Alergia a picadas de insetos

Esse ano de 2020 trouxe consigo uma maior proximidade das pessoas com a natureza em detrimento a frequentar ambientes fechados – por questões lógicas. Sempre procurei tentar encontrar pontos positivos dentro de um contexto não tão animador. Vocês já observaram o tanto de gente que passou a fazer hortas e cuidar de seu próprio jardim, a pedalar, a fazer caminhadas, a explorar as imediações da cidade onde vivem? Talvez você seja um deles.

Com isso os casos de reação a picadas de insetos se tornam mais frequentes no consultório do Alergista.

Mas nem todo inseto é igual. Existem os insetos picadores, os famosos “hematófagos”: grupo de insetos que se alimentam de sangue – pernilongos e borrachudos são os melhores exemplos. Existem também os insetos “himenópteros” representados sobretudo pelas abelhas, vespas e formigas.

Não entrarei em detalhes de patologias transmitidas por insetos nesta postagem. Me limitarei a falar de alergia.

Os insetos hematófagos costumam gerar uma reação no local da picada. Em crianças isso pode ser particularmente preocupante, pois as lesões não infrequentemente são múltiplas, extensas e podem infectar gerando até mesmo necessidade de uso de antibióticos. Crianças ficam muito incomodadas com a coceira que essas lesões geram. Os de tenra idade que ainda não sabem se coçar podem manifestar seu desconforto com irritabilidade.

São os chamados PRURIGO-ESTRÓFULOS.

Medidas de evicção das picadas são as mais eficientes e vão desde fechar casa e janelas antes do pôr do sol, usar roupas com mangas e pernas longas ao se expor, produtos repelentes ambientais naturais a base de citronela e andiroba, a depender da necessidade pode ser feito uso de repelentes “de parede” (menos danosos que os de spray) e o uso de repelentes.

Vamos falar de repelentes! Agora? Não. Vou deixar a curiosidade para o post do Insta da AE que será veiculado amanhã.

Contudo, reação alérgica no sentido da palavra – por mecanismo imunológico – ocorre  mesmo nas picadas de abelhas, vespas e formigas.

Os insetos  Hymenoptera são divididos em: Vespidae, Apidae e Formicidae. Vale ressaltar que existem subespécies diversas e no caso de reações graves a sua identificação exata se faz necessária devido à possibilidade de tratamento específico com vacinas – Imunoterapia.

VOCÊ SABIA?

Formigas lava-pés, “formigas de fogo”(fire-ants) são aquelas que mais geram reações alérgicas em crianças e adultos jovens?

Alergia a picadas de insetos

Pois é, 73% das Anafilaxias por himenópteros em nosso país são causadas por elas. São muito comuns no Paraná, sobretudo região centro, centro-oeste e norte do estado. Atendo muita criança com reações graves a essas formiguinhas marrons. Seu nome científico é: Solenopsis invicta (marrom) e tem também a Solenopsis richteri (preta).

Se o inseto que picou não foi identificado e veio voando, qual poderia ser?

Abelha ou vespa. Certo? Ahhh, e o marimbondo? Marimbondo é um tipo de vespa.

Como diferenciar só de olhar o local da picada se foi abelha ou vespa?

Simples, a abelha deixa o ferrão. E esquece aquela atitude de retirar o ferrão antes de tratar a reação alérgica. Não fará diferença pois o veneno já foi injetado. Aliás, faz diferença sim, perde tempo de salvar a vida da pessoa. Crendice total.

Essa categoria de insetos pode gerar desde reações locais banais, reações locais extensas e até mesmo reações anafiláticas graves  comprometendo a vida. Não raro ouvirmos relatos de casos fatais. Fato é que existe como se fazer o diagnóstico correto destas sensibilizações alérgicas e existe tratamento específico para isso.

E a imunoterapia?

A Imunoterapia, popularmente conhecida como “vacina de alergia”, se trata de um tratamento com vacinas injetáveis (subcutâneas) sequenciais com duração de 3 anos que fará com que o organismo da pessoa alérgica gere tolerância a esses venenos.

A Imunoterapia contra himenópteros vem sendo estudada e utilizada há muitos anos e tem um elevado grau de eficácia –  entre 85% e 95%. Evidentemente deve ser realizada por profissional habilitado para seu manejo pois não é isenta de riscos, porém riscos controlados o que difere e muito de uma exposição acidental no meio da rua.

Mas antes de qualquer coisa o indivíduo alérgico a himenóptero deve ter um Plano de Ação Emergencial prescrito pelo seu Alergista contendo orientações e medicações para uso em caso de ferroada e reação. A Adrenalina auto injetável se faz imperiosa pois é essa medicação que salva a vida em reações anafiláticas. Isso não basta, é só o início e deve procurar atendimento médico o mais próximo possível de onde ele está.

Uma última informação…

Você já ouviu falar em “cofatores”? Pois é, cofatores são fatores individuais associados a quadros graves de anafilaxia. Os mais comuns são o uso de álcool, exercícios e patologias pulmonares e cardiovasculares mal controladas.

Em tempos atuais de exercícios ao ar livre, perto de cachoeiras e matas penso que essa informação vem de encontro à busca de informação e auxílio se você já apresentou alguma reação a abelha, vespa ou formiga.

Espero ter ajudado ou ao menos alertado.

Até mais. Fiquem bem.

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