Ansiedade infantil. Ansiedade de quem?

Hoje vou falar sobre Ansiedade Infantil, você sabe como resolver este problema?

Vem comigo…

O poeta Renato Russo escreveu em uma de suas canções que o mal do século era a solidão. Como todos devem saber, ele se referia ao século passado. Talvez atualmente devêssemos parafraseá-lo dizendo que o Mal do século é a Ansiedade. E como os comportamentos das crianças funcionam de bode expiatório dos adultos, a Ansiedade Infantil.

Me surpreende O QUANTO pode ser difícil às pessoas compreender que se uma criança nasce neste mundo acelerado, onde vivem pessoas aceleradas, a tendência lógica é que ela se comporte desta mesma forma.

Com frequência pais me procuram com a queixa específica “Meu filho não sabe esperar” ao que eu digo “E ele sabe andar de bicicleta?” se esta resposta for sim ou se ela for não o fato é que é do conhecimento de todos que ninguém nasce sabendo andar de bicicleta e nem sequer aprende sem que haja uma bicicleta para poder treinar. Pois bem, se a bicicleta é indispensável para se aprender a pedalar, o enfrentamento da ansiedade através da espera é indispensável para se aprender a não ser ansioso.

Ficou confuso? É que talvez tenha ficado tão simples que é inacreditável. É óbvio mas não é fácil, ainda mais quando já se ensinou esta criança a ser reforçada por sua ansiedade, dando a ela o que quer no momento em que deseja. Na realidade quanto mais grave e quanto maior o tempo de persistência dos sintomas ansiosos, mais difícil de dribla-los, porém NÃO É IMPOSSÍVEL.

Preciso lembrar que é de responsabilidade dos pais a proteção da saúde mental das crianças também, e que não enfrentar o repertório que se criou em torno disto é promover e alimentar transtornos de ansiedade infantil tais quais:

  • Transtorno de Ansiedade de Separação; (reveja o post sobre o assunto AQUI)
  • Transtorno de Ansiedade Generalizada;
  • Transtorno de Ansiedade Fóbica;
  • Transtorno de Ansiedade Social;
  • Transtorno Obsessivo- Compulsivo; e
  • Transtorno do Estresse Pós-Traumático.

Segundo estudos, estes transtornos tem seu curso mais grave na vida adulta quando seus sintomas são de início precoce, ou seja começam na infância. Assustou? Mas calma, não estou aqui dizendo que todas as crianças que manifestam comportamentos ansiosos já possuam algum transtorno, mas sim advertindo sobre a importância da família manejar este comportamento, lidando com ele ao invés de reforçá-lo.

Talvez você esteja atônito e se perguntando “E o que eu faço agora?” E aí fiz uma listinha:

Antes de tudo, para auxiliar uma criança a não ser ansiosa é necessário trabalhar com seus próprios sintomas ansiosos, até mesmo porque é preciso muita habilidade para lidar com a ansiedade dos filhos do modo como se deve, em paz.

Exercícios de contar tantos segundos, respirar um número específico de vezes, ou até mesmo de estipular um prazo, como por exemplo “filho, às cinco horas da tarde faremos isto que você quer” e cumprir à risca é claro, também são muito úteis e eficazes.

Esconder da criança eventos importantes para que ela não fique ansiosa vai na contramão de ajudá-la a lidar com isto, assim como deixar a bicicleta guardada não contribui em nada para que seu filho saiba utilizá-la.

Manter a criança informada sobre tudo o que vai acontecer é uma forma de reduzir a ansiedade também.

Promover o ócio de seu filho além de motivar a criatividade é uma forma de ensiná-lo a lidar com possíveis sintomas ansiosos que surgirão.

Em muitos casos não podemos dispensar a ajuda de um profissional, e então um psicólogo deve ser consultado para que toda a família se veja livre do mal que é a ansiedade. Se este não for o seu caso, pense e aja dentro do que foi explicado aqui, se perceba e observe as dificuldades que virão, pois elas serão dados importantes em uma possibilidade de tratamento posterior.

Por fim, busque desacelerar mesmo que um pouco. A sua saúde mental e da sua família agradecem.  

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