Pegando o gancho do meu antecessor neste honroso site como colunista de cerveja, o beer sommelier Anderson Cesari, que já fez aqui previamente uma postagem sobre as cervejas azedas, hoje decidi iniciar uma série descrevendo melhor cada uma delas, e nada melhor do que começar com ela, a primeira, e (ainda, mas espero que por pouco tempo) única: Catharina Sour.

Esse é o primeiro estilo de cerveja brasileiro, oficialmente reconhecido pelo guia BJCP (já citei ele na ultima postagem, lembra?). E eu acho que você deveria gostar disso. Já te explico o porque. Mas vamos a ela.

– O que é o estilo Catharina Sour, Rodolfão?

Pega um copo, abre a gela, e senta aí que eu te conto!

É uma cerveja de trigo de alta fermentação com acidez lática com acréscimo de frutas. Amargor mínimo, corpo leve, álcool baixo e ótima carbonatação. As frutas usadas podem ser variadas: uva goethe, jabuticaba, bergamota, butiá, manga, pêssego, maracujá, cupuaçu ou tantas quantas estiverem disponíveis na rica flora brasileira e a criatividade do cervejeiro mandar, e até café ou especiarias.

– Beleza! Mas dá pra me explicar antes o que é esse tal B-J-Ceilá-das-quantas?

O Beer Judge Certification Program (BJCP) é uma organização que julga e certifica estilos de cerveja de todo o mundo. São mais de 7 mil juízes de 40 países. É o maior guia de estilos do mundo cervejeiro e principal norte na produção e análise sensorial das bebidas, junto com o BA (Brewers Association) dos Estados Unidos.

– Ah! Massa! Mas agora, voltando ao assunto, me conta o porque que eu devia gostar dela?

Baseada no clássico alemão Berliner Weisse, bebida de trigo ácida e leve original da região de Berlim, a Catharina Sour se diferencia nos ingredientes. Além dela ser um pouco mais alcoólica (enquanto a versão alemã fica em no máximo 3,8% de álcool, a brasileira vai de 4% a 5,5%.), é obrigatória a adição de frutas (É nesse ponto que a gente faz a diferença!).

Além da rica flora brasileira com com toda a infinidade de frutas nativas do nosso ecossistema, também estão presentes em suas cascas (e em tudo ao nosso redor) leveduras, que nada mais são que o agente responsável pela fermentação do nosso amado líquido sagrado (não necessariamente dourado), que podem ser isoladas e estudadas, e, num futuro, espero eu, não muito distante, ser usadas para fermentar nossas cervejas, conferindo ésteres (aromas provenientes de fermentação) ainda mais exclusivos da nossa terra brasilis.

– Mas por que então, Catharina Sour? não seria uma Brazilian Sour?

Aí é onde entra a história dela.

A partir do final de 2014, cervejarias catarinenses, gradativamente, foram lançando cervejas baseadas no estilo alemão Berliner Weisse, porém, com adição de frutas.

O estilo passou a se popularizar mais em 2016 quando a Acasc (Associação das Micro Cervejarias Artesanais de Santa Catarina) tomou a iniciativa em conjunto com cervejeiros do estado de Santa Catarina para propagar esta modalidade de cerveja.

Ainda no mesmo ano a Acasc realizou o primeiro workshop para definições conceituais e técnicas de produção do estilo Catharina Sour produzido hoje pelas principais cervejarias do estado.

Por fim, vale mencionar que, por enquanto, a menção dela no BJCP ainda é temporária, mas já é um grande passo para a padronização e reconhecimento internacional do estilo.

Ainda falta muito para que sejamos uma escola cervejeira, mas ao menos já estamos dando os primeiros passos dessa longa caminhada.

E aí? O que achou da Catharina Sour? Melhor que isso só provando né?!

Anota aí!

– Schornstein Catharina Sour Cupuaçu;

– Blumenau Catharina Sour Son of a Peach;

– Lohn Bier Catharina Sour (diversas: bergamota, uva goethe, jaboticaba, pessego);

– Verso Catharina Sour.

Entre tantas outras, esse é um bom começo pra quem quer provar as azedas. Você vai fazer umas caretinhas no primeiro gole mas depois vai amar! Estou seguro disso! Saúde!

Leia também...

Deixe um comentário