Banalização da cirurgia plástica

Cirurgia Plástica, para quê?

Calma, não estou aqui para condenar a escolha de passar por intervenções cirúrgicas para mudar aquilo que deseja ou desagrada. Também não irei colocar em questão os créditos da Medicina e tudo o que ela possa oferecer a nosso favor. Mas vale, e muito, pararmos para refletir exatamente isto: Cirurgia plástica, para quê?

Em termos gerais, a cirurgia plástica pode ser dividida em reconstrutora e estética.

A cirurgia plástica reconstrutora é aquela realizada com o objetivo de corrigir as deformidades funcionais e/ou motoras, por exemplo: reconstrução de mama pós-retirada por câncer; retirada de sinais e tumores de pele; tratamento de queimaduras extensas, etc.

Já a modalidade estética, é utilizada para remodelar as estruturas normais do corpo, com o objetivo principal a melhoria da aparência e autoestima do paciente, tais como: rinoplastia (cirurgia do nariz), lipoaspiração (cirurgia para remoção de gordura localizada), dermolipectomia abdominal (cirurgia para remoção do excesso de pele abdominal), mamoplastia redutora (cirurgia para redução e suspensão das mamas), mamoplastia de aumento (cirurgia para aumento das mamas, geralmente com próteses de silicone), etc.

E será sobre a segunda modalidade (e suas implicações psicológicas) que irei comentar neste post.

Sabe-se que, na maioria dos casos, a cirurgia plástica aumenta a autoestima e a harmonia interna dos pacientes, sanando a parte do corpo considerada problema, alterando positivamente suas relações interpessoais.

Segundo a antropóloga Mirian Goldenberg, são três as principais motivações para fazer uma plástica:

atenuar os efeitos do envelhecimento, corrigir defeitos físicos e esculpir um corpo perfeito. No Brasil, esta última motivação é a que mais cresce: a busca de um corpo perfeito. Mas o que é o perfeito? Como atingi-lo? E será que ele realmente existe?

De fato, existe a cobrança social por uma imagem corporal que seja bela, a mídia nos transborda de informações que associam beleza física ao sucesso, e o padrão desta beleza muda a cada carnaval. Seguir esta instabilidade é caminhar cada vez mais distante da autoaceitação.

O que se entende por “belo” pode mudar de pessoa para pessoa (além de mudar de cultura para cultura, de época para época, etc) e por mais procedimentos estéticos que façamos – cirúrgicos ou não – ainda assim estaremos sujeitos ao olhar crítico do outro. Portanto, a compreensão daquilo que somos e das nossas qualidades deve ter papel mais importante nas nossas vidas, porque a aceitação do outro pode depender de fatores que nem sempre podemos controlar.

Os benefícios trazidos pela cirurgia plástica parecem óbvios para o paciente, mas este também deve ter a clareza que existem riscos, que o pós-operatório será difícil, que existem limites para a cirurgia e as mudanças geradas por ela.

É natural que processo de escolha à cirurgia plástica envolva ansiedade, o perigo se encontra quando esta ansiedade atrapalha o paciente a refletir de forma responsável na hora de escolher o procedimento a ser realizado e até mesmo o profissional que irá realizar, colocando sua saúde (e vida) em risco.

Deve-se levar em consideração qual está sendo a verdadeira motivação da cirurgia, o paciente deve se questionar se está fazendo isto para si, ou para o outro (e este questionamento pode ser bastante complexo e doloroso). Afinal, o que se espera do procedimento irá influenciar muito na satisfação dos resultados, e o entendimento dos fenômenos psicológicos que estão relacionados à escolha de se submeter a cirurgia é fundamental.

A cirurgia por si só não tem o poder de salvar um casamento infeliz, conquistar mais amigos ou amores, nem fazer com que os outros nos gostem mais… Sendo assim, este resultado que vai além da estética, dificilmente será alcançado.

É importante, então, antes de qualquer cirurgia, que sejam considerados fatores como:

  • Compreensão realista do seu objetivo;
  • Conhecimento das possibilidades da cirurgia;
  • Maturidade emocional;
  • Percepção adequada da sua imagem corporal;
  • Responsabilidade na hora da escolha (procedimento, profissional).

Para assim, conseguir responder com propriedade (segurança e espontaneidade) a pergunta:

Cirurgia plástica, para quê?

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