Como melhorar a comunicação usando máscaras

Como melhorar a comunicação usando máscaras

Dias atrás, em uma conversa com os amigos, estávamos pontuando as dificuldades e adaptações nestes novos tempos e comentei que tenho percebido um aumento do número de pacientes que me procuram com queixas auditivas, principalmente desde que o uso de máscaras se tornou parte do cotidiano. Este acessório que nos protege também tem trazido muitos desafios na comunicação, principalmente para pessoas com problemas de fala e de audição.

As máscaras funcionam como um filtro para os sons de fala, bloqueando principalmente os sons agudos. As do tipo comum barram cerca de 4 decibéis, e as do tipo N95, usadas pelos profissionais de saúde, chegam a diminuir o volume em até 12 decibéis.

Em termos absolutos parece pouca coisa, não é? Mas além da diminuição da intensidade, a máscara abafa e distorce o som evocado. Também pode interferir nos movimentos da boca do usuário, dificultando a articulação para a produção de algumas sílabas.

Quase todas as pessoas utilizam algum nível de reforço visual nas conversas e as microexpressões faciais facilitam muito a compreensão, esses mecanismos preenchem as lacunas da fala ajudando o cérebro a ouvir.

Imagine então para um surdo que utiliza a leitura labial para entender o que é dito pelas pessoas? Mesmo na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), que se baseia nos movimentos das mãos, as expressões faciais são essenciais para a comunicação.

Todas essas mudanças justificam este cenário atual no qual muitos pacientes me procuram contando que já tinham dificuldade de audição leve e que agora não entendem mais o que é falado. Como também aqueles já em reabilitação auditiva (uso de aparelhos auditivos) reclamando de problemas para se comunicar.

E o que podemos fazer para minimizar este problema?

Se você está com dificuldade para ouvir uma pessoa que está usando a máscara, informe-a. Peça-lhe para falar devagar e repetir o que não entendeu. Posicione-se de frente para que a voz se projete em sua direção e evite conversar caminhando. Se possível, diminua os ruídos do ambiente.

Se você estiver na presença de alguém que está tendo dificuldades para ouvi-lo, pergunte como o ouvinte prefere se comunicar e ajuste sua fala de acordo. Diminua a velocidade do seu discurso, faça uma pausa e articule as palavras com cuidado. Evite gritar. Podem também ser utilizados outros suportes visuais como apontar para o objeto ou direção e usar gestos.

Para as pessoas que já tem deficiência auditiva, é importante que os aparelhos de reabilitação estejam regulados e funcionando em perfeito estado. As máscaras com visor transparente podem ser uma opção, porém não são utilizadas em todos os ambientes. Também existem aplicativos para celulares que transcrevem os áudios em texto que podem substituir a leitura labial.

Espero que as dicas ajudem em uma melhor comunicação. Lembrando sempre da necessidade do uso correto das máscaras.

Se cuidem e até a próxima!

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