Alergia alimentar em cães

Lucas André Ludwig

Em um contexto não distante, ao analisarmos a relação dos humanos com os pets, perceberemos que a maioria dos cães habitavam as áreas externas da residência, muitas vezes servindo como guarda. Atualmente os cães são parte da família. São chamados de filhos, netos. Este processo de evolução levou estes animais à uma exposição variada de alimentos ao longo da vida.

Não só as rações, que contêm fontes variadas de alimentos a fim de obter-se o balanço nutricional, bem como petiscos, biscoitos, frutas, embutidos e, muitas vezes, parte do alimento que os humanos ingerem em suas refeições. Associada à esta ampla exposição alimentar, entra a teoria da higiene. Com os pets criados em ambiente intradomicilar frequentemente higienizado e banhos frequentes, por exemplo, a evolução tratou de fazer com que o sistema imunológico destes indivíduos, ao invés de tolerar diversos agentes com potencial alergênico, começasse a reagir contra. Ainda, a reprodução desordenada de animais por objetivos financeiros fez com que genes ruins fossem perpetuados. Isso é parte de um todo que explica o boom de alergias que observamos nas últimas décadas.

Primeiramente, devemos entender que alergia alimentar não é a mesma coisa que intolerância alimentar. Esta última baseia-se na intolerância gastrointestinal frente a algum componente da dieta. Manifesta-se basicamente como diarreia, vômitos e emagrecimento.

A alergia alimentar envolve mecanismos imunológicos e pode manifestar-se em sinais cutâneos, especialmente coceira e inflamação. Cães alérgicos a algum alimento podem coçar intensamente a boca, ânus, patas, axilas e abdômen e orelhas. É comum o desenvolvimento de infecção de pele secundária nestes locais. Vômitos e diarreia esporádicas também podem ocorrer.

Sintomas de Alergia alimentar em cães

Qualquer alimento pode desencadear alergia. Contudo, proteínas e carboidratos são os nutrientes mais relacionados. Estudos apontam que os alimentos mais frequentemente relacionados em cães são a carne bovina, produtos lácteos, carne de frango, trigo e carne de ovelha. Alimentos menos relatados são soja, milho, ovo, carne suína, peixe e arroz. Fora estes alimentos já citados, na minha experiência prática, já observei cães que reagiam até a legumes, como a cenoura, por exemplo.

O diagnóstico demanda certo tempo e é baseado em uma anamnese completa com o tutor do animal, exclusão de outras doenças cutâneas que levam à coceira e realização do teste de dieta de exclusão, que consiste na alimentação com dieta específica pelo período mínimo de oito semanas. Alguns testes cutâneos com alimento podem auxiliar na escolha desta dieta. A reexposição a dieta anterior e o ressurgimento dos sinais clínicos confirmam o diagnóstico. É importante ressaltar que testes alérgicos que utilizam o sangue, pelagem e saliva dos pacientes até o momento falharam em proporcionar diagnóstico fidedigno e, portanto, não são recomendados.

O tratamento é preventivo. Os alimentos identificados que desencadeiam a doença devem ser evitados. Em adição, comumente se faz necessário o uso de medicamentos que controlem os sinais clínicos durante o tempo até o diagnóstico definitivo.

Consulte sempre seu médico veterinário geral ou dermatologista para maiores informações.

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