O resultado que eu realmente queria. A lista carregando no celular e novamente a sensação de não achar meu nome nela. Minha cabeça rodou e eu me afastei já chorando. Liguei para os meus pais, dei novamente a mesma notícia que dei no post “A sensação de não passar no vestibular” e respirei fundo:

“Eu iria para o Mackenzie”

Um dos meus lugarzinhos favoritos para ficar no Mackenzie. Tirei essa foto um dia antes de ir embora, é a definição do quanto aquela semana foi incrível comigo e para mim.

A primeira mensagem enviada foi para meus pais, quase imediatamente meu pai perguntou em qual colocação eu tinha ficado no vestibular da UEM e, pela primeira vez, eu percebi que não sabia.

Não ver meu nome na lista já tinha sido choque suficiente, quando voltei pro arquivo, procurei meu nome no listão geral e chequei: 35º de mais de 600 concorrentes. Eram 26 vagas, com uma lista de chamada que rodava bem de certa forma. Eu tinha chances. E eram absurdamente altas. Eu poderia entrar em uma faculdade pública como sempre sonhara. Não apenas uma, mas a faculdade da cidade pela qual eu tinha me apaixonado desde o minuto em que coloquei os pés. A sensação de que era pra lá que eu iria era mais forte do que nunca.

Mas a próxima lista só saía em 2 semanas e nesse meio tempo eu tinha as aulas do  Mackenzie – faculdade particular que eu tinha passado em Campinas SP – começando, a primeira semana, do trote, eu matei; em parte porque não tinha onde ficar, em parte porque ainda estava decidindo o que faria em seguida. Ninguém nos fala, mas quanto mais importante é a fase da sua vida, mais pessoas dão palpite nela, é o momento ideal para colocar em prática a frase: “Abstrai e finge demência”.

Enfim, na segunda semana eu e meu coração já sabíamos que eu deveria ir, meus pais não se impuseram, o que agradeço de coração porque, provavelmente, seria uma pessoa diferente no meu primeiro dia em Maringá sem ter passado por Campinas, e nós três sabíamos disso, na cabeça deles e na minha,  seria o test drive pra minha nova vida. Chegamos Domingo à tarde com um total de zero coisas necessárias pra minha casa, embora eu estivesse com quase duas malas lotadas. Três horas de compras básicas depois, eles foram embora chorando e me deixaram no quartinho do pensionato de freiras com muita coisa nova e uma dor no coração.

Minha semana em Campinas foi incrível. Minha única noite em claro foi a primeira, como a menina do pensionato tinha dito na manhã seguinte que seria. Antes daquela noite de Domingo, eu já tinha amigas no pensionato e, na manhã seguinte, experimentei o que seria uma prévia de boa parte da minha vida universitária: Eu chegando atrasada na faculdade, naquele momento foi porque me perdi no prédio; nessa mesma segunda, encontrei minha amiga de vestibular, com quem conversava há quase seis meses sobre vestibular e encontrei minha amiga, diretamente da minha cidade,e veterana que, além de almoçar comigo, me mostrou a faculdade inteira e me ensinou a mexer em tudo, nunca mais me perdi depois disso.

À tarde, o combinado era estudar na faculdade, uma biblioteca linda e moderna, já lá eram 14 ou 15 horas quando o resultado da lista de chamada da UEM saiu, não o definitivo, apenas o número de vagas disponibilizada. Eu não tenho certeza, mas acho que meus olhos brilharam com o número: 10. Eu era a nona na lista de espera e lá estava o resultado: Dentro.Eu estava dentro da UEM.

Liguei para a minha mãe da biblioteca, entre as estantes e falando bem baixinho contei a novidade com lágrimas nos olhos, me recompus e voltei a mesa, eu não queria contar nada a ninguém, nem entregar com meu rosto o resultado ate o definitivo ser postado na quarta. Claramente isso não aconteceu e dessa vez foram os genes da minha família os culpados e não eu, propriamente dita: Basicamente enquanto eu contava para duas pessoas, minha mãe mandava mensagem abertamente no grupo da família, com mais de vinte pessoas. A irritação veio forte junto com a superstição, por que eu não queria contar? Porque eu tinha medo que, lá na quarta feira, qualquer coisa desse errado e, por algum motivo, a aprovação não viesse.

