ALERGIA ALIMENTAR E VACINAS

Com o crescente aumento do número de crianças com alergias alimentares, têm se tornado freqüentes os questionamentos sobre contra-indicações vacinais neste perfil de pacientes.

O calendário básico vacinal brasileiro é motivo de muito orgulho, uma verdadeira conquista da Sociedade Brasileira de Pediatria, em prol do bem estar e prevenção de doenças limitantes ou fatais em nossas crianças. Vacina é assunto sério e não deve ser administrada somente em casos em que exista contra-indicação absoluta.

Existem algumas vacinas – vacina Tríplice Viral (Sarampo, Caxumba e Rubéola), vacina Anti influenza (vacina Anti gripal) e Vacina contra Febre Amarela – que são inoculadas em embriões de galinha e contém  quantidades residuais de Ovoalbumina, um dos principais alérgenos do ovo.

Vacina Tríplice Viral (Sarampo, Caxumba e Rubéola)

Esta vacina não só pode, como  deve ser administrada em pacientes com alergia ao ovo, independentemente de sua manifestação clínica (incluindo anafilaxia).

Vacina Anti Influenza (Vacina Anti Gripal)

Até o ano de 2010 a Vacina Anti Influenza era contra indicada em crianças com alergia ao ovo e depois de muito estudo e testes, a quantidade de Ovoalbumina presente na vacina é uma quantidade SEGURA para estes pacientes.

A quantidade de proteínas do ovo pode variar de 0,2 μg/ml a 42 μg/ml. Observou-se que as vacinas com maior conteúdo destas proteínas teriam mais probabilidade de ocasionar eventos adversos. Entretanto, atualmente, a quantidade de proteínas de ovo nas vacinas para a gripe comercializadas é menor que 1,2 μg/ml.

Estudos de revisão apontam que a Vacina trivalente para Influenza não ocasionou nenhuma reação grave em pacientes alérgicos ao ovo. Nos pacientes com anafilaxia ao ovo também houve boa tolerância e constatou-se que não é necessário realizar testes com a vacina ou aplicá-la em doses fracionadas, mas recomenda-se observar o paciente por 30 minutos em ambiente adequado, com equipamentos e pessoal técnico habilitado para reconhecer e tratar eventuais reações (as quais podem ocorrer também por sensibilidade a outros componentes da vacina).

A segurança da vacina e a liberação para alérgicos ao ovo são compartilhadas pelo Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis no Manual de 2014, endossadas no Guia de Imunização ASBAI/SBIm 2015-2016 e embasadas também em documentos da Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia, Colégio Americano de Alergia e Imunologia e da Academia Americana de Pediatria.

Vacina contra Febre Amarela

Esta vacina, por ser cultivada em ovos embrionados de galinha, contém grandes quantidades de proteínas do ovo, sendo contra-indicada em alérgicos a ovo.

Exceção se faz quando o risco de contrair a doença é muito grande. Nesses casos o paciente deve ser encaminhado ao Especialista para avaliação do risco-benefício e testes cutâneos com a vacina. Se o teste for negativo, pode-se administrar a vacina sob supervisão médica e com observação de 30 minutos. Se o teste for positivo, deve-se avaliar o caso mais amiúde antes da decisão final.

Mas a grosso modo, esta é a única vacina que não deve ser administrada a pacientes com alergia a ovo.

Muito freqüentes também têm sido os questionamentos de médicos e familiares com particular atenção às crianças com quadros de alergia alimentar, em especial aquelas com diagnóstico ou suspeita de alergia à proteína do leite de vaca (APLV).

Rotavírus é um grave problema de saúde pública. Segundo a OMS, a infecção por esse agente é a mais comum causa de diarréia em crianças menores de cinco anos em todo o mundo, sendo responsável por aproximadamente 600 mil mortes por ano e 40% das hospitalizações por gastroenterites. Atinge tantos países ricos como pobres e em desenvolvimento, sendo, portanto, uma questão mundial com grande impacto na mortalidade e morbidade infantil.

A vacina é recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e utilizada em 89 países de todos os continentes em seus calendários de vacinação.

A questão do momento é: Será que existe uma associação entre vacina contra Rotavírus e Alergia ao leite?

Não há estudos publicados que demonstrem aumento ou desencadeamento de Alergia ao leite em crianças vacinadas contra o Rotavírus. Lactentes que apresentam quadro de Alergia ao leite com doença diarreica moderada ou grave ou vômitos, devem ter a aplicação da vacina adiada até a recuperação geral.

Esta vacina pode, raramente, causar sangue nas fezes. E observem que, a idade em que a vacina é realizada coincide com a idade de maior diagnóstico da Alergia ao leite com  manifestação gastrointestinal (proctocolite), isto é, sangue nas fezes, podendo aí haver forte coincidência temporal de fatores envolvidos. Isso tudo associado ao fato de que as alergias alimentares estão aumentando em número, mesmo antes da introdução da vacina Rotavírus em 2006.

As Sociedades Brasileiras de Imunizações (SBIm), Pediatria (SBP) e Alergia e Imunologia (ASBAI) reafirmam a eficácia e a segurança das vacinas  anti Rotavírus e recomendam o uso rotineiro no Calendário Vacinal da criança, face a grande importância e impacto que a doença tem na saúde infantil.

E para finalizar, não existe nenhuma contraindicação formal de aplicação de qualquer vacina nos pacientes alérgicos ao leite de vaca. É necessário, no entanto, que os componentes de qualquer vacina sejam checados antes de sua administração para que não haja qualquer risco da introdução não avisada de proteínas de qualquer espécie.

Em tempos que informações tanto embasadas cientificamente quanto informações meramente especulativas encontram-se ao alcance de todos, temos que ter bom senso e critérios. Na dúvida, consulte sempre um profissional de sua confiança.

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