Apesar de entender bem menos do que gostaria, eu aprecio bastante e utilizo muito na coquetelaria essa bebida milenar que é o chá. Então resolvi falar um pouco dela, e como podemos utilizá-la de três maneiras muito interessante. 

Como vocês sabem, eu sou uma pessoa lúdica, então vamos começar esse papo com a lenda chinesa do chá.

(Coloque “música chinesa”no youtube, dê play e leia)

O ano era 2737 a. C., a tarde era cálida e uma brisa envolvente soprava como zéfiro, espalhando as folhas do outono. O imperador descansava sob a sombra de um arbusto quando uma sede repentina brotou em seu ser. Seguindo um costume que ele mesmo difundiu ao povo, para evitar a contaminação em uma época de saneamento tão precário, ordenou aos servos que fervessem a água para que ele pudesse saciar sua sede. Como sempre, o acaso, e seu senso de oportunidade, entrou em ação e nos brindou com folhas de um arbusto de camellia sinesis derrubadas pelo vento dentro do pote de água quente. Nascia aí a primeira infusão de chá. Parece plausível. 

Desde então, o preparo e beneficiamento das folhas dessa planta trouxe ao mundo uma das bebidas mais famosas de todos os tempos. Para além dela, o método de preparo também nos brindou com as infusões, que são extrações de sabores e propriedades de uma série de plantas que não necessariamente a Camellia. Popularmente, tudo é chamado de chá. E nesse texto, seremos populares. Camellia ou não, blendado ou não, cortado, oxidado, triturado, desidratado, defumado, in natura, vai ser tudo chá. Combinado!

Explicada a parte do chá, vamos à parte da sua versatilidade. Seu preparo tipicamente é feito em água quente, a temperaturas que variam de acordo com o tipo de chá. 

No séc XVII, por conta de guerras e longas distâncias percorridas por pessoas, desenvolveu-se a extração de concentrados para serem levados e utilizados para diluir em água quente. Hoje, o cold brew é um método interessante que permite extração de cafés e chás com características mais adocicados. O grão moído do café ou o chá é mergulhado na água fria e passa pelo menos 12h em extração. 

Ditos os métodos mais tradicionais de preparo, vamos às nossas dicas de coquetelaria/

DICA 1

A dica que eu trago pra vocês pode parecer novidade, mas já foi largamente utilizado para fazer garrafadas e medicamentos naturais na história da humanidade: a infusão em álcool.

No caso, aproveitando o sucesso do Gin & Tônica, a ideia é utilizar um gin para extrair o sabor do seu chá preferido. Seja ele em saquinho ou num infusor, deixe a dose na taça em contato com seu chá por pelo menos 30 segundos. Eu adoro utilizar chás diferentes com sabores tropicais da Twinnings, ou blends da Tea Shop e O Chá de Casa. Dá até mesmo pra usar chás mais populares, como chá de hortelã, maçã e canela, capim santo…

Passado o tempo nessa rápida – porém potente – infusão, junte bastante gelo e cubra com 150ml a 200ml de água tônica. Finalize com alguns cítricos ou ervas frescas e está pronto seu GT como vc nunca viu. 

DICA 2

Você que é fã duma frutinha amassada com vodka ou cachaça, e mesmo na febre do gin não quer largar seu destilado do coração, não tem problema. Você pode utilizar a dica acima pra turbinar a sua popular caipi e fazer uma infusão no destilado antes de mandar fruta, açúcar e amassagar tudo. Ou, seguir essa dica número dois, que serve para outros cocktails que vão além de caipis. Vamos fazer um xarope de chá. Sim, um agente adoçante cheio de personalidade patrocinado exclusivamente pelo seu chá favorito.

Em uma chaleira, esquente meio litro de água e faça a infusão da quantidade suficiente do seu chá para essa quantidade de água. Se for algo fresco como alecrim, manjericão, você vai precisar de quantidade maior do que algo seco, como hortelã desidratada, ou chá preto, ou hibisco. 

Após a infusão e perceber que o seu líquido está com aroma e sabor no ponto certo, você vai retirar os sachês ou coar para retirar as partículas sólidas e vai juntar neste líquido quente meio quilo de açúcar cristal ou refinado, orgânico ou não. Pode utilizar também açúcar demerara. Mascavo não, pois altera demais o sabor, especialmente se for de algum chá de sabor mais sensível. Note que a quantidade de água utilizada é a mesma em volume da quantidade de açúcar utilizado. Mexa até dissolver completamente o açúcar e guarde em vidrinhos esterilizados na geladeira. Dura bastante. E sempre que for fazer uma receita de coquetel que pedir açúcar, você pode substituir pelo seu xarope de chá favorito.


DICA 3

A dica de número três é pra galera da sangria e do clericot. Aromatize seu coquetel de vinho com o chá. 

Pode usar o xarope de chá também? Pode.

Pode usar aquela vodka ou gin infuso? Ahammm!

Mas pode colocar direto no vinho pq quero algo mais leve e seco? Yes.

Coloque o saquinho de chá ou infusor direto no vinho para uma aromatização interessante da sua bebida. Se o vinho estiver gelado você tem que deixar mais tempo em infusão. Porque aí a ideia é a do cold brew, que nós citamos acima. Mas também funciona e fica bem gostoso.

O importante é temperar esse vinho usando ervas e plantas e chás para potencializar os sabores do seu drink.

Curtiram as dicas. Não se esqueçam de fazer e comentar comigo e com o @arquitetandoestilos os resultados destes testes. Saúde e que o chá esteja em sua bebida sempre. 

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