Essa foi a foto da minha recepção de calouros – a terceira que eu vivi e mais tradicional do curso

Por sorte, isso não aconteceu: quarta e o resultado definitivo chegaram rápido. No fim, meus pais foram me buscar no sábado e até lá eu corri feito uma louca me despedindo dos meus amigos de Campinas, estudando, saindo e correndo atrás dos documentos da UEM. Foi minha primeira semana independente, como “adulta”, correndo atrás de tudo e o fim dela mostrou que eu era mais do que capaz de fazer tudo aquilo – e muito mais. Voltei pra Catanduva e tive três semanas antes de me estressar procurando apartamento em Maringá, e depois mais três antes de ir pra lá. Infelizmente não tive tempo de ter trote, mas a experiência por si só foi incrível.

Aquela semana em Campinas e a definitiva aprovação no vestibular que, sim, era a faculdade dos meus sonhos fez o ano do cursinho valer a pena. Mais do que eu já sabia e sentia que ele tinha valido. Foi como o check: tudo o que estudei tinha funcionado, eu estava realizando meu sonho. E no fundo eu já sabia que isso aconteceria, mas como toda boa supersticiosa eu não queria falar nada antes que se realizasse, com medo de estragar a sorte. Quase oito meses depois desse dia eu posso falar, gritar e rir dessa história porque aconteceu. Campinas também tinha sua função na minha vida me tornou próxima de pessoas que eu nunca imaginei antes e que até hoje estão aqui, a uma mensagem de distância.

A UEM é linda, na mesa vibe de Maringá toda cheia de árvores, tenho mais fotos dela do que minhas na galeria

 

Nem tudo ocorreu como planejei, no começo de 2018 eu queria UEL, depois lutei pela USP e no meio do ano, quando conheci a UEM eu soube que era pra lá que eu deveria ir, mas também entendi, ainda no dia do vestibular pra lá, que o Mackenzie tinha que acontecer, por uma única semana que fosse, ele tinha um papel na minha vida. Como quase tudo.

Hoje eu estou passando meus perrengues, mas vivendo um sonho sim! Na minha descrição eu falo, mas é bom deixar claro: Seu mundo muda muito depois da aprovação e passar pelo “Não” antes te faz muito melhor por dentro. O seu sonho não será perfeito, será exatamente o que tem que ser – Inesquecível quem sabe? – e é bom aproveitar porque passa muito rápido – afinal esse texto todo aconteceu há quase um ano, eu só tenho mais quatro.

O que eu fiz pra passar? Durante meu ano de cursinho eu estudava em torno de 12h por dia, entre aulas e estudo; mentalmente e psicologicamente, entre vários surtos, eu tinha suporte da minha família, tratamento médico psicológico. Perto da UEM, as provas de somatória tomaram conta das minhas tardes, o foco era verdadeiro. Durante a prova? Eu já disse que amava Maringá e, naqueles três dias, eu não tinha possibilidade de aprender mais nada, então eu simplesmente esquecia da prova, aproveitava a cidade como se estivesse de férias. Esforço e méritos? Com toda certeza. Mas muitos privilégios também: Um cursinho caro, pessoas maravilhosas ao meu lado entre professores, pais, família, psicólogos e amigos me lembrando da minha força. Tudo contribuiu para esse resultado.

*Qual dica eu posso te dar, com base na minha experiência? Se você sempre perseguir um único resultado nunca vai sair do lugar, se não enxergar tudo a sua volta não vai perceber como o mundo é muito maior que o seu medo, como você é muito maior que o seu medo. Seu esforço vai valer a pena como o meu valeu e eu falo diretamente pra você que precisa ouvir isso. Supersticiosa ou não, o mundo sempre nos traz o melhor para nós naquele momento.

Por fim, eu deixo esse pôr do sol maravilhoso da minha cidade. Tudo realmente dá certo e se encaixa quando tem que ser

Leia também...

Deixe um comentário