! Estou dizendo que elas podem e devem reconhecer que trata-se de uma relação de exclusividade, um tipo de relacionamento que crianças não tem.

E agora você pode estar pensando que sobre tudo isso já havia lido e refletido, mas lá no começo eu propus uma nova observação sobre o tema. Pois bem, quero que você pense no que implica ensinarmos às crianças que o que nos interessa em suas vidas sociais é com quem elas namoram… Talvez você nunca tenha pensado no quanto nos é ensinado e imposto, e por isso está internalizada, a necessidade do “verdadeiro amor” para se alcançar o “felizes para sempre”. Essa leitura romântica da vida adulta, prejudica a saúde mental de milhares de pessoas, daquelas que não se encaixam no rótulo do “é impossível ser feliz sozinho” e que seriam muito felizes sozinhas se não acreditassem nisso, e também daquelas que não encontraram o “verdadeiro amor”, um par para dividirem o “felizes para sempre”

Embora possa não ser o seu caso, você há de concordar que para muitas pessoas o modo correto é “feliz para sempre” e que isto vai ganhar um significado diferente para cada um. Cada pessoa pode encontrar a felicidade ao seu modo, e este processo seria muito facilitado se estas pessoas tivessem sido empoderadas de seus sonhos e vontades, para além das expectativas alheias, filmes, músicas e contos de fadas de modo geral. Por falar em contos de fadas, os que estão sendo produzidos nos últimos tempos já tiveram essa sacada.

Eu não estou propondo que você prive as crianças ao seu redor da visão romântica sobre a vida, ou até mesmo de assistirem, lerem e escutarem as histórias, filmes e músicas clássicas que reforçam este sonho de “felizes para sempre”. Mas sim que você lhes permita construírem e sonharem seus próprios sonhos em seus momentos específicos e subjetivos. E que com elas você viva o “felizes por agora”.

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