Primavera e a alergia aos pólens

E assim chegou a Primavera, a estação mais florida e colorida do ano e junto dela vêm também a alergia aos pólens.

A incidência de alergia aos pólens vêm aumentando muito nas últimas décadas no sul do nosso país. Antes isso era coisa de hemisfério norte. Cidadãos dos Estados Unidos, Europa e até mesmo do Japão padecem fortemente no período da Primavera há muitos anos. Lá é essa a causa de alergia respiratória mais frequente. Vale ressaltar que cada país/região do mundo têm seus pólens específicos causando alergias. Por exemplo, na Europa o pólen das oliveiras é muito alergizante. Aqui no Brasil não temos alergias a este pólen visto que não temos plantações de oliveiras. É tudo muito regionalizado.

Atualmente toda a região sul do Brasil sofre com a alergia polínica. Dados brasileiros revelam que 22% das crianças brasileiras têm sensibilização ao pólen de gramíneas em pesquisa de anticorpos IgE específicos no sangue. Cerca de 25% dos adultos que vivem no sul do país têm alergia ao pólen. Acredita-se que mudanças climáticas têm contribuído para o aumento dessas alergias pois prolongam o tempo da estação polínica. Além disso já foi demonstrado que plantas da mesma espécie crescendo em áreas rurais produzem menos grãos de pólens  e com menos conteúdo alergênico do que aqueles crescendo junto de cidades e expostos a poluição.

Você sabia que nem todos os pólens podem causar alergias?

Pois então, nem todos têm potencial alergênico.

Apenas pólens de determinadas plantas são estruturalmente capazes de gerar anticorpos. Uma de suas características é serem muito pequenos, leves e carreados pelo vento. De longe as gramíneas são as grandes vilãs. Capim mesmo, que temos em nossas beiras de estrada e cidades. Nada de cimentar jardim, heim! Grama de casa não tem propriedade alergizante. Alguns tipos de arbustos e árvores também tem esse potencial. E mais um ufa! As flores. Lindas, coloridas, exuberantes e que deixam nossas casas tão charmosas têm pólens enormes e também não são alergizantes. Bora deixar a casa linda nesta Primavera!

E quais são os sintomas de alergia polínica?

Basicamente sintomas respiratórios e oculares, desde sintomas de Rinoconjuntivite (sintomas nasais e oculares) como coriza abundante, crises de espirros, prurido e obstrução nasal, olhos vermelhos, coçando, lacrimejando e aquela fisionomia de quem está a estação toda congestionado.

Crises de asma, inclusive crises bastante graves podem advir de alergia polínica com tosse, chiado e falta de ar importante.

Infelizmente a prevenção a alergia aos pólens é impossível de ser feita visto que a exposição a esses é inevitável. Medicamentos para Rinite, Conjuntivite e Asma são capazes de amenizar as crises e deixar o paciente mais estável durante este período. A notícia boa é que dispomos de tratamentos muito eficazes com vacinas  com extratos alergênicos específicos (Imunoterapia específica). Esses tratamentos devem  ser muito bem indicados após a documentação de relação entre o pólen específico como o real causador dos sintomas no paciente que se obtêm através de história clinica detalhada e Testes alérgicos. O médico Alergista e Imunologista é o profissional apto a fazê-lo. Esta Imunoterapia poderá ser administrada de forma subcutânea ou sublingual por um período não inferior a 3 anos (3 a 5 anos), o que resulta em diminuição importante dos sintomas durante as estações polínicas e até mesmo resolução plena dos mesmos com o decorrer do tratamento. Esta proteção se mostra eficaz também a longo prazo após o término do tratamento bem como inibe futuras e outras sensibilizações. O acompanhamento de um médico Alergista é fundamental.

Não raramente me perguntam sobre o incremento das alergias em todo o mundo. E isso é fato. As alergias vêm aumentando de forma exponencial nas últimas três décadas. Interessante como tudo se interliga em nosso planeta. Fica uma dica para a reflexão sobre nossas ações e comportamentos.

Até. Nos vemos em breve.

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