Hoje vou falar com vocês sobre um tema bem conhecido, o qual todos tem opiniões bastante fundamentadas quando ainda não tem filhos. Porém, antes de discorrer sobre ele preciso fazer um esclarecimento: Eu sou psicóloga, ok? O meu olhar para isto é focado no desenvolvimento emocional, por isso, muitas vezes, a minha opinião sobre a Chupeta diverge da opinião de profissionais da odontologia, pediatria e fonoaudiologia, haja vista que para alguns trata-se de uma vilã e para outros de uma mocinha, enquanto para mim ela pode ser vilã e pode ser mocinha…

Como vocês já devem saber, a chupeta foi inventada para sanar as necessidades orais dos pequenos. Quando nascemos temos todos os sentidos alterados, então passamos a conhecer o mundo pela boca, e é por isso que os pequenos colocam TUDO dentro dela.

A este momento que vai do nascimento até os dezoito meses Freud deu o nome de Fase Oral e, durante este período, chupetas e mamadeiras são mocinhas, que auxiliam no desenvolvimento, pois trata-se de uma necessidade emocional.  Quando passam de um ano e meio, normalmente os pequenos tem na chupeta uma segurança e são acostumados com ela a dormir, relaxar em momentos de atividades mais calmas (como ver desenho por exemplo) e se acalmar quando estão frustrados por algo. Neste período que usualmente demora mais dezoito meses a chupeta pode tanto ser Mocinha, quanto ser Vilã. Quanto mais vilã a chupeta for durante este tempo, mais difícil e traumática tenderá a ser a sua retirada.

Quando a criança já passou dos três anos e ainda não foi feita a desvinculação da chupeta, salvando-se aí exceções muito raras, este objeto torna-se exclusivamente vilão, pois começa a tornar os pequenos dependentes, e infantiliza-os, ou como eu costumo dizer “embebeza” (do verbo inexistente: “embebezar” que eu criei para falar de quando algo ou alguém transforma uma criança em um bebê).

Talvez você esteja confuso ou confusa, pensando que eu não vou explicar nos mínimos detalhes o que quero dizer com a chupeta ser mocinha ou ser vilã… Mas eu vou sim… Vamos?

A Chupeta é Vilã quando…

  • Quando os adultos são mais dependentes do que a criança: carregando a chupeta por onde o(a) filho(a) for e o lembrando a todo momento, impedindo que vá a algum lugar sem leva-la.
  • Quando a criança dorme a noite toda com a chupeta: sei que não é minha área mas não podemos ignorar o fato de que isto prejudica o desenvolvimento oral dos pequenos.
  • Quando a criança fica mais tempo acordada com a chupeta do que sem ela: muitas vezes eles conversam, pedem coisas, interagem de modo geral sem retirá-la, isto dificulta a comunicação e ensina uma mensagem de que podem fazer tudo com a chupeta na boca, o que não é verdade.
  • Quando a chupeta é um recurso utilizado imediatamente a situações que causam algum nervosismo na criança: pois é, dava pra escrever só sobre isso um texto inteiro… vocês já refletiram sobre o que significa ensinar os pequenos (bem pequenos) a colocar algo na boca (que mais tarde poderá ser comida, cigarro, objetos, dedo, etc.) para lidar com os sentimentos ruins? Reflitam!

A Chupeta é mocinha quando…

Dava só pra pensar no contrário mas eu vou explicar bem explicadinho!

  • Quando os adultos não dependem da chupeta: esqueça-a, se seu filho perder deixe que ele procure, você não precisa escondê-la, mas também não precisa sair de casa de madrugada desesperado para comprar outra. NÃO ensine e nem reforce o seu filho a ser um dependente com crises de abstinência.
  • Quando a chupeta sai da boca logo depois que a criança adormeceu: algumas crianças largam a chupeta após dormir, se isso não acontece com a que está aí na sua casa, retire você da boca dela logo que tiver dormido.
  • Peça para a criança retirar a chupeta para falar: eu sei que você consegue entender o que o seu(sua) filho(a) fala com a chupeta na boca, mas finja que não consegue. A fala começa a se desenvolver neste período em que as crianças usam chupeta. Não permita que a mesma seja impedida por este objeto.
  • Quando seu(sua) filho(a) estiver nervoso, frustrado, triste, ensine-o a lidar com este sentimento: este tema não só daria, ele dará outro texto inteiro, mas, enquanto isto não acontece, a dica resumida é: permita à criança desde bem pequena acessar sentimentos que não são bons, ela vai enfrenta-los durante a vida e é importante que saiba lidar com eles.

Agora você pode estar apavorado ou se perguntando qual a melhor maneira de retirar a chupeta do(a) seu(sua) filho(a), só que isto eu explico daqui uns dias por que hoje já escrevi demais…

Pense, repense e observe-se neste contexto de tudo o que foi descrito, se tiver dúvidas, divergências, reclamações, pedidos de socorro, etc., me escreva, e aguarde!

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