Cocktail harmoniza sim.

O que vêm à sua cabeça quando você pensa em harmonia?

Dalai Lama? Monges tibetanos? Meditação com yoga? Xanddy?

Pode perceber que (quase) todas as suas referências apontam ao equilíbrio. Justamente porque harmonizar é equilibrar. Equiparar. Coexistir sem atritos ou sobreposição.

Apesar do conceito ser bem simples, na prática o samba é mais complexo. Então vem, neném, que eu te explico. (Parei com as piadinhas do Harmonia do Samba).

Pra quem já possui algum conhecimento de harmonização de comida e vinho, já tá com meio caminho andado, porque o básico é bem parecido: acidez e picância não combinam; doce combina com doce; o salgado intenso pede maior equilíbrio de teor alcoólico e amargor e taninos devem evitar amargor da comida.

Essas são algumas regrinhas de harmonização de vinhos. Regrinhas não, são mais como diretrizes. A maior regra de todas é: paladar é algo muito particular, e aquilo que te faz feliz é sempre a melhor pedida na harmonização. Mas, quando se trata de acertar melhor na tentativa e agradar paladares dos mais diversos, podemos seguir algumas dicas.

Estabelecida a única regra de todas, vamos às diretrizes. Poucos falam sobre harmonização de cocktail com comida por ela ter uma complexidade muito alta. Explico. Com vinhos, o sabor do vinho é invariável, sendo a comida a grande variável que irá ditar qual vinho deve ser harmonizado para não brigar com o sabor do prato e tornar a experiência gastronômica mais prazeirosa.

No caso do cocktail, o jogo vira uma harmonização de duas variáveis. Os dois lados da equação podem se mover, fazendo com que os sabores não só conversem entre sí, mas também se complementem, muitas vezes.

Uma diretriz importante que usamos para vinho e para cocktail é a possibilidade de harmonizar por semelhança ou por contraste. Vamos ao exemplo que ajuda a entender melhor.

Uma comida rica em gorduras, que é mais pesadinha na untuosidade, pede uma bebida que tenha corpo e complexidade suficientes para não sumir frente ao prato. Esta é a harmonização por semelhança. Entretanto, se pensarmos que algo com acidez elevada pode ajudar a limpar o paladar e causar uma salivação boa ao prato, temos a harmonização por contraste. Desta forma, a famosa harmonização feijoada e caipirinha nos dá o caminho das pedras de como podemos juntar cocktails e comida em equilíbrio.

Pra finalizar os exemplos, se temos pratos leves, uma bebida muito encorpada, com amargor ou taninos altos, muito doce ou muito intensa vai se sobrepor ao coitado do prato delicado. Talvez algo mais seco, mais floral e mais aveludado combine super bem.

Perceba que em algum lugar do texto eu parei de falar VINHO e substituí por BEBIDA ou COCKTAIL. Pois é. A harmonização vai surgindo como algo bastante intuitivo conforme vamos percebendo os detalhes do bom senso.

Para finalizar, como na coquetelaria podemos adicionar ou subtrair ingredientes para harmonizar melhor, é interessante pensar em ingredientes que se complementem como especiarias e frutas, para elevar o nível de inteiração da harmonização proposta. E lembre-se: Mantenha a cabeça aberta!

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